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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce396710
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TJ CE
Ano
2023
Cargo
TJ ( )

Texto CG1A1-I

 

Nem mais como tema literário serve ainda esse assunto de seca. Já cansou quem escreve, cansou quem lê e cansou principalmente quem o sofre. Parece mesmo que cansou o próprio Deus Nosso Senhor, pois que afinal, repetindo um gesto sucedido há exatamente um século (o último diz a tradição que foi em 1851), contra todos os cálculos, contra todas as experiências, ultrapassando os otimismos mais alucinados, fez começar um inverno no Nordeste durante a primeira quinzena de abril.

 

Eu estava lá. Assisti mais uma vez à mágica transformação do deserto em jardim do paraíso. E vendo o céu escurecer bonito, depois de tantos meses de desesperança, os compadres diziam que eu lhes levara o inverno nas malas. O fato é que, durante a viagem de ida, enquanto o “Constellation” da Panair voava por cima do colchão compacto de nuvens carregadas de água, me dava uma vontade desesperada de rebocá-las todas, lá para onde tanta falta faziam, levá-las como rebanho de golfinhos prisioneiros e despejá-las em cheio sobre os serrotes do Quixadá.

 

Pois choveu. Encheram-se os açudes, as várzeas deram nado, os rios subiram de barreira a barreira.

 

Mas ninguém espere muito de um inverno assim tardio. Já se agradece de joelhos o pasto aparentemente garantido, o gado salvo. Mas não se espera que haja milho. Talvez feijão, desse precoce que dá em dois meses. E o algodão aguenta, provavelmente. Nada mais.

 

Rachel de Queiroz. Choveu! (com adaptações).

Assinale a opção que apresenta uma proposta de reescrita que preserva a correção gramatical e o sentido do seguinte trecho do primeiro parágrafo do texto CG1A1-I: “(o último diz a tradição que foi em 1851)”.
  1. A(a tradição diz que, foi em 1851, o último gesto)
  2. B(o último século, a tradição diz, foi em 1851)
  3. C(o último gesto diz que a tradição foi em 1851)
  4. D(segundo a tradição, o último gesto foi em 1851)
  5. E(em 1851 foi quando a tradição disse o último gesto)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — (segundo a tradição, o último gesto foi em 1851)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita do trecho “(o último diz a tradição que foi em 1851)”

Gabarito: letra D. A única reescrita que preserva o sentido e a correção é (segundo a tradição, o último gesto foi em 1851), porque mantém a relação de sentido original: a tradição é a fonte da informação, e o que ocorreu em 1851 foi o último gesto (a última seca). As demais opções ou trocam o referente de “o último” (que se refere a “gesto”, não a “século”), ou invertem a relação entre “tradição” e “gesto”, ou cometem erro de pontuação.

O comando pede uma reescrita que preserve correção gramatical e sentido. Isso significa que a nova frase deve ser gramaticalmente válida e veicular exatamente a mesma informação do trecho original, sem acrescentar, omitir ou inverter ideias. Não se trata de interpretar o texto, mas de parafrasear com fidelidade.

No trecho original, “o último” é um pronome substantivo que retoma “gesto” (mencionado logo antes: “repetindo um gesto sucedido há exatamente um século”). A oração “diz a tradição que foi em 1851” é uma intercalada que indica a fonte da informação: a tradição afirma que esse último gesto ocorreu em 1851. Portanto, a estrutura lógica é: a tradição diz que o último gesto foi em 1851.

A técnica para resolver é identificar o referente do pronome e manter a relação de sentido entre os termos. Ao reescrever, o candidato deve perguntar: “o que foi em 1851?” — a resposta é “o último gesto”, não “o último século”. E “quem diz?” — a tradição. A opção D reorganiza a frase com a locução “segundo a tradição” (equivalente a “diz a tradição”), mantém “o último gesto” como sujeito de “foi”, e preserva a informação temporal. É uma paráfrase perfeita.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a ambiguidade do pronome “o último” e a inversão da relação de sentido. Em B, “o último século” troca o referente; em C e E, inverte-se quem diz o quê. Fique atento: o pronome retoma o termo mais próximo e coerente — aqui, “gesto”.

Alternativa A — ❌ Incorreta

(a tradição diz que, foi em 1851, o último gesto)

Erro: pontuação inadequada. A vírgula após “que” separa o verbo “diz” de seu complemento (“que foi em 1851”), quebrando a estrutura sintática. O correto seria “a tradição diz que o último gesto foi em 1851”. Além disso, a ordem “foi em 1851, o último gesto” é estranha e desnecessariamente invertida. A opção não preserva a correção gramatical.

Alternativa B — ❌ Incorreta

(o último século, a tradição diz, foi em 1851)

Erro: troca de referente. No original, “o último” refere-se a “gesto” (a última seca). Aqui, “o último século” altera o sentido: afirma que o século (e não o gesto) foi em 1851 — o que é um contra-senso (um século não “foi” em um ano). A opção contradiz o texto e extrapola ao introduzir “século” como referente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

(o último gesto diz que a tradição foi em 1851)

Erro: inversão da relação de sentido. No original, a tradição é quem diz; aqui, o gesto é o sujeito de “diz”, e a tradição passa a ser o objeto da afirmação. Isso inverte completamente a informação: não é o gesto que fala, nem a tradição que “foi em 1851”. A opção contradiz o texto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

(segundo a tradição, o último gesto foi em 1851)

Perfeita paráfrase. “Segundo a tradição” equivale a “diz a tradição” (fonte da informação). “O último gesto” mantém o referente correto. “Foi em 1851” preserva a informação temporal. A frase é gramaticalmente correta e veicula exatamente o mesmo sentido do original. Correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

(em 1851 foi quando a tradição disse o último gesto)

Erro: inversão e mudança de sentido. No original, a tradição diz (afirma) que o gesto foi em 1851; aqui, a tradição disse o último gesto — como se o gesto fosse o objeto do verbo “dizer” (algo que se diz), e não o fato ocorrido. Além disso, “em 1851 foi quando” é uma construção redundante e deslocada. A opção contradiz o texto e altera o sentido.

Conclusão: a chave da questão é manter o referente de “o último” (gesto) e a relação de fonte (tradição). Teste cada reescrita perguntando: “quem diz?” e “o que foi em 1851?”. A única que responde corretamente é a letra D.

Gabarito: letra D

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