Questão de Biologia — Controle de Vetores e Zoonoses — CESPE / CEBRASPE 2024
Biologia›Controle de Vetores e Zoonoses
Código
ce398826
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Pref Cach Itapemirim
Ano
2024
Cargo
Bio ( )
Na atualidade, o Brasil está lutando contra a dengue em diversas frentes. Nesse sentido, uma técnica que já foi bastante usada é a liberação de machos estéreis no ambiente. Mais recentemente, cientistas brasileiros desenvolveram um inseticida capaz de matar a larva do mosquito a partir do óleo extraído da Xylopia ochrantha (Mart), da Família Annonaceae, que é uma planta nativa da Mata Atlântica. Por outro lado, o governo incluiua vacina contra a dengue no repertório de vacinas do SUS.
Internet: <metropoles.com> (com adaptações).
Com referência às informações do texto precedente, julgue o item que se segue.
Uma estratégia para a produção de machos estéreis do Aedes Aegypti é selecionar machos que tenham mutação em gene situado no cromossomo Y que leve ao bloqueio de espermatogênese e cruzá-los com fêmea com fertilidade no espectro da normalidade.
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Técnica do inseto estéril e genética do Aedes aegypti
Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque, no Aedes aegypti, a determinação sexual não segue o sistema XY como nos mamíferos; nesse mosquito, o sexo é definido por um alelo dominante no cromossomo homólogo (sistema M/m), e não há um cromossomo Y com genes de espermatogênese. Portanto, a estratégia descrita, de selecionar machos com mutação em gene no cromossomo Y, não se aplica a essa espécie.
A técnica do inseto estéril (TIE) é uma estratégia de controle de vetores que consiste em liberar machos esterilizados (por radiação ou mutação) para competir com os machos selvagens na cópula com fêmeas, resultando em ovos inviáveis e redução da população. No entanto, a base genética da determinação sexual no Aedes aegypti é diferente da dos mamíferos. Enquanto em humanos o sexo é determinado pelos cromossomos sexuais X e Y (sistema XY), no Aedes aegypti a determinação sexual é controlada por um alelo dominante (alelo M) localizado em um dos cromossomos homólogos (cromossomo 1), e o alelo recessivo (m) determina o sexo feminino. Assim, não existe um cromossomo Y distinto com genes específicos de espermatogênese, como proposto na afirmação.
A produção de machos estéreis pode ser feita por irradiação gama, que causa danos ao DNA das células germinativas, ou por técnicas de engenharia genética, como a inserção de genes que bloqueiam a espermatogênese. No entanto, essas mutações não estão localizadas em um cromossomo Y, pois ele não existe nessa espécie. A afirmação, portanto, contém um erro conceitual fundamental sobre a genética do mosquito.
A banca explora a confusão entre o sistema de determinação sexual dos mamíferos (XY) e o do Aedes aegypti (sistema M/m). O candidato que conhece a genética humana pode ser induzido a aceitar a afirmação, mas o conhecimento específico da biologia do vetor é essencial para responder corretamente.
Guarde a distinção entre os sistemas de determinação sexual: é exatamente nela que a questão se decide.
Determinação sexual
1Mamíferos (sistema XY)
Cromossomo Y distinto
Genes de espermatogênese
2Aedes aegypti (sistema M/m)
Alelo dominante M (macho)
Alelo recessivo m (fêmea)
Sem cromossomo Y
Sem genes Y de espermatogênese
3Técnica do inseto estéril (TIE)
Machos estéreis competem com selvagens
Ovos inviáveis
Métodos
Irradiação gama
Engenharia genética (genes autossômicos)
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Item — ❌ ERRADO
A afirmação está incorreta porque o Aedes aegypti não possui cromossomo Y. A determinação sexual nessa espécie é controlada por um alelo dominante (M) em um cromossomo autossômico, e não por cromossomos sexuais heteromórficos. Portanto, a estratégia de selecionar machos com mutação em gene no cromossomo Y para bloquear a espermatogênese é biologicamente impossível nessa espécie. A técnica do inseto estéril existe, mas é baseada em outros métodos, como irradiação ou mutações em genes autossômicos.