Questão de Biologia — Imunizações, Soros e Vacinas — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce398793
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INPI
- Ano
- 2024
- Cargo
- PPI ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ❌ ERRADO. A afirmativa está incorreta porque as vacinas de antígenos recombinantes são produzidas por engenharia genética, inserindo o gene que codifica um antígeno proteico específico em um organismo hospedeiro (como leveduras ou bactérias), que passa a produzi-lo em larga escala. O que o item descreve — antígenos polissacarídicos da cápsula bacteriana fusionados com antígenos proteicos — corresponde às vacinas conjugadas, uma categoria distinta de imunobiológicos.
Para entender a diferença, é preciso primeiro compreender o que são as vacinas de macromoléculas. Elas são formulações que utilizam moléculas derivadas de microrganismos, mas não o microrganismo inteiro. Dentro dessa categoria, existem vários tipos: as vacinas de subunidades (que usam apenas fragmentos do patógeno, como proteínas ou polissacarídeos), as vacinas de toxoides (toxinas inativadas), as vacinas conjugadas e as vacinas recombinantes.
As vacinas recombinantes são um tipo específico de vacina de subunidades, produzidas por técnicas de DNA recombinante. O processo envolve identificar o gene que codifica um antígeno proteico importante do patógeno, isolá-lo e inseri-lo em um organismo de produção (como a levedura Saccharomyces cerevisiae ou células de mamíferos). Esse organismo então expressa a proteína, que é purificada e utilizada na vacina. Um exemplo clássico é a vacina contra hepatite B, que usa o antígeno de superfície do vírus (HBsAg) produzido por leveduras recombinantes. Outro exemplo é a vacina contra o HPV, que utiliza a proteína L1 do capsídeo viral.
Já as vacinas conjugadas são aquelas em que um polissacarídeo (açúcar) da cápsula bacteriana é quimicamente ligado (conjugado) a uma proteína carreadora. Essa estratégia é usada porque polissacarídeos puros são antígenos T-independentes, ou seja, não induzem memória imunológica robusta em crianças pequenas. Ao conjugar o polissacarídeo a uma proteína, a resposta passa a ser T-dependente, gerando memória imunológica. Exemplos incluem as vacinas contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib), pneumococo e meningococo.
A pegadinha da questão está exatamente na troca dos termos: o item descreve corretamente a estrutura das vacinas conjugadas, mas as atribui erroneamente às vacinas recombinantes. É uma inversão clássica de conceitos que a banca explora para confundir o candidato.
A banca troca os conceitos de vacinas recombinantes e conjugadas. Nas recombinantes, o antígeno é uma proteína produzida por engenharia genética; nas conjugadas, há a fusão química de um polissacarídeo com uma proteína carreadora. O item descreve a segunda, mas a rotula como a primeira.
O erro está na definição apresentada. A afirmativa diz que "as vacinas de antígenos recombinantes utilizam os antígenos polissacarídicos da cápsula bacteriana fusionados com antígenos proteicos". Isso é incorreto por dois motivos:
Vacinas recombinantes utilizam antígenos proteicos produzidos por engenharia genética, não polissacarídeos. O gene que codifica a proteína antigênica é inserido em um organismo hospedeiro que a expressa em grande quantidade.
A descrição de "antígenos polissacarídicos fusionados com antígenos proteicos" corresponde às vacinas conjugadas, que são uma categoria diferente de imunobiológicos.
Portanto, a afirmativa está errada por confundir dois tipos distintos de vacinas de macromoléculas.
Gabarito: ❌ ERRADO.
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