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Questão de Biologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2024

BiologiaGeral
Código
ce398926
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2024
Cargo
Vest ( )

A espécie Spodoptera albula é um inseto que afeta diversas culturas como tomate, beterraba, sorgo, milho, soja, algodão. Várias espécies de insetos pertencentes ao gênero Spodoptera são amplamente distribuídas nos trópicos americanos e atualmente estão sendo controladas pelas toxinas Cry e Vip do agente biológico Bacillus thuringiensis (Bt). Tal controle tem sido realizado com bioinseticidas em que esse microrganismo é o agente biológico ou via adoção de plantas transgênicas que expressam essas toxinas (culturas Bt). Em 2013, pesquisadores brasileiros demonstraram que os dois tipos de toxinas, Cry e Vip, ligavam-se em diferentes regiões do intestino da larva de S. albula e causavam sua morte. As análises dos produtos à base de Bt enfatizaram o potencial desses bioinseticidas contra a S. albula. As bactérias Bt que integravam os produtos avaliados produziam diferentes tipos da toxina Cry e foram eficientes em controlar até 100% das larvas nos experimentos. O gráfico a seguir mostra a mortalidade de S. albula sob o efeito de produtos à base de Bt, em valores percentuais.

 

Imagem associada para resolução da questão

 

Internet: <croplifebrasil.org> (com adaptações).

 

A interação ecológica envolvida no controle da espécie S. albula descrito no texto precedente, conforme os efeitos provocados pelas referidas toxinas, é denominada

  1. Aparasitismo.
  2. Bpredatismo.
  3. Cmutualismo.
  4. Damensalismo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — amensalismo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relações ecológicas: amensalismo e controle biológico

Gabarito: letra D. A interação descrita é o amensalismo, pois as toxinas Cry e Vip produzidas pelo Bacillus thuringiensis (Bt) causam a morte da larva de Spodoptera albula, prejudicando-a, enquanto a bactéria não é beneficiada nem prejudicada nessa relação — é uma relação ecológica interespecífica desarmônica em que uma espécie é inibida e a outra permanece indiferente.

O amensalismo é uma relação ecológica interespecífica desarmônica em que uma espécie (a amensal) é prejudicada ou inibida, enquanto a outra (a inibidora) não é afetada, nem positiva nem negativamente. No caso descrito, o Bacillus thuringiensis produz toxinas Cry e Vip que, ao serem ingeridas pela larva de S. albula, ligam-se a diferentes regiões do intestino e causam sua morte. A bactéria não obtém nenhum benefício direto dessa interação — ela não se alimenta da larva nem a utiliza como hospedeira —, apenas produz a toxina como parte de seu metabolismo. Portanto, a relação é de amensalismo: a bactéria inibe (mata) a larva sem ser afetada.

É importante distinguir o amensalismo de outras relações ecológicas interespecíficas desarmônicas:

Relação

Espécie 1

Espécie 2

Exemplo

Amensalismo

Prejudicada (−)

Indiferente (0)

Bactéria Bt produz toxina que mata a larva

Parasitismo

Prejudicada (−)

Beneficiada (+)

Verme que vive no intestino do hospedeiro

Predatismo

Prejudicada (−)

Beneficiada (+)

Leão que caça a zebra

Mutualismo

Beneficiada (+)

Beneficiada (+)

Líquens (fungo + alga)

A pegadinha da questão está em confundir o amensalismo com o parasitismo ou o predatismo. No parasitismo, o parasita se beneficia às custas do hospedeiro, vivendo sobre ou dentro dele. No predatismo, o predador captura e mata a presa para se alimentar. No caso do Bt, a bactéria não se beneficia da morte da larva — ela não a consome nem a utiliza como abrigo. A toxina é produzida e liberada, e a morte da larva é uma consequência, não um benefício direto. Por isso, a relação é de amensalismo.

Na prática, o controle biológico de pragas com Bt é um exemplo clássico de amensalismo aplicado à agricultura. As toxinas Cry e Vip são proteínas cristalinas produzidas pela bactéria durante a esporulação. Quando a larva ingere essas toxinas, elas se ligam a receptores específicos no intestino, formam poros na membrana celular e causam a lise das células intestinais, levando à morte da larva. A bactéria, por sua vez, não é afetada pela morte da larva — ela continua seu ciclo de vida normalmente. Essa relação é, portanto, de amensalismo, e não de parasitismo ou predatismo.

Guarde a fronteira entre as relações ecológicas: o que define o amensalismo é a neutralidade de uma das espécies. Se a espécie que produz a toxina fosse beneficiada (por exemplo, se ela se alimentasse da larva), seria predatismo; se ela vivesse dentro da larva, seria parasitismo. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O parasitismo é uma relação em que uma espécie (parasita) se beneficia às custas de outra (hospedeiro), vivendo sobre ou dentro dela. No caso do Bt, a bactéria não vive sobre ou dentro da larva de S. albula — ela produz toxinas que são ingeridas pela larva, mas não estabelece uma relação de dependência metabólica com ela. O parasita obtém nutrientes do hospedeiro, o que não ocorre aqui. A bactéria não se beneficia da larva; ela apenas produz uma toxina que a mata.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O predatismo é uma relação em que um organismo (predador) captura e mata outro (presa) para se alimentar. No caso do Bt, a bactéria não captura nem mata a larva para se alimentar — ela não consome a larva como alimento. A toxina é produzida e liberada no ambiente, e a larva morre ao ingeri-la, mas a bactéria não obtém nenhum benefício nutricional dessa interação. A morte da larva é uma consequência da toxicidade, não um ato de predação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O mutualismo é uma relação em que ambas as espécies são beneficiadas. No caso do Bt e da larva de S. albula, a larva é claramente prejudicada (morre), e a bactéria não é beneficiada. Não há benefício mútuo — há prejuízo para uma e neutralidade para a outra. Portanto, não pode ser mutualismo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O amensalismo é a relação ecológica interespecífica desarmônica em que uma espécie é prejudicada ou inibida, enquanto a outra não é afetada. No caso descrito, as toxinas Cry e Vip do Bacillus thuringiensis causam a morte da larva de S. albula, prejudicando-a, enquanto a bactéria não é beneficiada nem prejudicada. A bactéria produz a toxina como parte de seu metabolismo, e a morte da larva é uma consequência, não um benefício direto. Portanto, a interação é de amensalismo.

Gabarito: letra D

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