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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce396751
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Pref Fortaleza
Ano
2023
Cargo
ATM ( )

Responsabilidade fiscal combina com responsabilidade social?


Quando analistas do mercado financeiro e economistas ditos “ortodoxos” referem-se à necessidade de haver responsabilidade fiscal, parece, à primeira vista, que estão se referindo à necessidade de o Estado não realizar gastos (ou abrir mão de receitas públicas) de modo descontrolado, eleitoreiro e ineficiente, aumentando aceleradamente a dívida pública (em proporção do PIB) sem um planejamento econômico- orçamentário de médio e longo prazo. Se fosse somente isso, se fossem somente essas as suas preocupações, não haveria muita polêmica, visto que os políticos e os economistas que questionam a visão do mercado financeiro também concordam com esses parâmetros para qualificar a responsabilidade fiscal.


O problema está em alguns diagnósticos e causalidades evocados pelos economistas porta-vozes do mercado financeiro, que podemos sintetizar em duas ideias centrais.


A primeira ideia central é a de que a economia brasileira apresentaria historicamente um sério “risco fiscal”, suficiente para tirar o sono daqueles que compram títulos da dívida pública. Exatamente por esse grave risco fiscal, argumenta o economista ortodoxo, é que haveria a necessidade de o Banco Central manter a taxa de juros reais nas alturas, colocando o Brasil quase sempre na posição de país com a maior taxa de juros reais no mundo. Os maiores juros reais do mundo seriam uma espécie de prêmio exigido de modo justo e justificado pelos “investidores” que emprestam seus recursos ao governo: maior risco, maior incerteza, maior prêmio — uma simples e sadia “lei do mercado”.


A segunda ideia central é a de que a inflação decorreria de um excesso de demanda na economia. Não adianta apresentar dados objetivos indicando que, em muitos casos, a inflação é gerada por choques de oferta que nada têm a ver com excesso de demanda. A partir desse diagnóstico imutável (e imune aos fatos) de que a inflação — ou o risco de inflação — seria sempre um problema de excesso de demanda, os porta-vozes do mercado estão sempre cobrando do governo que colabore para a redução da demanda e modere seus gastos (exceto o gasto com os juros da dívida pública), e estão sempre cobrando do Banco Central que aumente a taxa básica de juros diante de qualquer tipo de sinal de pressão inflacionária, pois o aumento dos juros causa refluxo da demanda — demissões, queda nos investimentos — e esse refluxo da demanda combateria eficazmente a inflação.


Podemos agora formular com precisão: o mercado financeiro não vê antagonismo entre responsabilidade fiscal e responsabilidade social porque, em sua visão, a primeira é sempre uma pré- condição para a segunda. Como o mercado financeiro sempre vê um risco fiscal significativo na economia brasileira, nunca estará satisfeito com o nível de responsabilidade fiscal demonstrado pelo governo, nunca achará que já estamos em condições de avançar com segurança nas tarefas sociais e sempre tachará de “populista” ou “demagógica” qualquer alternativa que signifique abandonar esse beco sem saída ao qual o país foi condenado nas últimas décadas.


Internet: <anima.pucminas.br> (com adaptações).

Texto CG1A1-I

 

No que se refere a aspectos linguísticos do texto CG1A1-I, julgue o próximo item.

 

A substituição da palavra “agora” (primeiro período do sexto parágrafo) por entretanto preservaria os sentidos do texto, dadas as ideias apresentadas no parágrafo e a relação semântica deste com o parágrafo anterior.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de “agora” por “entretanto” — valor conclusivo × opositivo

Gabarito: ERRADO (E). A substituição de “agora” por “entretanto” não preservaria os sentidos do texto, porque “agora” tem valor conclusivo (sintetiza o que foi dito), enquanto “entretanto” tem valor adversativo (introduz oposição). No sexto parágrafo, o autor escreve: “Podemos agora formular com precisão: o mercado financeiro não vê antagonismo...”. O termo “agora” marca o momento de concluir/sintetizar a argumentação, não de contrapor ideias. Portanto, a troca alteraria a relação semântica entre o parágrafo e o anterior.

O comando da questão

A questão pede que você julgue se a substituição de uma palavra por outra preservaria os sentidos do texto. Isso envolve duas habilidades: (1) identificar o valor semântico da palavra original no contexto; (2) verificar se a palavra substituta tem o mesmo valor e se a relação entre os parágrafos se mantém. Não basta saber o significado isolado de “agora” e “entretanto”; é preciso analisar a função argumentativa que cada um exerce no trecho.

O texto e o movimento argumentativo

O texto discute a relação entre responsabilidade fiscal e social na visão do mercado financeiro. Nos parágrafos anteriores, o autor apresenta as duas ideias centrais dos economistas ortodoxos (risco fiscal e inflação por excesso de demanda). No sexto parágrafo, ele faz uma síntese: “Podemos agora formular com precisão...”. O “agora” indica que, após a exposição anterior, chegou o momento de concluir — é um marcador de conclusão/síntese, não de oposição.

A técnica que decide

  • “Agora” — neste contexto, tem valor temporal/conclusivo: “neste momento”, “após o que foi dito”. Ele amarra o parágrafo ao anterior, indicando que a formulação precisa é consequência do que foi exposto.

  • “Entretanto” — é um conectivo adversativo: introduz uma oposição, uma ressalva ou uma quebra de expectativa em relação ao que foi dito antes.

Se substituíssemos “agora” por “entretanto”, o trecho passaria a sugerir que a formulação precisa contraria o que foi dito anteriormente — o que não é o caso. O autor não está se opondo ao parágrafo anterior; ele está concluindo a partir dele.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre conclusão e oposição. “Agora” pode até ter valor temporal, mas aqui ele funciona como marcador de síntese — não como conectivo adversativo. O candidato que não percebe a função argumentativa cai na armadilha.

Análise da assertiva

1"Agora" (no contexto)
Valor conclusivo/temporal
"neste momento, após o que foi dito"
Amarra o parágrafo ao anterior
2"Entretanto"
Valor adversativo
Introduz oposição/ressalva
Quebra de expectativa
3Efeito da troca
Alteraria o sentido
Quebraria a coesão sequencial
Conectivos
LEVELsoulevel.com.br
Conectivos: "Agora" (no contexto) (Valor conclusivo/temporal, "neste momento, após o que foi dito", Amarra o parágrafo ao anterior); "Entretanto" (Valor adversativo, Introduz oposição/ressalva, Quebra de expectativa); Efeito da troca (Alteraria o sentido, Quebraria a coesão sequencial)

Assertiva — ❌ ERRADO

A afirmação de que a substituição preservaria os sentidos é falsa. Vejamos o trecho:

“Podemos agora formular com precisão: o mercado financeiro não vê antagonismo entre responsabilidade fiscal e responsabilidade social...”

O “agora” indica que, neste momento (após a argumentação anterior), é possível formular a conclusão. Ele tem valor conclusivo/temporal, não adversativo. Já “entretanto” introduziria uma oposição — como se a formulação precisasse contradizer o que foi dito antes. Isso alteraria o sentido do texto.

Além disso, a relação entre o sexto parágrafo e o anterior é de continuidade lógica (o sexto sintetiza o quinto), não de contraste. Portanto, a troca não preservaria os sentidos.

Conclusão

A assertiva está errada porque “agora” tem valor conclusivo e “entretanto” tem valor adversativo — são funções semânticas distintas. A troca quebraria a coesão sequencial e alteraria a relação entre os parágrafos.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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