Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — CESPE / CEBRASPE 2024
Português›Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
ce401888
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CBM PA
Ano
2024
Cargo
Of BM ( )
Há uma diferença fundamental entre a cognição de crianças humanas e de cachorros: quando uma pessoa aponta para uma bola, os bebês sabem que esta é um objeto que está a uma certa distância, enquanto os cães, em geral, entendem a mão da pessoa como instrução sobre a direção na qual eles devem andar.
Essas características são o que os cientistas cognitivos denominam vieses, e não verdades constantes. Ou seja: os cachorros também conseguem navegar o mundo em termos de objetos, e não de direções. Contudo, nesse caso, o aprendizado é mais lento e menos intuitivo.
Um estudo com 82 cachorros não só comprovou a dificuldade canina com o conceito de objeto como descobriu que ela é um ótimo indicador de inteligência: cãezinhos mais espertos, em geral, também têm uma concepção de objeto mais parecida com a humana. Essa descoberta é um passo importante para entender como se deu a evolução da inteligência ímpar exibida pelo ser humano, e em quais aspectos cruciais a nossa cognição difere da de outros animais.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Função do conectivo "Ou seja"
Gabarito: letra D. A expressão "Ou seja" introduz uma explicação, pois retoma a ideia anterior e a reformula de maneira mais clara, como se lê no trecho: "Essas características são o que os cientistas cognitivos denominam vieses, e não verdades constantes. Ou seja: os cachorros também conseguem navegar o mundo em termos de objetos, e não de direções." O conectivo sinaliza que o que vem depois é uma paráfrase explicativa do que foi dito antes, não uma conclusão, retificação ou ratificação.
O comando
A questão pede que você identifique a função semântica do conectivo "Ou seja" no contexto. Isso é uma questão de coesão sequencial: o conectivo estabelece a relação lógica entre as partes do texto. Não se trata de interpretar o conteúdo, mas de reconhecer o valor do conectivo — e isso se faz observando o que ele faz com as ideias: explica, conclui, retifica, ratifica ou desfaz ambiguidade.
O texto
O texto fala sobre a diferença entre a cognição de crianças e cachorros. No segundo parágrafo, o autor afirma que essas características são "vieses, e não verdades constantes" e, em seguida, usa "Ou seja" para reformular essa ideia: "os cachorros também conseguem navegar o mundo em termos de objetos, e não de direções". Ou seja, o conectivo retoma a afirmação anterior e a explica com outras palavras, tornando o sentido mais explícito. Essa é a função típica de "ou seja": introduzir uma explicação ou reformulação.
A técnica
O conectivo "ou seja" é um operador de reformulação/explicitação. Ele não conclui (como "portanto", "logo"), não retifica (como "na verdade", "aliás"), não ratifica (como "de fato", "com efeito") e não desfaz ambiguidade (isso seria função de um esclarecimento pontual, não de um conectivo). Ele explica o que foi dito, parafraseando. Para acertar, pergunte: o que o conectivo faz com a ideia anterior? Se ele a reapresenta de forma mais clara, é explicação.
Conectivo "Ou seja": Função: explicação/reformulação (Retoma a ideia anterior, Reapresenta com outras palavras, Torna o sentido mais explícito); Não é (Conclusão (portanto, logo), Retificação (na verdade, aliás), Ratificação (de fato, com efeito), Desfazer ambiguidade); Troca mental ("Isto é", "Em outras palavras")
Alternativa A — ❌ Incorreta
Retifica uma informação. Retificar é corrigir algo que foi dito. No texto, "Ou seja" não corrige nada; ele apenas reformula a ideia anterior, mantendo o mesmo sentido. Não há erro a ser corrigido.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Apresenta uma conclusão. Conclusão é o fechamento de um raciocínio, geralmente introduzido por "portanto", "logo", "assim". "Ou seja" não conclui; ele explica o que já foi dito. O texto não está tirando uma consequência, mas esclarecendo uma afirmação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Ratifica um argumento. Ratificar é reforçar, confirmar algo. "Ou seja" não apenas confirma; ele explica, ou seja, dá mais detalhes ou reformula. A ratificação seria feita por conectivos como "de fato", "com efeito". Aqui, o autor não está apenas confirmando, está explicitando o sentido.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Introduz uma explicação. Exatamente. O trecho "Ou seja: os cachorros também conseguem navegar o mundo em termos de objetos, e não de direções" é uma explicação da afirmação anterior de que as características são "vieses, e não verdades constantes". O conectivo sinaliza que o que vem a seguir é uma reformulação explicativa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Desfaz uma ambiguidade. Desfazer ambiguidade seria eliminar uma dupla interpretação possível. No texto, não há ambiguidade a ser desfeita; há apenas uma ideia que é reapresentada de forma mais clara. "Ou seja" não tem função de desfazer ambiguidade, mas de explicar.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "explicação" e "conclusão" ou "retificação". Lembre-se: "ou seja" é um explicador, não um conclusivo.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar a função de um conectivo, substitua-o mentalmente por outro: se "ou seja" puder ser trocado por "isto é" ou "em outras palavras", é explicação. Se puder ser trocado por "portanto", é conclusão.