Questão de Biologia — Genômica e Sequenciamento de DNA — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce398802
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- CTI
- Ano
- 2024
- Cargo
- Pesq Ass ( )

- CCerto
- EErrado

GabaritoC — Certo
Gabarito: ✅ CERTO. O teste do cometa (eletroforese em gel de células únicas) detecta especificamente quebras no DNA, sejam de fita simples ou dupla, e por isso não é o método indicado para avaliar citotoxicidade — que envolve morte celular ou alterações funcionais que podem ocorrer sem qualquer dano direto ao material genético. A afirmativa está correta ao reconhecer essa limitação do ensaio.
O ensaio do cometa, também chamado de eletroforese em gel de célula única (SCGE, do inglês single cell gel electrophoresis), é uma técnica de biologia molecular amplamente utilizada em toxicologia genética e biomonitoramento. O princípio é relativamente simples: células são embebidas em agarose, submetidas a lise para remover membranas e proteínas, e então passam por eletroforese em condições alcalinas ou neutras. O DNA intacto, por ser uma molécula grande e enrolada, permanece praticamente imóvel, formando o "núcleo" do cometa. Já fragmentos de DNA resultantes de quebras migram pelo gel em direção ao polo positivo, formando a "cauda" — quanto maior o dano, mais longa e intensa é a cauda. A imagem do cometa é então analisada por softwares que medem parâmetros como comprimento da cauda, porcentagem de DNA na cauda e momento da cauda (produto do comprimento pela intensidade).
A grande virtude do teste é sua sensibilidade para detectar danos genotóxicos — ou seja, lesões no DNA — de forma rápida, econômica e em pequenas quantidades de células. Ele é amplamente usado para avaliar a genotoxicidade de agentes químicos, radiação, poluentes ambientais e até mesmo para biomonitorar populações expostas ocupacionalmente. No entanto, é fundamental distinguir genotoxicidade de citotoxicidade. A genotoxicidade refere-se a alterações no material genético (quebras, adutos, mutações), enquanto a citotoxicidade refere-se a efeitos tóxicos que comprometem a viabilidade e as funções celulares — como danos à membrana, inibição de vias metabólicas, estresse oxidativo sem lesão direta ao DNA, ou indução de apoptose/necrose. Um agente pode ser citotóxico sem ser genotóxico: por exemplo, uma substância que inibe a síntese de ATP ou desestabiliza a membrana plasmática mata a célula sem necessariamente quebrar seu DNA. Por isso, o teste do cometa, que mede exclusivamente dano ao DNA, não é recomendado como único método para estudos de citotoxicidade — ele deve ser complementado por ensaios de viabilidade celular, como o MTT, exclusão por azul de tripano ou ensaios de liberação de LDH.
A pegadinha que a banca explora aqui é justamente a confusão entre os dois conceitos: o candidato pode achar que, por detectar dano celular, o teste do cometa serve para avaliar citotoxicidade. Mas a afirmativa é precisa ao apontar que mecanismos citotóxicos podem envolver alterações funcionais sem dano direto ao DNA — exatamente o cenário em que o cometa não seria útil. Guarde a fronteira: genotoxicidade = dano ao DNA (o cometa detecta); citotoxicidade = dano à célula (o cometa não detecta diretamente). É nessa distinção que o item se resolve.
A afirmativa está correta. O teste do cometa é um biomarcador de genotoxicidade, não de citotoxicidade. A justificativa apresentada no enunciado é tecnicamente precisa: mecanismos citotóxicos podem envolver alterações em funções celulares (como disfunção mitocondrial, estresse oxidativo, dano de membrana) sem causar danos diretos ao material genético. Nesses casos, o ensaio do cometa não detectaria o efeito tóxico, pois sua leitura depende exclusivamente da migração de fragmentos de DNA — ou seja, de lesões na molécula. Portanto, o teste não é recomendado como ferramenta isolada para estudos de citotoxicidade, devendo ser combinado com ensaios de viabilidade e função celular para uma avaliação toxicológica completa.
Na prova, quando o tema for o teste do cometa, lembre-se do par: genotoxicidade (dano ao DNA — o cometa detecta) × citotoxicidade (dano à célula — o cometa não detecta). Se a alternativa afirmar que o cometa serve para medir citotoxicidade, está errada. Associe o cometa a termos como "quebras de fita", "dano genotóxico", "biomonitoramento" e "genotoxicidade" — e reserve a citotoxicidade para ensaios de viabilidade (MTT, azul de tripano, LDH).
Gabarito: ✅ CERTO.
Link permanente: /questoes/ce398802