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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce396698
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CBM TO
Ano
2023
Cargo
Sold ( )

As cidades são como os seres humanos: têm um corpo e têm uma alma. Talvez muitas almas, porque o corpo é um albergue onde moram muitas almas, todas diferentes em ideias e sentimentos, todas com a mesma cara. O corpo das cidades são as ruas, as praças, os carros, as lojas, os bancos, os escritórios, as fábricas, as coisas materiais. A alma, ao contrário, são os pensamentos e os sentimentos dos que nela moram. Há corpos perfeitos com almas feias e são como um violino Stradivarius em mãos de quem não gosta de música e não sabe tocar. Mas pode acontecer o contrário: um corpo tosco com alma bonita. Aí é como acontecia com as rabecas do querido Gramanni. Rabecas são violinos rústicos fabricados por artesãos desconhecidos. Mas o Gramanni era capaz de tocar Bach nas suas rabecas... O mesmo vale para as cidades: cidades bonitas por fora e com almas feias, cidades rústicas por fora com almas bonitas. Onde se podem encontrar as almas das cidades? Eu as encontro bonitas nas feiras, nas bancas de legumes e frutas, no mercadão, no sacolão. Esses são lugares onde acontecem reencontros felizes. Também na feira de artesanato, nos jardins onde há crianças, nos concertos... Mas elas aparecem assustadoras nas torcidas de futebol e no tráfego... Ah, o tráfego! É nele que a alma da cidade aparece mais nua. Pensei nisso na semana que passei em Portugal. Lembrei-me que há lugares onde os motoristas sabem que o pedestre tem sempre a preferência. Eles param para que o pedestre passe. Um amigo me contou de sua experiência em Munique: desceu da calçada, pôs os pés no asfalto e, para seu espanto, viu que todos os carros pararam para que ele atravessasse a rua. Sempre que paro meu carro para que o pedestre passe, percebo a surpresa no seu rosto. Não acredita. É preciso que eu faça um gesto com a mão para que ele se atreva.

 

Não é incomum ver um motorista acelerar o carro ao ver um pedestre atravessando a rua. Disseram-me que existe mesmo um video game cuja sensação está em atropelar os pedestres. As cidades voltarão a ser bonitas quando os motoristas compreenderem que o natural é andar a pé. Os pedestres devem ter sempre a preferência.

 

Rubem Alves. Cidades. In: Ostra feliz não faz pérola. São Paulo:

Editora Planeta do Brasil, 2008 (com adaptações).

Texto 2A1-I

   

Assinale a opção que apresenta uma proposta de reescrita que mantém o sentido e a correção gramatical do seguinte trecho do texto 2A1-I: “As cidades voltarão a ser bonitas quando os motoristas compreenderem que o natural é andar a pé.”.

  1. AAs cidades serão bonitas novamente quando o natural forem os motoristas andarem a pé.
  2. BQuando os motoristas compreenderem que as cidades voltarão a ser bonitas, o natural será andar a pé.
  3. CQuando os motoristas compreenderem que o natural é andar a pé, as cidades voltarão a ser bonitas.
  4. DO natural é andar a pé nas cidades, que voltarão a ser bonitas quando os motoristas as compreenderem.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Quando os motoristas compreenderem que o natural é andar a pé, as cidades voltarão a ser bonitas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de Frases: Mantendo o Sentido e a Correção Gramatical

Gabarito: letra C. A reescrita correta é a que preserva a relação lógica de causa e consequência entre a compreensão dos motoristas e a beleza das cidades, mantendo a correção gramatical. A alternativa C faz exatamente isso, apenas invertendo a ordem das orações sem alterar o sentido, como se lê no trecho original: “As cidades voltarão a ser bonitas quando os motoristas compreenderem que o natural é andar a pé.”

A questão pede uma reescrita que mantenha o sentido e a correção gramatical. Isso significa que a nova frase deve preservar a relação lógica entre os eventos: a compreensão dos motoristas é a condição para as cidades voltarem a ser bonitas. A ordem das orações pode mudar, mas a relação de causa e consequência (ou condição e resultado) deve permanecer intacta.

No trecho original, temos uma oração principal (“As cidades voltarão a ser bonitas”) e uma oração subordinada adverbial temporal (“quando os motoristas compreenderem que o natural é andar a pé”). A conjunção “quando” estabelece uma relação de tempo/condição: a volta da beleza depende da compreensão. A reescrita deve manter essa relação.

