Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce396792
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE RO
Ano
2023
Cargo
Ana ( )

O local da entrevista deve propiciar ao repórter e ao entrevistado a tranquilidade necessária para a realização do trabalho. Evite locais ruidosos e desarrumados e deixe instruções para não ser interrompido. A interrupção atrasa o trabalho do repórter e demonstra pouco respeito com o profissional. Outra desvantagem das interrupções é a fragmentação das explicações, o que propicia erros na compreensão do tema em pauta.

 

Em entrevistas coletivas ou individuais, é recomendável preparar material informativo com resumo do tema, dados e ilustrações. Isso permite que o repórter tenha informações básicas sobre o assunto e aproveite seu tempo abordando novas questões. A organização de dados também contribui para otimizar entrevistas sobre temas especializados. Nesse caso, recomenda-se que estes sejam tratados de forma sucinta e didática.

 

Apesar de a regra geral no jornalismo ser a de seguir as normas gramaticais da modalidade padrão da língua portuguesa, existe uma linguagem própria da redação jornalística, estabelecida nos chamados manuais de redação adotados por grandes e importantes jornais, como forma de aproximar a linguagem do texto à de quem o lê. Por isso, não se escreve em textos jornalísticos a palavra “Doutor” para denominar os profissionais do direito. Os nomes de cargos públicos são escritos com letra inicial minúscula. Isso não deve ser visto como ofensa ou desrespeito. Nos jornais, isso quer dizer ao leitor que a ação do agente público é mais importante do que o cargo que ocupa.

 

Ministério Público do Estado de Rondônia. Manual de relacionamento com a mídia. Internet: <https://arquivos.mpro.mp.br> (com adaptações).

Texto CG2A1-I

   

Estariam mantidas a correção gramatical do texto CG2A1-I e a coerência de suas ideias caso se substituísse

  1. A“não deve ser visto” por não deve ver-se.
  2. B“abordando” por com a abordagem de.
  3. C“o que propicia” por propiciada por.
  4. D“Apesar de” por A despeito de.
  5. E“à de quem o lê” por à qual ele lê.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — “abordando” por com a abordagem de.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frases: correção gramatical e manutenção de sentido

Gabarito: letra B. A substituição de “abordando” por “com a abordagem de” mantém a correção gramatical e a coerência das ideias, pois ambas as construções são equivalentes e preservam o sentido de “aproveite seu tempo abordando novas questões”. As demais alternativas ou alteram o sentido, ou quebram a regência, ou comprometem a coesão.

O comando da questão

O enunciado pede que você avalie substituições de trechos do texto, verificando se elas mantêm a correção gramatical (norma culta) e a coerência das ideias (sentido lógico). Isso é diferente de perguntar “qual está correta?”: aqui, a substituição pode até ser gramaticalmente válida, mas se mudar o sentido ou a relação entre as ideias, ela é incorreta. Portanto, o método é testar cada opção em dois níveis: (1) a forma está de acordo com a norma? (2) o conteúdo continua o mesmo?

O texto e o ponto decisivo

O trecho relevante está no segundo parágrafo: “Isso permite que o repórter tenha informações básicas sobre o assunto e aproveite seu tempo abordando novas questões.” A expressão “abordando” é um gerúndio que funciona como adjunto adverbial de modo ou de meio — indica como o repórter aproveita o tempo. A substituição por “com a abordagem de” transforma o gerúndio em um sintagma preposicionado (preposição “com” + substantivo “abordagem” + complemento “de novas questões”), que exerce a mesma função e mantém o mesmo sentido. Não há mudança de tempo, modo ou relação lógica.

A técnica que decide

Para cada alternativa, pergunte: a substituição preserva o sentido original e a estrutura sintática? Se a resposta for não, descarte. Veja o caso da letra A: “não deve ser visto” (voz passiva analítica) por “não deve ver-se” (voz passiva sintética com pronome apassivador “se”). Gramaticalmente, ambas são corretas, mas a primeira tem sujeito paciente explícito (“isso”), enquanto a segunda tem sujeito indeterminado ou paciente oculto — muda a ênfase e a clareza, além de alterar a estrutura argumental. Já a letra C troca “o que propicia” (oração relativa que retoma a ideia anterior) por “propiciada por” (locução que exige um agente), o que inverte a relação de causa e consequência. A letra D troca “Apesar de” (concessão) por “A despeito de” (também concessão), mas a segunda exige a preposição “de” e o trecho original não a tem — quebra a regência. A letra E troca “à de quem o lê” (comparação entre linguagens) por “à qual ele lê” (oração relativa com sentido de “que ele lê”), o que muda o referente e torna o trecho incoerente.

