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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce396756
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Pref Recife
Ano
2023
Cargo
Prof II( )

Os mediadores de leitura são aquelas pessoas que estendem pontes entre os livros e os leitores, ou seja, que criam as condições para fazer com que seja possível que um livro e um leitor se encontrem. A experiência de encontrar os livros certos nos momentos certos da vida, esses livros que nos fascinam e que nos vão transformando em leitores paulatinamente, não tem uma rota única nem uma metodologia específica; por isso, os mediadores de leitura não são fáceis de definir. No entanto, basta lembrar como descobrimos, nos primeiros anos da vida, esses livros que deixaram rastros em nossa infância e, talvez, aparecerão nítidas algumas figuras que foram nossos mediadores de leitura: esses adultos íntimos que deram vida às páginas de um livro, essas vozes que liam para nós, essas mãos e esses rostos que nos apresentavam os mundos possíveis e as emoções dos livros.


Os mediadores de leitura, consequentemente, não estão somente na escola, mas no lar, nas bibliotecas e nos espaços não convencionais, como os parques, os hospitais e as ludotecas, entre outros lugares. Durante a primeira infância, quando a criança não lê sozinha, a leitura é um trabalho em parceria e o adulto é quem vai dando sentido a essas páginas que, para o bebê, não seriam nada, sem sua presença e sua voz. Então, os primeiros mediadores de leitura são os pais, as mães, os avós e os educadores da primeira infância e, aos poucos, à medida que as crianças se aproximam da língua escrita, vão se somando outros professores, a exemplo dos bibliotecários, dos livreiros e dos diversos adultos que acompanham a leitura das crianças.


Não é fácil reduzir o trabalho do mediador de leitura a um manual de funções. Seu ofício essencial é ler de muitas formas possíveis: em primeiro lugar, para si mesmo, porque um mediador de leitura é um leitor sensível e perspicaz, que se deixa tocar pelos livros, que desfruta e que sonha em compartilhá-los com outras pessoas. Em segundo lugar, um mediador cria rituais, momentos e atmosferas propícias para facilitar os encontros entre livros e leitores. Às vezes, pode fazer a hora do conto e ler em voz alta uma ou várias histórias a um grupo, mas, outras vezes, propicia leituras íntimas e solitárias ou encontros em pequenos grupos. Assim, em certas ocasiões, conversa ou recomenda algum livro; em outras, permanece em silêncio ou se oculta para deixar que livro e leitor conversem.


Por isso, além de livros, um mediador de leitura lê seus leitores: quem são, o que sonham e o que temem, e quais são esses livros que podem criar pontes com suas perguntas, com seus momentos vitais e com essa necessidade de construir sentido que nos impulsiona a ler, desde o começo e ao longo da vida.


Internet:<https://www.ceale.fae.ufmg.br/> (com adaptações).

Texto 8A2-I

 

Ainda com relação a aspectos linguísticos do texto 8A2-I, julgue o item subsequente.

 

A substituição do verbo “tem”, em “não tem uma rota única” (segundo período do primeiro parágrafo), por existem não alteraria a correção gramatical e os sentidos do texto

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de “tem” por “existem”: correção gramatical e sentido

Gabarito: ERRADO (E). A substituição de “tem” por “existem” em “não tem uma rota única” não preserva os sentidos do texto, embora possa manter a correção gramatical. O verbo “ter”, nesse contexto, é transitivo direto e tem como sujeito o pronome indefinido “isso” (retomando a ideia anterior), enquanto “existir” é intransitivo e exigiria reestruturação da oração, alterando a relação sintático-semântica original. Como se lê no primeiro parágrafo: “não tem uma rota única nem uma metodologia específica”.

O comando da questão

A banca pede que se julgue se a troca de “tem” por “existem” não alteraria a correção gramatical e os sentidos do texto. São dois critérios cumulativos: (1) a correção gramatical e (2) a manutenção de sentido. Basta que um deles seja violado para o item ser considerado errado. Aqui, o segundo critério é claramente desrespeitado.

O texto e o trecho em análise

No segundo período do primeiro parágrafo, o autor escreve:

“A experiência de encontrar os livros certos nos momentos certos da vida, esses livros que nos fascinam e que nos vão transformando em leitores paulatinamente, não tem uma rota única nem uma metodologia específica”

O sujeito de “tem” é “A experiência de encontrar os livros certos…” (núcleo: “experiência”, singular). O verbo “ter” é transitivo direto e seu objeto direto é “uma rota única”. A oração afirma que essa experiência não possui uma rota única — ou seja, “ter” aqui tem sentido de possuir.

A diferença entre “ter” e “existir”

  • Ter (transitivo direto): exige objeto direto. Na frase, “uma rota única” é o objeto direto. O sentido é de posse ou característica.

  • Existir (intransitivo): não exige complemento. Se substituíssemos, teríamos “não existe uma rota única”, o que muda a estrutura: o sujeito passaria a ser “uma rota única” e o sentido passaria a ser de existência, não de posse.

Essa mudança de transitividade altera o sentido e, portanto, a substituição não é adequada.

1"tem"
Transitivo direto
Sujeito: "a experiência"
Sentido: posse
2"existem"
Intransitivo
Sujeito: "uma rota única"
Sentido: existência
3Consequência
Altera o sentido
Exige reestruturação sintática
"tem" × "existem"
LEVELsoulevel.com.br
"tem" × "existem": "tem" (Transitivo direto, Sujeito: "a experiência", Sentido: posse); "existem" (Intransitivo, Sujeito: "uma rota única", Sentido: existência); Consequência (Altera o sentido, Exige reestruturação sintática)

Análise das alternativas

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação de que a substituição não alteraria a correção gramatical e os sentidos é falsa. Embora a frase “não existe uma rota única” seja gramaticalmente correta, o sentido muda: o texto original diz que a experiência não tem (não possui) uma rota única, enquanto a versão com “existe” diria que não há uma rota única. A troca de verbo transitivo por intransitivo altera a relação sintático-semântica e, portanto, o item está errado.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E afirma que a substituição alteraria a correção gramatical e os sentidos. Isso está correto, pois, como demonstrado, a troca de “tem” por “existem” muda o sentido (de posse para existência) e exigiria reestruturação sintática (o sujeito passaria a ser “uma rota única”). Portanto, a substituição não é neutra e o item deve ser julgado errado.

Conclusão

A banca testa a capacidade de perceber que nem toda substituição de verbo é inócua. A troca de “ter” por “existir” altera o sentido e, portanto, o item está errado. Gabarito: letra E.

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