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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce396694
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CBM TO
Ano
2023
Cargo
Cad ( )

A aparência científica de um sistema de crença não necessariamente o torna científico. Os defensores da astrologia utilizam uma coleção de argumentos comuns para defender o status científico da disciplina, como o fato de ela estudar o movimento dos planetas, basear-se em cálculos matemáticos para a compreensão do movimento dos astros, possuir softwares específicos para a constituição das predições, além de ter um conjunto rebuscado de pressupostos e relações complexas entre eventos, apresentados de forma racionalmente articulada. Além disso, também é comum em muitas pseudociências os seus defensores desqualificarem os críticos, argumentando que eles desconhecem a matéria e não estão aptos a criticá-la. Saber reconhecer os parâmetros que caracterizam o conhecimento científico é suficiente, na maioria dos casos, para identificar a qualidade da produção das evidências por meio da aplicação do método, para compreender a qualidade do que produzem a astrologia e outras pseudociências. É claro que somada a isso está a robusta falta de evidências para sustentar que as predições astrológicas sejam de alguma valia para explicar a realidade.

 

Por motivos como esse, julgo fundamental que os cientistas devam sempre se esforçar para divulgar as características de como a ciência funciona. Estou seguro de que, se tais princípios pudessem ser amplamente compreendidos pela população geral, mesmo aquela que não tem oportunidade de passar por uma formação científica, diversas crenças em sistemas pseudocientíficos seriam tratadas com maior ceticismo. As pessoas poderiam ser capazes de julgar com maior relatividade as próprias crenças, o que é um dos motivos mais relevantes de por que a ciência é um empreendimento tão eficiente em melhorar nossa condição de vida e nos dar ferramentas úteis para responder as questões que fazemos sobre o universo. Associo-me a Sagan quando ele argumenta, em O mundo assombrado pelos demônios, que faltam, nas escolas de nossas crianças e de nossos adolescentes, estratégias que permitam admirar a ciência, mais do que simplesmente decorar o conhecimento científico. É fundamental ensinar desde cedo a identificar as características essenciais de falseabilidade e a buscar evidências que validem nossas crenças.

 

Ronaldo Pilati. Ciência e pseudociência: por que acreditamos apenas naquilo

em que queremos acreditar. São Paulo: Contexto, 2018, p. 110 (com adaptações).

Texto 1A1-I

   

Assinale a opção em que a proposta de reescrita do último período do primeiro parágrafo do texto 1A1-I mantém a correção gramatical do texto.

  1. AÉ claro que acrescida a isso está a robusta falta de evidências para sustentar que possam haver nas predições astrológicas explicações válidas para a realidade.
  2. BÉ claro que junto a isso está a robusta falta de evidências para sustentar que as predições astrológicas podem, de algum modo, ser válidas para explicar a realidade.
  3. CÉ claro que agregado a isso está a robusta falta de evidências para sustentar que as predições astrológicas valhem algo para explicar a realidade.
  4. DÉ claro que acrescida a isso está a robusta falta de evidências para sustentar que as predições astrológicas tem alguma serventia para explicarem a realidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — É claro que junto a isso está a robusta falta de evidências para sustentar que as predições astrológicas podem, de algum modo, ser válidas para explicar a realidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita do último período — correção gramatical e sentido

Gabarito: letra B. A única reescrita que mantém a correção gramatical é a que troca "somada a isso" por "junto a isso" e reescreve a oração final com o verbo "podem" no plural, concordando com o sujeito "as predições astrológicas". As demais alternativas cometem erros claros de concordância ("possam haver", "tem" sem acento) ou usam formas verbais inexistentes ("valhem"). A passagem original é:

"É claro que somada a isso está a robusta falta de evidências para sustentar que as predições astrológicas sejam de alguma valia para explicar a realidade."

A banca pede uma reescrita que mantenha a correção gramatical — ou seja, que preserve a norma culta, a concordância e o sentido. Não se trata de interpretar o texto, mas de avaliar se a nova redação está gramaticalmente íntegra. Vamos analisar cada ponto.

O comando: o que a banca quer

O enunciado é claro: "proposta de reescrita ... mantém a correção gramatical do texto". Isso significa que a alternativa correta deve:

  • preservar o sentido original (a falta de evidências é o que está somado aos argumentos);

  • respeitar a concordância verbal e nominal;

  • usar formas verbais existentes e adequadas.

