Questão de Biologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce398900
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- UnB
- Ano
- 2024
- Cargo
- Vest ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque a surdez não é sempre causada por fator genético — ela pode ter origem genética, congênita não hereditária ou adquirida (como infecções, traumas e exposição a ruídos) — e, mesmo quando é genética, não existe uma única condição genética, mas dezenas de genes e padrões de herança diferentes envolvidos.
A surdez é uma condição heterogênea, ou seja, pode ser causada por diversos fatores. Para entender por que a afirmação está errada, é preciso separar as causas em dois grandes grupos: genéticas e não genéticas. As causas genéticas correspondem a cerca de 50% a 60% dos casos de surdez congênita e podem ser classificadas em sindrômicas (quando a surdez vem acompanhada de outras alterações, como na síndrome de Usher ou de Waardenburg) e não sindrômicas (quando a surdez é a única manifestação). Já as causas não genéticas incluem infecções congênitas (como rubéola, citomegalovírus e toxoplasmose), complicações perinatais (como prematuridade e anóxia), uso de medicamentos ototóxicos, traumas e exposição prolongada a ruídos.
Mesmo dentro do grupo genético, não existe uma única condição. Estima-se que mais de 100 genes estejam associados à surdez não sindrômica, com padrões de herança distintos: autossômico recessivo (o mais comum, responsável por cerca de 80% dos casos não sindrômicos), autossômico dominante, ligado ao X e mitocondrial. O gene mais frequentemente envolvido na surdez recessiva é o GJB2, que codifica a proteína conexina 26, mas há muitos outros. Portanto, dizer que "todo indivíduo surdo tem a mesma condição genética" é um erro grave, pois desconsidera tanto a diversidade de genes quanto a existência de causas não genéticas.
A pegadinha da banca está em usar o termo "sempre" e "todo", que são generalizações absolutas. Na biologia, afirmações com esses termos quase sempre estão incorretas, pois a diversidade é a regra. Além disso, a questão mistura o aspecto biológico (genética da surdez) com o aspecto cultural (cultura surda), mas o item a ser julgado é exclusivamente sobre a causa da surdez, não sobre a cultura.
Para fixar: a surdez pode ser congênita (presente ao nascimento) ou adquirida (desenvolvida ao longo da vida). A congênita pode ser genética (hereditária ou por mutação nova) ou não genética (por infecções, drogas, etc.). A adquirida é sempre não genética, causada por fatores ambientais. Essa classificação é o critério decisivo para julgar o item.
A afirmação "A surdez é sempre causada por fator genético, portanto, todo indivíduo surdo tem a mesma condição genética" é falsa por dois motivos independentes:
Nem toda surdez é genética: há causas adquiridas (infecções como meningite e rubéola, traumas sonoros, uso de medicamentos ototóxicos, envelhecimento) e causas congênitas não hereditárias (como infecções congênitas e complicações no parto).
Mesmo a surdez genética não é uma condição única: existem dezenas de genes envolvidos, com diferentes padrões de herança (autossômico recessivo, dominante, ligado ao X, mitocondrial), além de formas sindrômicas e não sindrômicas.
Portanto, o item está ERRADO, pois generaliza indevidamente uma condição extremamente heterogênea.
A banca usa os termos absolutos "sempre" e "todo" para induzir o candidato a concordar com uma generalização. Na biologia, quando uma afirmação usa "sempre", "nunca", "todo" ou "nenhum", desconfie: a diversidade é a regra. Aqui, a pegadinha é dupla: primeiro, ignora as causas não genéticas; segundo, ignora a diversidade genética. Com treino, você aprende a identificar essas armadilhas de longe 💪.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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