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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce396770
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SERPRO
Ano
2023
Cargo
Ana ( )

Os pais pediram que o menino fosse dormir cedo para que pudesse acordar à hora da passagem do ano. A julgar pela insistência da recomendação, o ano não passaria se ele não se deitasse. O que seria, francamente, um problemão — e para o mundo todo. Se o ano não virasse, tudo o que estava para acontecer a partir da meia-noite bruscamente ficaria retido nas malas, nos pacotes, na escuridão. Por respeito à humanidade, o garoto acatou. Quer dizer, mais ou menos — ficaria na cama de olhos fechados, igual quando brincava de morto, mas dormir mesmo não dormiria. Só estando acordado seria possível devassar de vez o mistério da passagem do ano.


Os adultos mentem muito, sabia. Até mesmo sua mãe, que lhe pede não mentir nunca, inventava histórias quando ele perguntava “como era a cara do ano velho e do ano novo”. Sempre lhe respondiam, com sorrisos enigmáticos que não esclarecem nada, que tudo dependia da sua maneira de olhar. Mas olhar o quê? O ano velho indo embora tal qual um balão, “subindo, perdendo gás, perdendo gás, até acabar muito chocho”? Ou a chegada do novo, que descia de paraquedas na praça General Osório, trazendo uma mochila munida de “talco, escova de dentes e pombas”, para soltar em sinal de paz e alegria? Pouca coisa fazia sentido naquela cabeça de menino.


Confinado em seu quarto, correu para a janela depois do beijo materno de boa noite e ali ficou, vigia do réveillon. Era preciso guardar o céu, pois com certeza “o ano passa no ar”. Mas o que faria, então, tanta gente na rua, tanto carro buzinando, sem ninguém olhando para cima? Já estavam, decerto, acostumados. “É ruim, ficar acostumado: não se vê mais nada, as coisas vão se apagando”, concluiu a criança da crônica de Drummond. Ninguém ia perceber a passagem do ano.


Desiludido, o menino pegou no sono e acordou no chão, apavorado com o estrondo da virada. Foi correndo para a sala, onde os adultos, falando um pouco arrastado, tinham perdido o jeito comum, o jeito diurno. “Ele passou?”, quis saber. Carinhosa, a mãe levou-o de volta para o quarto, encostou o rosto em seu rosto e rogou-lhe que dormisse outra vez. O ano passara sem que ele o visse. Bem que sua mãe tinha alertado: só dependia da maneira de olhar... e ele não acertara com a maneira.


Guilherme Tauil. Para o ano que chega. Internet: < https://cronicabrasileira.org.br> (com adaptações).

Texto

   

Julgue o item que se segue, a respeito das ideias e estruturas linguísticas do texto.


Os sentidos do texto e a sua correção gramatical seriam preservados caso o primeiro período do terceiro parágrafo fosse reescrito da seguinte forma: Confinado em seu quarto, correu para a janela depois do beijo de boa noite de sua mãe e ali, vigia do réveillon, ficou.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

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Reescrita do primeiro período do terceiro parágrafo

Gabarito: CERTO. A reescrita proposta preserva os sentidos do texto e a correção gramatical, pois mantém a mesma estrutura sintática e semântica do período original, apenas reordenando os termos e substituindo a locução "depois do beijo materno de boa noite" por "depois do beijo de boa noite de sua mãe", sem alterar o significado. A passagem original é:

"Confinado em seu quarto, correu para a janela depois do beijo materno de boa noite e ali ficou, vigia do réveillon."

A reescrita apresentada é: "Confinado em seu quarto, correu para a janela depois do beijo de boa noite de sua mãe e ali, vigia do réveillon, ficou." A mudança de "beijo materno de boa noite" para "beijo de boa noite de sua mãe" é uma paráfrase que mantém o sentido: o beijo dado pela mãe, desejando boa noite. A inversão de "ali ficou, vigia do réveillon" para "ali, vigia do réveillon, ficou" apenas desloca o aposto "vigia do réveillon" para o interior da oração, entre vírgulas, sem alterar a função sintática ou o sentido. A correção gramatical é mantida: o sujeito oculto ("ele", o menino) continua o mesmo, os verbos "correu" e "ficou" permanecem no pretérito perfeito do indicativo, e a pontuação está adequada.

O comando

A questão pede um julgamento de Certo ou Errado sobre uma proposta de reescrita. O foco é duplo: (1) correção gramatical — a nova redação deve obedecer às regras da norma culta; (2) preservação dos sentidos — a reescrita não pode introduzir, suprimir ou distorcer informações do texto original. Não se trata de interpretação profunda, mas de análise de equivalência semântica e sintática entre duas versões do mesmo período.

O texto

O terceiro parágrafo narra a ação do menino após ser colocado na cama: ele corre para a janela e fica ali, como um vigia, esperando a passagem do ano. O trecho original é:

"Confinado em seu quarto, correu para a janela depois do beijo materno de boa noite e ali ficou, vigia do réveillon."

A reescrita proposta reorganiza os elementos: "depois do beijo de boa noite de sua mãe" (equivalente a "depois do beijo materno de boa noite") e "ali, vigia do réveillon, ficou" (equivalente a "ali ficou, vigia do réveillon"). Nenhuma informação nova é acrescentada, nenhuma é suprimida, e a ordem dos fatos (confinado → correu → ficou) é preservada.

A técnica

Para julgar uma reescrita, o método é comparar termo a termo:

  1. Verifique o sentido: cada palavra ou expressão da nova versão deve corresponder a uma da original, sem trocas por sinônimos que mudem o significado (ex.: "correu" não poderia virar "andou").

  2. Verifique a gramática: sujeito, verbo, regência, concordância e pontuação devem estar corretos e coerentes com o restante do texto.

  3. Verifique a coesão: pronomes e referências devem apontar para os mesmos elementos.

No caso, "beijo materno" é uma forma sintética de dizer "beijo da mãe"; a reescrita apenas explicita o possessivo. A inversão do aposto "vigia do réveillon" é uma variação estilística permitida, pois o aposto pode aparecer antes ou depois do verbo, sempre isolado por vírgulas. Não há qualquer prejuízo.

Análise do item

Item — ✅ CERTO ⟵ GABARITO

A reescrita está correta porque:

  • Sentido preservado: "beijo materno de boa noite" = "beijo de boa noite de sua mãe"; "ali ficou, vigia do réveillon" = "ali, vigia do réveillon, ficou". A ordem dos eventos e a informação são idênticas.

  • Correção gramatical: o período mantém o sujeito oculto ("ele"), os verbos no pretérito perfeito ("correu", "ficou"), e a pontuação das vírgulas isola corretamente o aposto "vigia do réveillon".

  • Coesão: a referência a "sua mãe" é clara e remete à mãe do menino, mencionada no parágrafo anterior ("sua mãe, que lhe pede não mentir nunca").

Não há erro de nenhum tipo: não contradiz o texto, não extrapola, não restringe, não acrescenta opinião e não foge ao tema. É uma paráfrase fiel.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescrita, desconfie de trocas que alterem o tempo verbal, o sujeito ou o conectivo. Aqui, a única mudança é lexical ("materno" → "de sua mãe") e de ordem (aposto deslocado), ambas inofensivas.

Conclusão: a reescrita é uma variação legítima do período original, mantendo sentido e gramática. Portanto, o item está CERTO.

Gabarito: CERTO

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