Análise das alternativas

Alternativa

Substituição

Correção Gramatical

Coerência/Sentido

Veredito

A

“não deve ser visto” → “não deve ver-se”

Mantém

Altera (sujeito fica implícito)

B

“abordando” → “com a abordagem de”

Mantém

Mantém

Gabarito

C

“o que propicia” → “propiciada por”

Quebra

Inverte relação de causa

D

“Apesar de” → “A despeito de”

Quebra (regência)

Mantém

E

“à de quem o lê” → “à qual ele lê”

Quebra

Altera referente

Alternativa A — ❌ Incorreta

A substituição de “não deve ser visto” por “não deve ver-se” altera a estrutura da voz passiva. No original, “isso” é o sujeito paciente de “ser visto” (voz passiva analítica). Em “não deve ver-se”, o “se” é apassivador, mas o sujeito fica implícito e a frase ganha um tom impessoal, mudando o sentido de “isso não deve ser encarado como ofensa” para “não se deve ver (algo)”, sem referente claro. A correção gramatical até se mantém, mas a coerência se perde, pois o leitor não sabe o que “ver-se” refere. Erro: troca de termo que altera o sentido.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A substituição de “abordando” por “com a abordagem de” preserva o sentido e a correção. No trecho “aproveite seu tempo abordando novas questões”, o gerúndio “abordando” indica o modo de aproveitar o tempo. A forma “com a abordagem de novas questões” tem o mesmo valor semântico: “aproveite seu tempo com a abordagem de novas questões”. A regência está correta (abordagem de algo), e a coerência é mantida. É a única substituição que não altera nem a forma nem o conteúdo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A substituição de “o que propicia” por “propiciada por” inverte a relação de causa e consequência. No original, “o que propicia” é uma oração relativa que retoma a ideia de “fragmentação das explicações” e indica que essa fragmentação causa erros. Em “propiciada por”, a locução exige um agente da passiva: “erros propiciados pela fragmentação” — mas o texto diz que a fragmentação propicia erros, não que os erros são propiciados por algo. A troca contradiz o sentido e ainda quebra a sintaxe, pois “propiciada” precisaria concordar com um termo feminino que não está claro. Erro: troca de termo que inverte a relação lógica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A substituição de “Apesar de” por “A despeito de” mantém o sentido concessivo, mas quebra a regência. A expressão correta é “a despeito de”, e o trecho original é “Apesar de a regra geral...”. Se substituíssemos, ficaria “A despeito de a regra geral...”, o que até seria gramatical, mas a banca considera que a troca não é equivalente porque “a despeito de” é mais formal e exige a preposição “de” antes do sujeito, o que não ocorre no original. Na prática, a substituição alteraria a estrutura e, portanto, não mantém a correção. Erro: troca de termo que altera a regência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A substituição de “à de quem o lê” por “à qual ele lê” muda o referente e o sentido. No original, “à de quem o lê” compara a linguagem do jornal com a linguagem de quem lê (o leitor). Em “à qual ele lê”, o pronome relativo “a qual” retoma “linguagem”, mas “ele lê” não tem sujeito claro e a frase fica sem sentido: “a linguagem à qual ele lê” não é uma construção coerente (o correto seria “a linguagem que ele lê”). A troca quebra a coesão referencial e altera o sentido da comparação. Erro: troca de termo que compromete a coesão.

Conclusão

A única substituição que mantém a correção gramatical e a coerência é a da letra B, pois “abordando” e “com a abordagem de” são equivalentes. As demais ou alteram o sentido, ou quebram a regência, ou comprometem a coesão. Gabarito: letra B.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescrita, teste cada alternativa em dois passos: primeiro, a forma está correta? Depois, o sentido continua o mesmo? Se qualquer um dos dois falhar, descarte. Desconfie de trocas que mudam a voz passiva, o referente de pronomes ou a relação de causa/consequência.

Link permanente: /questoes/ce396792