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Questão de Biologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2024

BiologiaGeral
Código
ce398928
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2024
Cargo
Vest ( )

ANTÍGONA — (...) Que vou morrer, eu bem sei; é inevitável; e morreria mesmo sem a tua proclamação. E, se morrer antes do meu tempo, isso será, para mim, uma vantagem, devo dizê-lo!

Quem vive, como eu, no meio de tão lutuosas desgraças, que perde com a morte? Assim, a sorte que me reservas é um mal que não se deve levar em conta; (...).

 

Sófocles. Antígona (com adaptações).

 

CHEIROSA: (...) Mas eu quero lhe avisar uma coisa: nesse seu Terceiro Ato tem Cristo?
CHEIROSO: Tem.
CHEIROSA: E ele se passa no céu, é?
CHEIROSO: É por ali perto!
CHEIROSA: Pois vão dizer que você não tem mais imaginação e que só sabe fazer, agora, o Auto da Compadecida!
CHEIROSO: Isso é fácil de resolver: na próxima peça, em vez de o personagem ser sabido, é besta e, no Terceiro Ato, em vez de tudo se passar no céu, se passa no inferno. Aí eu quero ver o que é que eles vão dizer!
(...)
CHEIROSA: É mesmo, é até fácil! Pois vamos à peça! O que é que você está comendo aí?
CHEIROSO: É um pedaço de pão e um resto de vinho que me deram: significa já a Ceia da Quinta-Feira Santa. Mas a peça se passa na Sexta, dia da morte de Cristo.
CHEIROSA — Que episódios você escolheu para evocar essa morte?
CHEIROSO — A negação de Pedro, o beijo do jardim, alguma coisa do julgamento e a morte. Acho que basta.
CHEIROSA — E a morte dos personagens?
CHEIROSO — Eu vou apagando esta luz aqui: cada vez que apago, é um morto. Agora me diga uma coisa: você acha que eu convenço como Cristo?
CHEIROSA — Era o que faltava! O Cristo veio como carpinteiro, que era uma coisa melhor, ninguém acreditou que ele era filho de Deus, quanto mais aparecendo como dono do mamulengo!

 

Ariano Suassuna. A Pena e a Lei (com adaptações).

Leia o texto.   Considerando os fragmentos de textos apresentados e a integralidade das obras das quais eles foram extraídos, assim como múltiplos aspectos a eles relacionados, julgue o item abaixo.   Na produção de vinho, a fermentação alcoólica é realizada por bactérias aeróbicas, que convertem os açúcares das uvas produzindo 38 moléculas de ATP.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fermentação alcoólica e produção de vinho

Gabarito: ERRADO (letra E). A fermentação alcoólica é realizada por leveduras (fungos), como a Saccharomyces cerevisiae, e não por bactérias aeróbicas; além disso, é um processo anaeróbico que produz apenas 2 moléculas de ATP por molécula de glicose, e não 38. O valor de 38 ATP corresponde ao rendimento teórico da respiração aeróbica completa, não da fermentação.

A fermentação alcoólica é um processo metabólico de obtenção de energia em que moléculas orgânicas, como a glicose, são parcialmente degradadas na ausência de oxigênio. Diferentemente da respiração aeróbica, que oxida completamente a glicose a CO₂ e H₂O, a fermentação alcoólica converte o ácido pirúvico em etanol e gás carbônico, sem utilizar O₂ como aceptor final de elétrons. Esse processo é realizado por leveduras — fungos unicelulares — e por algumas bactérias, mas no contexto da produção de vinho, o agente fermentador clássico é a levedura Saccharomyces cerevisiae, conhecida como fermento de padaria ou levedo de cerveja.

O rendimento energético da fermentação é baixo: para cada molécula de glicose, são produzidas apenas 2 moléculas de ATP (saldo líquido da glicólise). Isso ocorre porque a degradação da glicose é parcial — os produtos finais (etanol e CO₂) ainda retêm grande parte da energia química original. Em contraste, a respiração aeróbica degrada completamente a glicose e pode gerar até 30-38 moléculas de ATP por molécula de glicose, dependendo do rendimento considerado (teórico vs. real). O número 38 ATP é o rendimento teórico máximo da respiração aeróbica, não da fermentação.

A produção de vinho depende da fermentação alcoólica das uvas: as leveduras presentes nas cascas ou adicionadas convertem os açúcares do mosto em etanol e CO₂. Esse processo é anaeróbico — ocorre na ausência de oxigênio — e é justamente essa condição que permite a produção do álcool. Se houvesse oxigênio em abundância, as leveduras realizariam respiração aeróbica, consumindo os açúcares e produzindo CO₂ e água, sem gerar etanol.

A banca explora aqui uma dupla confusão: (1) troca o agente fermentador (levedura/fungo) por bactéria aeróbica; e (2) atribui à fermentação o rendimento de ATP da respiração aeróbica (38 ATP). São dois erros conceituais clássicos que o candidato desatento pode não perceber.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura dois processos metabólicos distintos. O candidato que sabe que a fermentação produz pouco ATP pode marcar "errado" apenas por causa do número 38, mas o erro mais sutil está em dizer que a fermentação é realizada por "bactérias aeróbicas" — na verdade, é um processo anaeróbico feito por leveduras. Fique atento: fermentação = anaeróbica + 2 ATP; respiração aeróbica = aeróbica + até 38 ATP (teórico).

Fermentação alcoólica
  • 1Agente
    • Leveduras (fungos)
    • Saccharomyces cerevisiae
  • 2Condição
    • Anaeróbica (sem O₂)
  • 3Rendimento
    • 2 ATP por glicose
  • 4Respiração aeróbica
    • Agente
      • Células em geral
    • Condição
      • Aeróbica (com O₂)
    • Rendimento
      • Até 38 ATP (teórico)
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Item — ❌ ERRADO

A afirmação contém três erros técnicos:

  1. Agente fermentador: a fermentação alcoólica na produção de vinho é realizada por leveduras (fungos), principalmente Saccharomyces cerevisiae, e não por bactérias. Embora algumas bactérias possam fermentar, o contexto da produção de vinho é dominado pelas leveduras.

  2. Condição aeróbica: a fermentação é um processo anaeróbico — ocorre na ausência de oxigênio. Chamá-la de "aeróbica" é uma contradição em termos, pois a presença de O₂ desviaria o metabolismo para a respiração aeróbica.

  3. Rendimento de ATP: a fermentação alcoólica produz apenas 2 moléculas de ATP por molécula de glicose (saldo líquido da glicólise). O número 38 ATP corresponde ao rendimento teórico máximo da respiração aeróbica completa, não da fermentação.

Portanto, a afirmativa está incorreta em todos os seus elementos centrais.

Gabarito: ERRADO (letra E).

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