Questão de Biologia — Mecanismos de Herança Genética — CESPE / CEBRASPE 2024
Biologia›Mecanismos de Herança Genética
Código
ce398829
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Pref Cach Itapemirim
Ano
2024
Cargo
Bio ( )
Na atualidade, o Brasil está lutando contra a dengue em diversas frentes. Nesse sentido, uma técnica que já foi bastante usada é a liberação de machos estéreis no ambiente. Mais recentemente, cientistas brasileiros desenvolveram um inseticida capaz de matar a larva do mosquito a partir do óleo extraído da Xylopia ochrantha (Mart), da Família Annonaceae, que é uma planta nativa da Mata Atlântica. Por outro lado, o governo incluiua vacina contra a dengue no repertório de vacinas do SUS.
Internet: <metropoles.com> (com adaptações).
Com referência às informações do texto precedente, julgue o item que se segue.
Se um gene hipotético de Aedes aegypti apresentar dois alelos dos tipos de resistência a larvicida (R) e de suscetibilidade a larvicida (r), e se uma fêmea Rr se acasalar com um macho Rr, então 75% da prole desse casal terá ao menos um alelo de resistência a larvicida.
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GabaritoC — Certo
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Genética mendeliana: cruzamento entre heterozigotos
Gabarito: ✅ CERTO. O cruzamento entre dois indivíduos heterozigotos (Rr × Rr) produz, pela primeira lei de Mendel, a proporção genotípica 1 RR : 2 Rr : 1 rr — ou seja, 3 em cada 4 descendentes (75%) apresentam pelo menos um alelo dominante R, que confere resistência ao larvicida. A afirmativa está correta.
A questão cobra a aplicação direta da primeira lei de Mendel (lei da segregação dos fatores), também chamada de lei da pureza dos gametas. Essa lei estabelece que cada característica de um organismo é determinada por um par de fatores (alelos) que se separam na formação dos gametas, de modo que cada gameta carrega apenas um dos dois alelos. No cruzamento entre dois heterozigotos (Rr × Rr), cada genitor produz dois tipos de gametas em proporções iguais: 50% com o alelo R e 50% com o alelo r. A combinação aleatória desses gametas gera a prole com as seguintes proporções genotípicas: 25% RR (homozigoto dominante), 50% Rr (heterozigoto) e 25% rr (homozigoto recessivo).
Como o alelo R (resistência) é dominante sobre o alelo r (suscetibilidade), tanto os indivíduos RR quanto os Rr expressam o fenótipo resistente. Portanto, a proporção fenotípica é de 3:1 — 75% da prole terá resistência ao larvicida e 25% será suscetível. É importante notar que a proporção fenotípica de 3:1 só coincide com a proporção genotípica quando há dominância completa, como é o caso descrito no enunciado. Se houvesse dominância incompleta ou codominância, a proporção fenotípica seria 1:2:1, e a afirmativa estaria incorreta.
Um exemplo concreto ajuda a fixar: imagine que R represente o alelo que confere resistência ao larvicida e r o alelo que confere suscetibilidade. Ao cruzar uma fêmea Rr com um macho Rr, os possíveis genótipos da prole são RR, Rr, Rr e rr. Os três primeiros (RR e os dois Rr) possuem pelo menos um alelo R e, portanto, são resistentes. Apenas o genótipo rr é suscetível. Assim, a probabilidade de um descendente ser resistente é de 3/4, ou 75%.
A pegadinha que a banca poderia explorar é a confusão entre proporção genotípica e fenotípica. Em um cruzamento entre heterozigotos, a proporção genotípica é 1:2:1 (25% RR, 50% Rr, 25% rr), mas a proporção fenotípica, com dominância completa, é 3:1 (75% dominante, 25% recessivo). A questão pede exatamente a proporção de indivíduos com "ao menos um alelo de resistência", ou seja, a proporção fenotípica dominante, que é de 75%. Guarde essa distinção: genótipo ≠ fenótipo, e a proporção fenotípica depende do tipo de dominância.
NÃO CAIA NESSA!
A banca pode tentar confundir a proporção genotípica (1:2:1) com a fenotípica (3:1). A questão pede a proporção de indivíduos com "ao menos um alelo de resistência", o que corresponde ao fenótipo dominante (RR e Rr), não à proporção de heterozigotos (Rr) isoladamente. Fique atento: 75% é a proporção de indivíduos com fenótipo dominante, não a proporção de heterozigotos (que seria 50%).