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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce401878
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CBM PA
Ano
2024
Cargo
Sold BM ( )

Texto 1A1

 

Nos anos 70, quando eu estudava na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), um dos poemas mais lidos e comentados por estudantes e professores era Fábula de um arquiteto, de João Cabral de Melo Neto: “O arquiteto: o que abre para o homem / (tudo se sanearia desde casas abertas) / portas por-onde, jamais portas-contra; / por onde, livres: ar luz razão certa.”.

 

Esses versos pareciam nortear a concepção e a organização do espaço, trabalho do arquiteto. A utopia possível de vários estudantes era transformar habitações precárias (eufemismo para favelas) em moradias dignas. O exemplo mais famoso naquele tempo era o Conjunto Habitacional Zezinho Magalhães Prado (Parque Cecap) em Guarulhos. Esse projeto de Vilanova Artigas era um dos poucos exemplos de habitação social decente, mas seus moradores não eram ex-favelados.

 

Em geral, a política de habitação popular no Brasil consiste em construir pequenos e opressivos apartamentos ou casas de baixo padrão tecnológico, sem senso estético, sem relação orgânica com a cidade, às vezes sem infraestrutura e longe de áreas comerciais e serviços públicos. Vários desses conjuntos são construídos em áreas ermas, cuja paisagem desoladora lembra antes uma colônia penal.

 

Mas há mudanças e avanços significativos na concepção de projetos de habitação social, infraestrutura, lazer e paisagismo, projetos que, afinal, dizem respeito à democracia e ao fim da exclusão social. Um desses avanços é o trabalho da Usina. Fundada em 1990 por profissionais paulistas, a Usina tem feito projetos de arquitetura e planos urbanísticos criteriosos e notáveis. Trata-se de uma experiência de autogestão na construção, cujos projetos, soluções técnicas e o próprio processo construtivo são discutidos coletivamente, envolvendo os futuros moradores e uma equipe de arquitetos, engenheiros e outros profissionais.

 

Acompanhei jornalistas do Estadão em visitas a conjuntos habitacionais em Heliópolis e na Billings, onde está sendo implantado o Programa Mananciais. Em Heliópolis, Ruy Ohtake projetou edifícios em forma cilíndrica, daí o apelido de redondinhos. A planta dos apartamentos de 50 m² é bem resolvida, os materiais de construção e o acabamento são apropriados, todos os ambientes recebem luz natural. Esse projeto de Ohtake e o de Hector Vigliecca (ainda em construção) revelam avanço notável na concepção da moradia para camadas populares.

 

Um dos projetos do Programa Mananciais é uma ousada e bem-sucedida intervenção urbana numa das áreas mais pobres e também mais belas da metrópole. Situado às margens da Represa Billings, o Parque Linear é, em última instância, um projeto de cidadania que contempla milhares de famílias. Não por acaso esse projeto da equipe do arquiteto Marcos Boldarini recebeu prêmios no Brasil e no exterior.

 

Além do enorme alcance social, o projeto foi pensado para preservar a Billings e suas espécies nativas. Sem ser monumental, o Parque Linear é uma obra grandiosa e extremamente necessária, concebida com sensibilidade estética e funcional que dá dignidade a brasileiros que sempre foram desprezados pelo poder público. É também um exemplo de como os governos federal, estadual e municipal podem atuar em conjunto, deixando de lado as disputas e mesquinharias político-partidárias.

 

Além de arquitetos e engenheiros competentes, o Brasil possui recursos para financiar projetos de habitação popular em larga escala. Mas é preciso aliar vontade política a uma concepção de moradia que privilegie a vida dos moradores e sua relação com o ambiente e o espaço urbano. Porque morar é muito mais que sobreviver em estado precário e provisório.

 

Milton Hatoum. Moradia e (in)dignidade. In: O Estado de S. Paulo, 28/8/2011, p. C8 (com adaptações).

Cada uma das opções a seguir apresenta uma proposta de reescrita do trecho “é preciso aliar vontade política a uma concepção” (segundo período do último parágrafo do texto 1A1). Assinale a opção em que a proposta apresentada preserva os sentidos e a correção gramatical do trecho.
  1. Aé preciso aliar vontade política à uma concepção
  2. Bé preciso combinar vontade política à uma concepção
  3. Cé preciso aliar vontade política à ideias
  4. Dé preciso aliar vontade política em uma concepção
  5. Eé preciso combinar vontade política com uma concepção
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GabaritoE — é preciso combinar vontade política com uma concepção

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de Frases: Regência e Crase

Gabarito: letra E. A reescrita correta é "é preciso combinar vontade política com uma concepção", pois o verbo combinar, no sentido de "aliar, reunir", rege a preposição com — e não "a". O trecho original, "aliar vontade política a uma concepção", usa o verbo aliar, que exige a preposição a; a troca por combinar preserva o sentido, mas exige a troca da preposição para com. As demais opções ou mantêm a preposição errada para o novo verbo, ou cometem erro de crase ("à uma"), ou trocam a preposição sem trocar o verbo, alterando a regência.

O Comando

A questão pede uma reescrita que preserve os sentidos e a correção gramatical do trecho original. Isso significa que a nova frase deve:

  • Manter o mesmo significado (aliar = combinar, unir);

  • Respeitar a regência do verbo escolhido;

  • Não apresentar erros de crase ou de concordância.

A banca não pede uma paráfrase livre, mas uma substituição que mantenha a estrutura e o sentido. Por isso, o foco está na regência verbal e no uso do acento grave.

O Texto e a Regência

No texto, o trecho original é:

"é preciso aliar vontade política a uma concepção"

O verbo aliar rege a preposição a: aliar algo a algo. Já o verbo combinar, no sentido de "reunir, harmonizar", rege a preposição com: combinar algo com algo. Portanto, ao trocar aliar por combinar, a preposição deve mudar de a para com.

A Crase

A crase é a fusão da preposição a com o artigo a. No trecho original, "a uma concepção" não há crase, pois uma é artigo indefinido, e não se usa crase antes de artigo indefinido. Portanto, qualquer opção que escreva "à uma" está incorreta, pois a crase não ocorre antes de "uma".

Análise das Alternativas

Reescrita: aliar → combinar
  • 1Aliar
    • rege preposição "a"
    • "a uma concepção" (sem crase)
  • 2Combinar
    • rege preposição "com"
    • "com uma concepção" (sem crase)
  • 3Erros comuns
    • Crase antes de "uma" ("à uma")
    • Preposição "em" com "aliar"
    • Preposição "a" com "combinar"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"é preciso aliar vontade política à uma concepção" — Erro de crase: não se usa crase antes de "uma". O correto seria "a uma concepção", sem acento grave.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"é preciso combinar vontade política à uma concepção" — Além do erro de crase ("à uma"), o verbo combinar rege com, não a. Portanto, a preposição está errada para o verbo escolhido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"é preciso aliar vontade política à ideias" — Erro de crase: "ideias" está no plural, e não há artigo definido "as" antes, então não há crase. O correto seria "a ideias", sem acento grave.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"é preciso aliar vontade política em uma concepção" — O verbo aliar rege a, não em. A preposição "em" altera o sentido e a regência.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"é preciso combinar vontade política com uma concepção" — O verbo combinar rege com, e não há crase antes de "uma". A reescrita preserva o sentido de "aliar" e está gramaticalmente correta.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, verifique sempre a regência do verbo escolhido. Se trocar o verbo, a preposição pode mudar. E lembre: crase antes de "uma" é sempre erro.

Gabarito: letra E

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