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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce396789
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE RO
Ano
2023
Cargo
Ana ( )

No Brasil os nomes das línguas correspondem, na maioria dos casos, aos nomes atribuídos aos respectivos povos: por exemplo, o povo xavante fala a língua xavante. São raros os casos em que se fixou, na literatura especializada ou no uso geral, um nome distinto para a língua. Há o povo fulniô, cuja língua é o iatê.

 

Existem, nestes primeiros anos do século XXI, vários povos bilíngues que convivem com a língua indígena e a portuguesa, mas em outros o português predomina como língua materna das crianças. Ainda se tem muito pouco conhecimento de situações específicas de bilinguismo com o português, e será muito difícil para o recenseador obter informação fidedigna: a informação será mais confiável se obtida dos pais; menos confiável quando for proveniente de líderes ou de administradores; e menos segura ainda no caso de ser obtida por amostragem.

 

Há relatos de povos com população considerável distribuída por diversas aldeias. Por outro lado, a situação de uso da língua portuguesa pode variar consideravelmente de uma aldeia para outra, como no caso dos bororos, em Mato Grosso, ou dos baniuas, no Amazonas.

 

Existem casos de bilinguismo ou de multilinguismo com duas ou mais línguas indígenas faladas pelas mesmas pessoas, como acontece entre os vários povos da família linguística (e cultural) tucano, a noroeste do Amazonas: atualmente estão presentes o português e(ou) o espanhol, além da língua geral amazônica. Por outro lado, conhece-se pouco acerca do grau de presença dessas diversas línguas nas respectivas comunidades.

 

Uma situação única, característica hoje da região do alto rio Negro e seus afluentes, é a persistência do uso da língua geral amazônica (também conhecida como nheengatu), que se concebe hoje como língua franca de comunicação entre grande parte dos indígenas dessa comunidade com os de outra etnia. Contudo, converteu-se na língua materna do grande povo baré (com cerca de 10.300 pessoas), nos municípios de São Gabriel da Cachoeira e de Santa Isabel do Rio Negro; também o é de grande parte do povo baniua, situado no baixo rio Içana e no médio rio Negro (município de São Gabriel da Cachoeira).

 

Aryon Dall’Igna Rodrigues. Línguas indígenas brasileiras. Brasília: Laboratório de Línguas Indígenas da UnB, 2013 (com adaptações).

Texto CG1A1-I

   

Cada uma das opções a seguir apresenta uma proposta de reescrita na qual são unidos o segundo e o terceiro períodos do primeiro parágrafo do texto CG1A1-I. Assinale a opção em que a proposta apresentada é gramaticalmente correta e coerente com as ideias do texto.

  1. ASão raros os casos em que se fixou, na literatura especializada ou no uso geral, um nome distinto para a língua, como é a situação do povo fulniô, cuja língua é o iatê.
  2. BSão raros os casos em que se fixou, na literatura especializada ou no uso geral, um nome distinto para a língua, havendo, entretanto o caso do povo fulniô cuja língua é chamada iatê.
  3. CSão raros os casos em que se fixou, na literatura especializada ou no uso geral, um nome distinto para a língua: à exemplo do povo fulniô, cuja língua chama-se o iatê.
  4. DSão raros os casos em que se fixou, na literatura especializada ou no uso geral, um nome distinto para a língua, portanto temos o caso do povo fulniô, cuja língua é iatê.
  5. ESão raros os casos em que se fixou, na literatura especializada ou no uso geral, um nome distinto para a língua, uma vez que temos o povo fulniô, cuja língua é iatê.
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GabaritoA — São raros os casos em que se fixou, na literatura especializada ou no uso geral, um nome distinto para a língua, como é a situação do povo fulniô, cuja língua é o iatê.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frases: unindo períodos com correção e coerência

Gabarito: letra A. A única reescrita gramaticalmente correta e coerente com o texto é a que usa a conjunção "como" para introduzir um exemplo (o caso do povo fulniô), mantendo a relação de sentido do original: o texto afirma que são raros os casos de nome distinto para a língua e, em seguida, cita o fulniô como exemplo dessa raridade. As demais opções falham por erro de crase, pontuação ou por usar conectivos que estabelecem relação lógica inadequada (causa/conclusão) entre as ideias.

