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Questão de Biologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2024

BiologiaGeral
Código
ce398883
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2024
Cargo
Vest ( )

A inteligência artificial (IA) pode analisar grandes volumes de dados para a identificação de padrões genéticos para a detecção e tratamento de doenças; é capaz de analisar mutações e prever como elas afetam estruturas proteicas; pode auxiliar no design de proteínas sintéticas; pode modelar e prever interações complexas em redes biológicas, como redes de proteínas ou de genes, ajudando a entender melhor os mecanismos de doenças e desenvolvimento de novas terapias; permite a criação de modelos que podem simular processos biológicos, reduzindo a necessidade do uso de animais em laboratório; consegue criar e interpretar imagens de tecidos com alta resolução de forma autônoma; é capaz de fazer previsões de resistência bacteriana; é utilizada para monitorar populações de espécies ameaçadas e analisar grandes conjuntos de dados ambientais.


Com relação ao uso de IA no campo da biologia, julgue o item a seguir.

 

Mutações genéticas sempre resultam em uma proteína que é completa ou parcialmente não funcional, ou seja, que não funciona como deveria.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mutações genéticas e funcionalidade proteica

Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque generaliza indevidamente: nem toda mutação genética resulta em proteína não funcional — muitas mutações são silenciosas (não alteram a sequência de aminoácidos), outras são neutras (alteram a sequência, mas a proteína continua funcional) e algumas até conferem vantagem adaptativa. O erro está no advérbio "sempre", que transforma uma possibilidade em regra absoluta.

Para entender por que a afirmação é falsa, é preciso revisar o que é uma mutação e como ela afeta a proteína. Mutação é qualquer alteração na sequência de nucleotídeos do DNA. Essa alteração pode ocorrer por substituição, inserção ou deleção de bases. Quando a mutação ocorre em uma região codificante, ela pode alterar a sequência de aminoácidos da proteína — mas não necessariamente. O código genético é redundante (ou degenerado): vários códons diferentes codificam o mesmo aminoácido. Por isso, uma substituição de base pode não mudar o aminoácido produzido, resultando em uma mutação silenciosa.

Além disso, mesmo quando a mutação altera um aminoácido, a proteína pode continuar funcional. Isso acontece quando a substituição ocorre entre aminoácidos com propriedades químicas semelhantes (mutação conservativa) ou quando a alteração está em uma região da proteína que não é crítica para sua função. Um exemplo clássico é a variação na hemoglobina que causa anemia falciforme — mas essa é uma mutação que causa doença. Por outro lado, muitas variações genéticas humanas são neutras e não produzem fenótipos perceptíveis.

A banca explora exatamente a confusão entre "mutação" e "doença". No senso comum, mutação é associada a algo sempre prejudicial. Na biologia, porém, mutação é a matéria-prima da evolução: sem mutações, não haveria variabilidade genética, e a seleção natural não teria sobre o que atuar. Mutações podem ser neutras, benéficas ou deletérias — e a maioria das mutações em regiões não codificantes nem sequer afeta proteínas.

Guarde o critério decisivo: a palavra "sempre" é o gatilho da pegadinha. Quando uma afirmação usa termos absolutos como "sempre", "nunca", "todo", "nenhum", desconfie — a regra biológica quase sempre comporta exceções. É exatamente nesse ponto que a questão se resolve.

1Silenciosas
Não alteram aminoácido
Proteína idêntica e funcional
2Neutras
Alteram sequência
Proteína mantém função
3Benéficas
Vantagem adaptativa
4Deletérias
Prejudicam função proteica
Mutações genéticas
LEVELsoulevel.com.br
Mutações genéticas: Silenciosas (Não alteram aminoácido, Proteína idêntica e funcional); Neutras (Alteram sequência, Proteína mantém função); Benéficas (Vantagem adaptativa); Deletérias (Prejudicam função proteica)

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "mutações genéticas sempre resultam em uma proteína que é completa ou parcialmente não funcional". O erro está na palavra "sempre". Mutações podem ser:

  • Silenciosas: a substituição de base não altera o aminoácido devido à redundância do código genético — a proteína permanece idêntica e funcional.

  • Neutras: alteram a sequência de aminoácidos, mas a proteína mantém sua função normal.

  • Benéficas: conferem vantagem adaptativa, como a resistência à malária em heterozigotos para anemia falciforme.

  • Deletérias: prejudicam a função proteica — mas este é apenas um dos desfechos possíveis.

Portanto, a afirmação é falsa porque generaliza um desfecho possível como se fosse universal.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E (ERRADO) é a resposta correta. A afirmação do enunciado é falsa porque nem toda mutação resulta em proteína não funcional. O código genético é degenerado, o que permite que muitas mutações não alterem a proteína (silenciosas) ou alterem sem comprometer a função (neutras). A palavra "sempre" torna a afirmação incorreta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca usa o advérbio "sempre" para induzir o candidato a aceitar uma generalização. No senso comum, "mutação" é associada a algo ruim, mas na biologia a mutação é neutra em sua essência — o efeito depende do contexto. Quando a questão trouxer "sempre", "nunca", "todo" ou "nenhum", desconfie: a regra biológica quase sempre tem exceções. Neste caso, a exceção são as mutações silenciosas e neutras, que não comprometem a função proteica.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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