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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce396786
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
EMPREL
Ano
2023
Cargo
Ana Sist ( )

É perigoso nos distrairmos com uma fantasia utópica ou apocalíptica possibilitada pela inteligência artificial (IA), que promete ou um futuro “florescente” ou um futuro “potencialmente catastrófico”. Essa ilusão, que infla as capacidades dos sistemas automatizados e os antropomorfiza, induz as pessoas a pensar que existe um ser senciente por trás das mídias sintéticas. Isso seduz as pessoas a não apenas confiarem acriticamente em sistemas como o ChatGPT, mas também a lhes atribuírem erroneamente a capacidade de agir. A responsabilização propriamente dita não cabe aos artefatos tecnológicos, mas a seus construtores.

 

O que precisamos é de regulamentação que imponha transparência a essa tecnologia digital. Isso deve ficar sempre claro quando nos deparamos com mídias sintéticas, e as organizações que constroem esses sistemas também deveriam ser obrigadas a documentar e a divulgar os dados de treinamento e as arquiteturas de modelo. Além disso, o ônus de criar instrumentos seguros de uso dessas tecnologias deveria recair sobre as empresas que constroem e implantam sistemas generativos, o que significa que os construtores desses sistemas deveriam ser responsabilizados pelos resultados produzidos por seus produtos.

 

A corrida atual rumo a “experimentos de IA” cada vez maiores não é um caminho predeterminado no qual a nossa única escolha é o quão rápido devemos correr, mas uma série de decisões impulsionadas pelo lucro. As ações e as escolhas das corporações devem ser moldadas por regulamentação que proteja os direitos e os interesses das pessoas. O foco da nossa preocupação não deveriam ser as “poderosas mentes digitais” imaginárias. Em vez disso, deveríamos focar nas práticas de exploração muito reais e muito presentes das empresas que afirmam construí-las.

 

Timnit Gebru et al. Papagaios estocásticos: o pedido de moratória para a IA e os riscos em jogo. Internet: <ihu.unisinos.br> (com adaptações).

Texto

   

Assinale a opção em que a proposta de substituição para o trecho “o que significa que” (último período do segundo parágrafo) preservaria tanto os sentidos do texto quanto a sua correção gramatical.

  1. Aou seja,
  2. Bpor exemplo,
  3. Centretanto,
  4. Dalém disso,
  5. Epor que
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — ou seja,

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de conectivo: o valor de “o que significa que”

Gabarito: letra A. A substituição por “ou seja,” preserva tanto o sentido quanto a correção gramatical, porque o trecho “o que significa que” introduz uma explicação/retomada conclusiva da ideia anterior — exatamente o valor de “ou seja”. Como se lê no segundo parágrafo: “o ônus de criar instrumentos seguros de uso dessas tecnologias deveria recair sobre as empresas que constroem e implantam sistemas generativos, o que significa que os construtores desses sistemas deveriam ser responsabilizados pelos resultados produzidos por seus produtos”. A oração seguinte apenas explicita a consequência lógica do que foi dito, e “ou seja” cumpre esse papel sem alterar o sentido.

O comando

A questão pede uma substituição que preserve dois requisitos: (1) os sentidos do texto e (2) a correção gramatical. Isso significa que a alternativa correta deve manter a relação semântica que o conectivo original estabelece entre as orações — e, ao mesmo tempo, ser gramaticalmente adequada ao contexto. Não basta ser sinônimo aproximado; é preciso que o valor lógico (explicação, conclusão, oposição, adição, causa) seja o mesmo.

O texto e o trecho em questão

O texto defende a regulamentação da IA e a responsabilização dos construtores dos sistemas. No segundo parágrafo, o autor afirma que o ônus de criar instrumentos seguros deve recair sobre as empresas e, em seguida, usa “o que significa que” para explicar o que isso implica: os construtores devem ser responsabilizados pelos resultados. A relação é de explicação/conclusão: a segunda oração parafraseia ou explicita a consequência da primeira.

A técnica que decide

O conectivo “o que significa que” é uma locução conjuntiva que introduz uma oração subordinada substantiva predicativa ou, mais comumente, uma explicação do que foi dito. Seu valor é explicativo-conclusivo: equivale a “isto é”, “ou seja”, “em outras palavras”. Para substituí-lo sem alterar o sentido, é preciso escolher um conectivo com o mesmo valor semântico.