O comando pede uma reescrita que una o segundo e o terceiro períodos do primeiro parágrafo, sendo gramaticalmente correta e coerente com as ideias do texto. Isso significa que a resposta deve: (1) respeitar a norma culta (crase, pontuação, concordância, regência); (2) preservar o sentido original, especialmente a relação lógica entre as duas informações — a raridade de nomes distintos e o exemplo do povo fulniô.

No texto original, lê-se:

"São raros os casos em que se fixou, na literatura especializada ou no uso geral, um nome distinto para a língua. Há o povo fulniô, cuja língua é o iatê."

A relação entre os dois períodos é de exemplificação: o segundo período apresenta um caso concreto que ilustra a afirmação do primeiro. Portanto, o conectivo adequado é o que introduz exemplo, como "como" (opção A) ou "a exemplo de" (que apareceria em uma redação alternativa). Conectivos como "portanto" (conclusão) ou "uma vez que" (causa) alteram a relação lógica, tornando a reescrita incoerente.

A técnica para resolver: teste cada opção substituindo o conectivo e verifique se a relação lógica entre as orações permanece a mesma do texto original. Se o conectivo introduz causa, conclusão ou oposição onde o texto traz exemplo, a opção está errada, ainda que gramaticalmente correta.

  1. 1Identificar a relação lógica
  2. 2Testar o conectivo
  3. 3Verificar a gramática
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"São raros os casos em que se fixou, na literatura especializada ou no uso geral, um nome distinto para a língua, como é a situação do povo fulniô, cuja língua é o iatê."

A conjunção "como" introduz uma comparação/exemplificação, exatamente a relação presente no texto: o caso do povo fulniô é um exemplo da raridade de nomes distintos. A pontuação está correta (vírgula antes de "como"), a crase não é necessária (não há "à" antes de "exemplo"), e a estrutura "cuja língua é o iatê" está gramaticalmente perfeita. Coerente e correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"...havendo, entretanto o caso do povo fulniô cuja língua é chamada iatê."

Erro de pontuação: falta vírgula após "entretanto" (deveria ser "havendo, entretanto, o caso..."). Além disso, o uso de "entretanto" (concessão/oposição) não é adequado, pois o texto não apresenta oposição, mas exemplo. Erro: pontuação e conectivo inadequado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"...: à exemplo do povo fulniô, cuja língua chama-se o iatê."

Erro de crase: antes de palavra masculina ("exemplo") não há crase; o correto é "a exemplo de". Além disso, "chama-se o iatê" é construção inadequada — o verbo "chamar-se" não pede artigo definido antes do nome; o correto é "chama-se iatê". Erro: crase indevida e regência verbal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"...portanto temos o caso do povo fulniô, cuja língua é iatê."

Erro de coerência: "portanto" indica conclusão, mas a relação entre as ideias é de exemplificação. O texto não conclui que há o caso do fulniô a partir da raridade; ele o apresenta como exemplo. Erro: conectivo com valor semântico inadequado (conclusão em vez de exemplo).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"...uma vez que temos o povo fulniô, cuja língua é iatê."

Erro de coerência: "uma vez que" indica causa, mas o caso do fulniô não é a causa da raridade; é um exemplo dela. Erro: conectivo com valor semântico inadequado (causa em vez de exemplo).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca de conectivos que alteram a relação lógica (causa, conclusão) e erros gramaticais sutis (crase, pontuação). A opção A é a única que mantém o sentido de exemplificação com correção plena.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, identifique primeiro a relação lógica entre as ideias (exemplo, causa, conclusão, oposição) e depois verifique a gramática (crase, pontuação, regência). Conectivo errado derruba a opção, mesmo que a gramática esteja correta.

Gabarito: letra A.

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