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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce396847
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2023
Cargo
Vest ( )

O conhecimento indígena contém entendimentos dinâmicos e holísticos da administração e do mundo. Subestimado e descartado no século passado, o conhecimento indígena está sendo cada vez mais documentado e reconhecido como a chave para enfrentar os muitos desafios que os humanos enfrentam hoje, incluindo-se a adaptação sustentável às mudanças no clima.

 

É preciso que dialoguemos com os povos indígenas para desenvolver parcerias sustentáveis e assumir papéis ativos no discurso global sobre resiliência climática. Precisamos de políticas que envolvam os povos indígenas nos esforços locais e globais de conservação da biodiversidade.

 

Jovens membros de comunidades indígenas, em particular, desempenham papéis cruciais na ligação entre as gerações mais velhas e futuras e estão bem-posicionados para combinar o conhecimento indígena com tecnologias e práticas modernas. Por exemplo, eles tiveram papéis importantes durante a pandemia de covid-19, muitas vezes assumindo a liderança para garantir a segurança alimentar de suas comunidades.

 

Embora o conhecimento indígena seja frequentemente transmitido por meio de tradições orais, a literatura escrita pode fornecer outro meio de transmissão. Lights of Okhotsk, uma autobiografia em japonês de Ainu Elder Yoko Abe, de Sakhalin, uma ilha russa ao norte do Japão, inclui fotografias, ilustrações detalhadas e poesia, bem como seções sobre práticas tradicionais ao longo das estações. Abe descreve, por exemplo, os alimentos em conserva (arenque seco, bacalhau com açafrão e ovas de arenque) consumidos no inverno e os calçados de pele de peixe usados por seu avô nessa época do ano; a pesca no outono; o modo de fazer suco com seiva de árvore no verão e de colher plantas silvestres na primavera. Livros como esse podem servir de grande recurso para práticas de adaptação ao clima e atingir as gerações mais jovens, algumas das quais ainda não aprenderam sobre sua herança.

 

Internet: <ecycle.com.br> (com adaptações).

Considerando as ideias do texto anterior e seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.

 

A correção e a coesão do texto seriam mantidas caso, no segundo parágrafo, o ponto final que encerra o primeiro período fosse substituído pelo sinal de dois-pontos, desde que alterada para minúscula a letra inicial da palavra “Precisamos” — (...) climática: precisamos (...).

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição do ponto final por dois-pontos — altera a relação de sentido

Gabarito: ERRADO. A substituição do ponto final por dois-pontos no segundo parágrafo não mantém a correção e a coesão do texto, pois altera a relação lógica entre as orações: o ponto final estabelece uma relação de causa-consequência (a necessidade de diálogo leva à necessidade de políticas), enquanto os dois-pontos introduziriam uma explicação ou especificação do que foi dito antes, o que não corresponde ao sentido original. A passagem que ancora essa análise é o trecho do segundo parágrafo: "É preciso que dialoguemos com os povos indígenas para desenvolver parcerias sustentáveis e assumir papéis ativos no discurso global sobre resiliência climática. Precisamos de políticas que envolvam os povos indígenas nos esforços locais e globais de conservação da biodiversidade."

O comando da questão

A questão pede que você julgue se a reescrita proposta mantém a correção e a coesão do texto. Isso é diferente de perguntar se a reescrita é gramaticalmente possível. O foco está em preservar o sentido original e a relação lógica entre as ideias. Quando a banca fala em "correção e coesão", ela quer saber se a mudança de pontuação não quebra a lógica do texto e não cria um novo sentido que não existia antes.

O texto e a relação entre as frases

No segundo parágrafo, o autor apresenta duas ideias:

  1. É preciso dialogar com os povos indígenas para desenvolver parcerias sustentáveis e assumir papéis ativos no discurso global sobre resiliência climática.

  2. Precisamos de políticas que envolvam os povos indígenas nos esforços de conservação da biodiversidade.

A relação entre essas duas frases é de causa e consequência: o diálogo (primeira frase) é o meio para alcançar as políticas (segunda frase). O ponto final separa as duas orações, mas a relação lógica permanece implícita: o diálogo é necessário para que possamos ter políticas. Essa relação é típica de uma sequência argumentativa em que uma ideia decorre da outra.

A técnica: o que os dois-pontos fazem

Os dois-pontos têm várias funções, mas a mais comum é introduzir uma explicação, uma enumeração, uma citação ou um esclarecimento do que foi dito antes. Por exemplo:

  • "Ele tinha um sonho: ser médico." (os dois-pontos introduzem a especificação do sonho)

  • "Comprei três coisas: pão, queijo e vinho." (enumeração)

No texto, se substituíssemos o ponto final por dois-pontos, teríamos:

"É preciso que dialoguemos com os povos indígenas para desenvolver parcerias sustentáveis e assumir papéis ativos no discurso global sobre resiliência climática: precisamos de políticas que envolvam os povos indígenas nos esforços locais e globais de conservação da biodiversidade."

Nessa nova versão, os dois-pontos fariam a segunda oração funcionar como uma explicação da primeira. Mas isso não é o que o texto original faz: a segunda oração não explica o que é "dialogar", ela apresenta uma consequência ou complemento da ação de dialogar. A relação de causa-consequência se perde, e o texto passa a sugerir que "precisamos de políticas" é uma mera explicação do que significa dialogar, o que não é o sentido original.

Por que a alternativa está errada

A alternativa afirma que a correção e a coesão seriam mantidas. Isso é falso por dois motivos:

  1. Alteração de sentido: a relação de causa-consequência é substituída por uma relação de explicação, mudando a lógica argumentativa.

  2. Quebra de coesão: a coesão sequencial depende do conectivo lógico implícito (a relação de causa). Os dois-pontos não expressam essa relação; eles expressam outra.

Portanto, a reescrita não mantém a correção e a coesão, pois altera o sentido original.

Alternativa C — ❌ Incorreta (mas é o gabarito? Não, o gabarito é E)

A alternativa C afirma que a reescrita está correta. Isso é falso pelos motivos expostos acima. A banca pede para julgar se a afirmação é certa ou errada; como a afirmação é falsa, a alternativa C (Certo) está incorreta.

Alternativa E — ✅ Correta (gabarito)

A alternativa E afirma que a reescrita está errada. Isso é verdadeiro, pois a substituição do ponto final por dois-pontos altera a relação de sentido e, portanto, não mantém a correção e a coesão. O gabarito é a letra E.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre dois-pontos explicativos e a relação de causa-consequência. Muitos candidatos acham que qualquer pontuação que una duas orações é válida, mas a pontuação carrega sentido. Aqui, o ponto final marca uma sequência lógica (causa → consequência), enquanto os dois-pontos marcariam uma explicação, o que não é o caso.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar reescritas com mudança de pontuação, pergunte-se: "que relação lógica o sinal original estabelece?" e "que relação o novo sinal estabeleceria?". Se forem diferentes, a reescrita altera o sentido e, portanto, não mantém a coesão.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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