Relações ecológicas: amensalismo e controle biológico
Gabarito: letra D. A interação descrita é o amensalismo, pois as toxinas Cry e Vip produzidas pelo Bacillus thuringiensis (Bt) causam a morte da larva de Spodoptera albula, prejudicando-a, enquanto a bactéria não é beneficiada nem prejudicada nessa relação — é uma relação ecológica interespecífica desarmônica em que uma espécie é inibida e a outra permanece indiferente.
O amensalismo é uma relação ecológica interespecífica desarmônica em que uma espécie (a amensal) é prejudicada ou inibida, enquanto a outra (a inibidora) não é afetada, nem positiva nem negativamente. No caso descrito, o Bacillus thuringiensis produz toxinas Cry e Vip que, ao serem ingeridas pela larva de S. albula, ligam-se a diferentes regiões do intestino e causam sua morte. A bactéria não obtém nenhum benefício direto dessa interação — ela não se alimenta da larva nem a utiliza como hospedeira —, apenas produz a toxina como parte de seu metabolismo. Portanto, a relação é de amensalismo: a bactéria inibe (mata) a larva sem ser afetada.
É importante distinguir o amensalismo de outras relações ecológicas interespecíficas desarmônicas:
Relação | Espécie 1 | Espécie 2 | Exemplo |
|---|
Amensalismo | Prejudicada (−) | Indiferente (0) | Bactéria Bt produz toxina que mata a larva |
Parasitismo | Prejudicada (−) | Beneficiada (+) | Verme que vive no intestino do hospedeiro |
Predatismo | Prejudicada (−) | Beneficiada (+) | Leão que caça a zebra |
Mutualismo | Beneficiada (+) | Beneficiada (+) | Líquens (fungo + alga) |
A pegadinha da questão está em confundir o amensalismo com o parasitismo ou o predatismo. No parasitismo, o parasita se beneficia às custas do hospedeiro, vivendo sobre ou dentro dele. No predatismo, o predador captura e mata a presa para se alimentar. No caso do Bt, a bactéria não se beneficia da morte da larva — ela não a consome nem a utiliza como abrigo. A toxina é produzida e liberada, e a morte da larva é uma consequência, não um benefício direto. Por isso, a relação é de amensalismo.
Na prática, o controle biológico de pragas com Bt é um exemplo clássico de amensalismo aplicado à agricultura. As toxinas Cry e Vip são proteínas cristalinas produzidas pela bactéria durante a esporulação. Quando a larva ingere essas toxinas, elas se ligam a receptores específicos no intestino, formam poros na membrana celular e causam a lise das células intestinais, levando à morte da larva. A bactéria, por sua vez, não é afetada pela morte da larva — ela continua seu ciclo de vida normalmente. Essa relação é, portanto, de amensalismo, e não de parasitismo ou predatismo.
Guarde a fronteira entre as relações ecológicas: o que define o amensalismo é a neutralidade de uma das espécies. Se a espécie que produz a toxina fosse beneficiada (por exemplo, se ela se alimentasse da larva), seria predatismo; se ela vivesse dentro da larva, seria parasitismo. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O parasitismo é uma relação em que uma espécie (parasita) se beneficia às custas de outra (hospedeiro), vivendo sobre ou dentro dela. No caso do Bt, a bactéria não vive sobre ou dentro da larva de S. albula — ela produz toxinas que são ingeridas pela larva, mas não estabelece uma relação de dependência metabólica com ela. O parasita obtém nutrientes do hospedeiro, o que não ocorre aqui. A bactéria não se beneficia da larva; ela apenas produz uma toxina que a mata.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O predatismo é uma relação em que um organismo (predador) captura e mata outro (presa) para se alimentar. No caso do Bt, a bactéria não captura nem mata a larva para se alimentar — ela não consome a larva como alimento. A toxina é produzida e liberada no ambiente, e a larva morre ao ingeri-la, mas a bactéria não obtém nenhum benefício nutricional dessa interação. A morte da larva é uma consequência da toxicidade, não um ato de predação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O mutualismo é uma relação em que ambas as espécies são beneficiadas. No caso do Bt e da larva de S. albula, a larva é claramente prejudicada (morre), e a bactéria não é beneficiada. Não há benefício mútuo — há prejuízo para uma e neutralidade para a outra. Portanto, não pode ser mutualismo.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O amensalismo é a relação ecológica interespecífica desarmônica em que uma espécie é prejudicada ou inibida, enquanto a outra não é afetada. No caso descrito, as toxinas Cry e Vip do Bacillus thuringiensis causam a morte da larva de S. albula, prejudicando-a, enquanto a bactéria não é beneficiada nem prejudicada. A bactéria produz a toxina como parte de seu metabolismo, e a morte da larva é uma consequência, não um benefício direto. Portanto, a interação é de amensalismo.
Gabarito: letra D