Questão de Biologia — Biossegurança e Risco Biológico — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce398832
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Pref Cach Itapemirim
- Ano
- 2024
- Cargo
- Tec ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque as atividades não propagativas com SARS-CoV-2 (testes sorológicos, manipulação de vírus lisados, sequenciamento, testes de amplificação de ácidos nucleicos, etc.) não requerem estrutura NB3 — elas podem ser realizadas em NB2, desde que com precauções padrão e, quando houver risco de aerossóis, em cabine de segurança biológica. A exigência de NB3 se aplica a atividades propagativas (cultivo viral em larga escala), conforme as diretrizes de biossegurança para o manejo do SARS-CoV-2.
A biossegurança em laboratórios é organizada em quatro níveis (NB1 a NB4), cada um associado a uma classe de risco do agente biológico. O NB1 é para agentes de baixo risco (Classe de Risco 1), o NB2 para agentes de risco moderado (Classe de Risco 2), o NB3 para agentes de alto risco individual (Classe de Risco 3) e o NB4 para agentes de alto risco individual e comunitário (Classe de Risco 4). O SARS-CoV-2 é classificado como Classe de Risco 3, o que, em princípio, sugeriria NB3. No entanto, a classificação do nível de biossegurança não depende apenas do agente, mas também dos procedimentos realizados. Atividades que não envolvem propagação do vírus (como testes sorológicos, moleculares e manipulação de material não infeccioso) apresentam risco reduzido e podem ser conduzidas em NB2, com as devidas precauções. Por outro lado, atividades que envolvem cultivo viral em larga escala ou que geram aerossóis infecciosos exigem NB3.
Essa lógica é explicitada nas diretrizes de biossegurança: um agente de classe de risco 2 pode exigir NB3 se houver produção em larga escala, e um agente de classe de risco 3 pode ser manipulado em NB2 quando se trata de testes sorológicos e moleculares com uso adequado de EPIs e EPCs. O mesmo raciocínio se aplica ao SARS-CoV-2: as atividades não propagativas listadas na afirmativa (manipulação de soro, sangue, vírus lisados, sequenciamento, testes de amplificação) são de baixo risco e podem ser realizadas em NB2, com cabine de segurança biológica para procedimentos que possam gerar aerossóis. A afirmativa erra ao exigir NB3 para todas essas atividades, ignorando a distinção entre procedimentos propagativos e não propagativos.
A pegadinha da questão está em associar automaticamente o SARS-CoV-2 (Classe de Risco 3) ao NB3, sem considerar que o nível de contenção é definido pela combinação do agente com o tipo de procedimento. O candidato que conhece apenas a classificação do agente tende a marcar "Certo", mas a regra de biossegurança é mais flexível: atividades não propagativas com agentes de classe de risco 3 podem ser realizadas em NB2. É exatamente essa distinção que a banca explora.
Atividade com SARS-CoV-2 | Nível de Biossegurança Exigido | Justificativa |
|---|---|---|
Testes sorológicos, manipulação de vírus lisados, sequenciamento, testes de amplificação de ácidos nucleicos (não propagativas) | NB2 | Risco reduzido; precauções padrão e cabine de segurança biológica quando houver risco de aerossóis |
Cultivo viral em larga escala (propagativas) | NB3 | Alto risco de geração de aerossóis infecciosos e propagação do agente |
A afirmativa está errada porque exige estrutura NB3 para atividades não propagativas com SARS-CoV-2. As diretrizes de biossegurança estabelecem que testes sorológicos, moleculares e manipulação de material não infeccioso podem ser realizados em NB2, com precauções padrão e cabine de segurança biológica quando houver risco de aerossóis. O NB3 é reservado para atividades propagativas, como cultivo viral em larga escala. A afirmativa confunde a classe de risco do agente (3) com o nível de contenção necessário para procedimentos específicos, ignorando que o nível de biossegurança é determinado pela combinação do agente com o tipo de atividade.
Gabarito: ERRADO
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