Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — CESPE / CEBRASPE 2024
Português›Concordância (Verbal e Nominal)
Código
ce401883
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CBM PA
Ano
2024
Cargo
Of BM ( )
Atitudes de confiança em relação a situações, pessoas ou sistemas específicos, e também num nível mais geral, estão diretamente ligadas à segurança psicológica dos indivíduos e dos grupos. Confiança e segurança, risco e perigo, existem em conjunções historicamente únicas nas condições da modernidade. Os mecanismos de desencaixe, por exemplo, garantem amplas arenas de segurança relativa na atividade social diária. Pessoas que vivem em países industrializados, e em certa medida em qualquer lugar hoje, estão geralmente protegidas contra alguns dos perigos enfrentados rotineiramente em tempos pré-modernos — como as forças da natureza. Por outro lado, novos riscos e perigos, tanto locais quanto globais, são criados pelos próprios mecanismos de desencaixe. Comidas com ingredientes artificiais podem ter características tóxicas ausentes das comidas mais tradicionais; perigos ambientais podem ameaçar os ecossistemas da Terra como um todo.
Anthony Giddens. Modernidade e identidade. Tradução: Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2002, p. 25 (com adaptações).
Texto 1A1-I
A locução verbal “são criados” (quinto período do texto 1A1-I) está flexionada no plural para concordar com a expressão
A“tempos pré-modernos” (quarto período).
B“mecanismos de desencaixe” (quinto período).
C“novos riscos e perigos” (quinto período).
D“alguns dos perigos” (quarto período).
E“forças da natureza” (quarto período).
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GabaritoC — “novos riscos e perigos” (quinto período).
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Concordância verbal: o sujeito de “são criados”
Gabarito: letra C. A locução verbal “são criados” concorda com “novos riscos e perigos”, que é o sujeito paciente da oração. No texto, lê-se: “novos riscos e perigos, tanto locais quanto globais, são criados pelos próprios mecanismos de desencaixe”. A forma verbal está no plural porque o núcleo do sujeito é composto (“riscos e perigos”), e o verbo “ser”, auxiliar da locução, flexiona-se para concordar com ele.
O comando pede que você identifique com qual expressão a locução verbal concorda. Isso é uma questão de concordância verbal, não de interpretação de sentido. A técnica é simples: localize o verbo, pergunte “quem é que é criado?” e a resposta será o sujeito. No trecho, a pergunta “o que é criado?” responde: “novos riscos e perigos”. Eles é que sofrem a ação de ser criados. Os “mecanismos de desencaixe” aparecem depois, introduzidos pela preposição “por”, funcionando como agente da passiva — ou seja, quem pratica a ação, não quem a recebe.
A banca explora exatamente essa confusão: oferece como distratores termos que estão próximos do verbo ou que aparecem no mesmo período, mas que exercem outra função sintática. Veja o trecho completo do quinto período:
“Por outro lado, novos riscos e perigos, tanto locais quanto globais, são criados pelos próprios mecanismos de desencaixe.”
Aqui, a estrutura é de voz passiva analítica: sujeito paciente (“novos riscos e perigos”) + locução verbal (“são criados”) + agente da passiva (“pelos próprios mecanismos de desencaixe”). O verbo auxiliar “são” concorda com o sujeito, que está no plural. Se o sujeito fosse singular (“novo risco”), diríamos “é criado”.
Regra de ouro: em toda locução verbal, quem flexiona é o verbo auxiliar (o primeiro), e ele concorda com o sujeito da oração. Para achar o sujeito, pergunte ao verbo: “quem/o quê?”. No caso, “o que é criado?” → “novos riscos e perigos”.
Voz passiva analítica: Sujeito paciente ("novos riscos e perigos", núcleo composto → verbo no plural); Locução verbal ("são criados", auxiliar "são" concorda com o sujeito); Agente da passiva ("pelos mecanismos de desencaixe", introduzido por "por", não influencia a concordância)
Alternativa A — ❌ Incorreta
“tempos pré-modernos” aparece no quarto período, em “perigos enfrentados rotineiramente em tempos pré-modernos”. Essa expressão é um adjunto adverbial de tempo (em tempos pré-modernos), não o sujeito de “são criados”. A banca tenta atrair quem lê rápido e associa “perigos” do período anterior. Erro: fora do escopo — o termo não tem relação sintática com a locução.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“mecanismos de desencaixe” está no mesmo período, mas exerce a função de agente da passiva, introduzido pela preposição “por”. Na voz passiva, o agente pratica a ação; quem sofre a ação é o sujeito. A locução concorda com o sujeito, não com o agente. Erro: troca de função sintática — confunde agente da passiva com sujeito.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“novos riscos e perigos” é o sujeito paciente da locução “são criados”. O núcleo é composto (“riscos e perigos”), por isso o verbo auxiliar “são” está no plural. A concordância é direta: sujeito composto → verbo no plural. Correta — é a única expressão que o verbo realmente concorda.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“alguns dos perigos” está no quarto período, em “protegidas contra alguns dos perigos enfrentados rotineiramente”. Essa expressão é objeto indireto do adjetivo “protegidas” (protegidas contra algo), não sujeito. Além disso, está em outro período, sem relação com “são criados”. Erro: fora do escopo — termo de outra oração com função diversa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“forças da natureza” também está no quarto período, em “como as forças da natureza”. É um aposto explicativo ou termo comparativo, não o sujeito da locução. A banca aposta na proximidade temática (perigos naturais), mas sintaticamente não há vínculo. Erro: fora do escopo — termo com função de aposto, não de sujeito.
NÃO CAIA NESSA!
A banca coloca como distratores expressões que estão no mesmo período ou em períodos vizinhos, mas que exercem outras funções (agente da passiva, adjunto adverbial, objeto indireto, aposto). A armadilha é a proximidade textual — o candidato marca o termo que “faz sentido” sem verificar a função sintática.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de concordância, sublinhe o verbo e pergunte “quem pratica/sofre a ação?”. A resposta é o sujeito. Desconfie de termos precedidos de preposição (“por”, “contra”, “em”) — eles raramente são sujeito.
Conclusão: a locução “são criados” concorda com “novos riscos e perigos”, sujeito composto da oração passiva. As demais alternativas falham por apontar termos com outras funções sintáticas. Gabarito: letra C.