A alternativa C inverte a ordem: “Quando os motoristas compreenderem que o natural é andar a pé, as cidades voltarão a ser bonitas.” Aqui, a oração subordinada vem primeiro, mas a relação lógica é a mesma: a compreensão é a condição para a beleza. A correção gramatical também é mantida, pois a estrutura é sintaticamente equivalente.

As demais alternativas falham por diferentes motivos: A altera o sentido e comete erro de concordância; B inverte a relação lógica, colocando a compreensão como consequência; D introduz ambiguidade com o pronome “as” e altera o sentido.

1Manter sentido
Relação lógica preservada
Ordem das orações pode mudar
2Manter correção gramatical
Concordância
Referência pronominal
3Erros comuns
Inverter relação lógica
Erro de concordância
Ambiguidade pronominal
Reescrita de frases
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Reescrita de frases: Manter sentido (Relação lógica preservada, Ordem das orações pode mudar); Manter correção gramatical (Concordância, Referência pronominal); Erros comuns (Inverter relação lógica, Erro de concordância, Ambiguidade pronominal)

Alternativa A — ❌ Incorreta

“As cidades serão bonitas novamente quando o natural forem os motoristas andarem a pé.”

Esta alternativa altera o sentido e comete erro de concordância. No original, “o natural é andar a pé” significa que andar a pé é o comportamento natural. Na reescrita, “o natural forem os motoristas andarem a pé” inverte a relação: agora “os motoristas” são o sujeito de “forem”, e “andar a pé” vira um complemento. Além disso, “o natural forem” está incorreto — o correto seria “o natural for” (concordância com “o natural”). A frase fica confusa e não preserva o sentido original.

Erro: contradiz o texto e apresenta erro de concordância.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Quando os motoristas compreenderem que as cidades voltarão a ser bonitas, o natural será andar a pé.”

Aqui, a relação lógica é invertida. No original, a compreensão é a condição para as cidades voltarem a ser bonitas. Em B, a compreensão é sobre o fato de as cidades voltarem a ser bonitas, e o “natural” (andar a pé) é apresentado como consequência. Isso muda completamente o sentido: no original, andar a pé é o natural que, quando compreendido, faz as cidades ficarem bonitas; em B, andar a pé é apenas uma consequência de se compreender que as cidades ficarão bonitas. A relação de causa e consequência é quebrada.

Erro: contradiz o texto, invertendo a relação lógica.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Quando os motoristas compreenderem que o natural é andar a pé, as cidades voltarão a ser bonitas.”

Esta alternativa preserva o sentido e a correção gramatical. A oração subordinada “Quando os motoristas compreenderem que o natural é andar a pé” é deslocada para o início, mas mantém a mesma relação de condição/tempo com a oração principal “as cidades voltarão a ser bonitas”. A estrutura é gramaticalmente correta e o sentido é idêntico ao original.

Erro: nenhum — é a reescrita correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“O natural é andar a pé nas cidades, que voltarão a ser bonitas quando os motoristas as compreenderem.”

Esta alternativa altera o sentido e introduz ambiguidade. No original, “compreenderem que o natural é andar a pé” — os motoristas compreendem uma ideia. Em D, “quando os motoristas as compreenderem” — o pronome “as” refere-se a “cidades”, mas o sentido de “compreender as cidades” é diferente de “compreender que o natural é andar a pé”. Além disso, a frase “O natural é andar a pé nas cidades” muda o foco: no original, o natural é andar a pé (em geral); em D, o natural é andar a pé nas cidades, o que restringe o sentido.

Erro: contradiz o texto, alterando o sentido e criando ambiguidade.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão da ordem das orações e a troca de referentes. Em B, a inversão muda a relação lógica; em D, o pronome “as” cria ambiguidade. Fique atento ao conectivo “quando” e à relação de causa e consequência.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, identifique a oração principal e a subordinada e verifique se a relação lógica (causa, condição, tempo) é mantida. Teste cada alternativa perguntando: “o sentido é o mesmo? a gramática está correta?”.

Conclusão: a única alternativa que mantém o sentido e a correção gramatical é a letra C, pois preserva a relação de condição entre a compreensão dos motoristas e a beleza das cidades.

Gabarito: letra C

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