Não é uma questão de interpretação profunda, mas de gramática aplicada à reescrita. O foco está em:

  • Concordância verbal: o verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal (não varia); o verbo "ter" no sentido de "existir" também é impessoal e não varia.

  • Formas verbais: "valer" no presente do subjuntivo é "valha", não "valhem".

  • Substituição de expressões: "somada a isso" pode ser substituída por "junto a isso", "acrescida a isso", "agregado a isso", desde que a concordância seja mantida.

A técnica: como testar cada alternativa

Para cada alternativa, pergunte:

  1. A reescrita preserva o sentido original?

  2. A concordância verbal está correta?

  3. As formas verbais existem e estão bem empregadas?

A alternativa correta é a que passa em todos os testes. Vamos aplicar isso a cada uma.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: concordância verbal com "haver" impessoal.

A alternativa A diz: "É claro que acrescida a isso está a robusta falta de evidências para sustentar que possam haver nas predições astrológicas explicações válidas para a realidade."

O problema está em "possam haver". O verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal — não tem sujeito e fica sempre na 3ª pessoa do singular. Portanto, o correto seria "possa haver" (singular), concordando com o verbo auxiliar "possa". A forma "possam haver" está incorreta, pois o auxiliar "possam" concorda com um sujeito que não existe. Além disso, a reescrita altera o sentido: o original diz que as predições "sejam de alguma valia", enquanto a alternativa A diz que "possam haver explicações válidas" — uma mudança sutil, mas que foge ao texto.

PEGA ESSA DICA!

Sempre que aparecer "haver" no sentido de "existir", lembre-se: é impessoal, não varia. O auxiliar que o acompanha também deve ficar no singular.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Mantém a correção gramatical e o sentido.

A alternativa B diz: "É claro que junto a isso está a robusta falta de evidências para sustentar que as predições astrológicas podem, de algum modo, ser válidas para explicar a realidade."

Aqui, "junto a isso" substitui "somada a isso" sem alterar o sentido. O verbo "podem" concorda corretamente com o sujeito "as predições astrológicas" (3ª pessoa do plural). A expressão "ser válidas para explicar a realidade" preserva o sentido de "serem de alguma valia para explicar a realidade". Não há erro de concordância, nem de regência, nem de forma verbal. É a única alternativa que mantém a correção gramatical e o sentido original.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: forma verbal inexistente "valhem".

A alternativa C diz: "É claro que agregado a isso está a robusta falta de evidências para sustentar que as predições astrológicas valhem algo para explicar a realidade."

O verbo "valer" no presente do subjuntivo é "valha" (para ele/ela) e "valham" (para eles/elas). A forma "valhem" não existe na conjugação do verbo "valer". Além disso, "agregado a isso" está no masculino singular, mas o referente é "a robusta falta de evidências" (feminino) — o correto seria "agregada a isso". Portanto, há dois erros: concordância nominal e forma verbal inexistente.

PEGA ESSA DICA!

Desconfie de formas verbais que você nunca viu. "Valhem" não existe; o correto é "valham" (presente do subjuntivo) ou "valem" (presente do indicativo).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: concordância verbal e nominal.

A alternativa D diz: "É claro que acrescida a isso está a robusta falta de evidências para sustentar que as predições astrológicas tem alguma serventia para explicarem a realidade."

Dois problemas:

  1. "tem" sem acento: o verbo "ter" na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo é "têm" (com acento circunflexo). Sem o acento, "tem" é 3ª pessoa do singular, o que quebra a concordância com "as predições astrológicas".

  2. "explicarem": o verbo "explicar" no infinitivo não deve ser flexionado após a preposição "para" — o correto é "para explicar a realidade". A forma "explicarem" é inadequada nesse contexto.

Além disso, "acrescida a isso" está correto (concorda com "falta"), mas os outros erros já invalidam a alternativa.

Conclusão

A única alternativa que mantém a correção gramatical e o sentido é a letra B. As demais cometem erros de concordância verbal (A e D), concordância nominal (C) ou usam formas verbais inexistentes (C).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "haver" impessoal e "ter" existencial, além de formas verbais inexistentes como "valhem". Fique atento à concordância e à existência das formas verbais.

Gabarito: letra B

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