Questão de Biologia — Genômica e Sequenciamento de DNA — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce398799
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- CTI
- Ano
- 2024
- Cargo
- Pesq Ass ( )

- CCerto
- EErrado

GabaritoE — Errado
Gabarito: ❌ ERRADO. O ensaio do cometa (eletroforese em gel de células únicas) não é aplicado exclusivamente em células em proliferação — ele pode ser realizado em qualquer tipo de célula nucleada, incluindo células circulantes como linfócitos do sangue periférico. A afirmação erra ao restringir a técnica a células em proliferação e ao afirmar que eritrócitos não podem ser avaliados, o que é verdadeiro apenas porque eritrócitos maduros não possuem núcleo (e, portanto, não têm DNA para ser analisado), mas não por uma limitação da técnica em si.
O ensaio do cometa, também chamado de eletroforese em gel de células únicas (SCGE, do inglês single cell gel electrophoresis), é uma técnica de biologia molecular utilizada para detectar danos no DNA, especialmente quebras de fita simples e dupla, em células individuais. O princípio é relativamente simples: células são embebidas em agarose, lisadas para remover membranas e proteínas, e submetidas a eletroforese em condições alcalinas ou neutras. O DNA danificado migra em direção ao ânodo, formando uma "cauda" que se assemelha a um cometa — daí o nome. Quanto maior o dano, mais extensa é a cauda. A técnica é amplamente utilizada em estudos de genotoxicidade, biomonitoramento ambiental, avaliação de exposição ocupacional a agentes mutagênicos e pesquisa em reparo de DNA.
Uma das grandes vantagens do ensaio do cometa é sua versatilidade: ele pode ser aplicado a praticamente qualquer tipo de célula nucleada, desde que seja possível obter uma suspensão celular. Isso inclui células em cultura (em proliferação ou não), células de tecidos sólidos (após dissociação), e células circulantes, como linfócitos do sangue periférico. Na prática, os linfócitos são uma das amostras mais comuns em estudos de biomonitoramento humano, justamente por serem facilmente obtidos por punção venosa e por refletirem a exposição sistêmica a agentes genotóxicos. Portanto, a afirmação de que a técnica é "exclusivamente" para células em proliferação é duplamente incorreta: primeiro, porque células quiescentes (em G0) também podem ser analisadas; segundo, porque a proliferação não é um requisito para a detecção de danos no DNA.
A exceção mencionada na afirmativa — os eritrócitos — merece uma análise cuidadosa. Eritrócitos maduros de mamíferos são anucleados: durante a eritropoiese, o núcleo é expulso da célula. Consequentemente, eles não possuem DNA genômico, e o ensaio do cometa, que depende da presença de DNA, não pode ser aplicado a essas células. No entanto, isso não é uma limitação da técnica, mas sim uma característica biológica dos eritrócitos. Em contraste, eritrócitos de aves, répteis e anfíbios são nucleados e, portanto, poderiam, em tese, ser avaliados pelo ensaio do cometa. A afirmativa, ao dizer que "não é possível a avaliação de células circulantes, como eritrócitos", confunde a impossibilidade específica dos eritrócitos maduros de mamíferos (por falta de núcleo) com uma suposta limitação geral da técnica para células circulantes — o que é falso, pois linfócitos circulantes são perfeitamente avaliáveis.
A banca explora aqui uma pegadinha clássica: o candidato pode associar "células circulantes" a "eritrócitos" e concluir que a técnica não se aplica a elas, sem perceber que a razão da impossibilidade é a ausência de núcleo, não a natureza circulante. Além disso, a palavra "exclusivamente" é um sinal de alerta: técnicas de biologia molecular raramente são restritas a um único tipo celular, e o ensaio do cometa é notoriamente flexível. A distinção crucial é entre células nucleadas (que podem ser avaliadas) e células anucleadas (que não podem, por falta de DNA).
Guarde essa fronteira: o que decide a aplicabilidade do ensaio do cometa é a presença de núcleo/DNA, não o estado de proliferação nem a origem circulante ou tecidual da célula. É exatamente nesse critério que a afirmativa se divide — e é ele que você deve usar para julgar o item.
A afirmativa está incorreta por dois motivos principais. Primeiro, o ensaio do cometa não é restrito a células em proliferação; ele pode ser aplicado a qualquer célula nucleada, incluindo células quiescentes e células circulantes como linfócitos. Segundo, a impossibilidade de avaliar eritrócitos maduros de mamíferos decorre da ausência de núcleo (e, portanto, de DNA), não de uma limitação da técnica para células circulantes. A palavra "exclusivamente" é o termo que torna a afirmativa errada: a técnica é amplamente versátil e utilizada em diversos tipos celulares, desde que nucleados.
A banca tenta fazer você acreditar que "células circulantes" são inacessíveis à técnica, usando os eritrócitos como exemplo. Mas o que impede a análise dos eritrócitos maduros de mamíferos é a falta de núcleo — não a circulação. Linfócitos do sangue periférico são células circulantes e são, na prática, uma das amostras mais usadas no ensaio do cometa em estudos de biomonitoramento humano. Fique atento: quando a afirmativa traz "exclusivamente" ou "somente", desconfie — a regra geral é que a técnica se aplica a qualquer célula nucleada.
Gabarito: ❌ ERRADO.
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