  • “ou seja” — conectivo explicativo, usado para reformular, esclarecer ou concluir o que foi dito. Perfeito.

  • “por exemplo” — introduz uma exemplificação, não uma explicação. O trecho não dá um exemplo; ele explica a consequência.

  • “entretanto” — conectivo adversativo (oposição). O trecho não expressa oposição.

  • “além disso” — conectivo aditivo (soma de ideias). O trecho não soma; ele explica.

  • “por que” — forma interrogativa ou relativa; não se encaixa aqui, pois não há pergunta nem ideia de causa/motivo.

Análise das alternativas

1Valor semântico
Explicativo-conclusivo
Equivale a "isto é", "ou seja"
2Substituição correta
"ou seja" (explicação)
3Substituições que alteram o sentido
"por exemplo" (exemplificação)
"entretanto" (oposição)
"além disso" (adição)
"por que" (pergunta/causa)
"o que significa que"
LEVELsoulevel.com.br
"o que significa que": Valor semântico (Explicativo-conclusivo, Equivale a "isto é", "ou seja"); Substituição correta ("ou seja" (explicação)); Substituições que alteram o sentido ("por exemplo" (exemplificação), "entretanto" (oposição), "além disso" (adição), "por que" (pergunta/causa))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“o ônus de criar instrumentos seguros de uso dessas tecnologias deveria recair sobre as empresas que constroem e implantam sistemas generativos, ou seja, os construtores desses sistemas deveriam ser responsabilizados pelos resultados produzidos por seus produtos.”

A substituição mantém a relação de explicação: a segunda oração reformula a primeira, deixando claro que “recair sobre as empresas” equivale a “os construtores serem responsabilizados”. Gramaticalmente, “ou seja” é um conectivo que pode iniciar oração com verbo no indicativo, sem exigir mudança de estrutura. Sentido e correção preservados.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“o ônus de criar instrumentos seguros ... deveria recair sobre as empresas ... por exemplo, os construtores ... deveriam ser responsabilizados ...”

“Por exemplo” introduz uma exemplificação, mas o trecho não dá um exemplo; ele explica a consequência. A troca altera o sentido, pois sugere que a responsabilização é apenas um caso ilustrativo, e não a decorrência lógica. Erro: troca de valor semântico (explicação → exemplificação).

Alternativa C — ❌ Incorreta

“... entretanto, os construtores ... deveriam ser responsabilizados ...”

“Entretanto” é um conectivo adversativo (oposição). O trecho não expressa oposição; ao contrário, a segunda oração confirma e explicita a primeira. A troca inverte a relação lógica, criando uma ideia de contraste que não existe no original. Erro: contradiz a relação de explicação (introduz oposição).

Alternativa D — ❌ Incorreta

“... além disso, os construtores ... deveriam ser responsabilizados ...”

“Além disso” é um conectivo aditivo (soma de argumentos). O trecho não acrescenta uma ideia nova; ele explica a anterior. A troca altera o sentido, pois sugere que a responsabilização é uma informação adicional, e não a consequência lógica. Erro: troca de valor semântico (explicação → adição).

Alternativa E — ❌ Incorreta

“... por que os construtores ... deveriam ser responsabilizados ...”

“Por que” (separado, sem acento) é usado em perguntas (diretas ou indiretas) ou como preposição + pronome relativo (equivalente a “pelo qual”). No trecho, não há pergunta nem ideia de causa/motivo; a oração é uma explicação. Além disso, a construção ficaria agramatical: “o ônus ... deveria recair ... por que os construtores ...” não faz sentido. Erro: uso inadequado do “por que” (não é conectivo explicativo aqui).

Fechamento

A regra de ouro: antes de substituir um conectivo, identifique a relação semântica que ele estabelece. “O que significa que” é explicativo-conclusivo; apenas “ou seja” mantém esse valor. As demais alternativas trocam a relação por exemplificação, oposição, adição ou causa — todas alteram o sentido e, em alguns casos, a gramática.

Gabarito: letra A.

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