Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2024
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce401891
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CNPq
Ano
2024
Cargo
Ana CT I ( )
Texto CG1A1
Em 1947, o físico brasileiro César Lattes causou grande
impacto nos meios científicos internacionais e conquistou
reconhecimento com sua descoberta que elucidou alguns
problemas pendentes de solução no campo da radiação cósmica e
confirmou a teoria do físico japonês Hideki Yukawa sobre a
existência de uma partícula supostamente responsável pela
ligação entre prótons e nêutrons nos núcleos atômicos. Esse
último aspecto foi bastante para dar um relevo todo especial à
descoberta, enriquecendo seu significado com a possibilidade de
novas aberturas no controle das forças nucleares, tão cobiçado
depois das explosões atômicas. Toda a imprensa mundial e
brasileira aclamou a descoberta, e a ciência brasileira saiu do
porão para a sala de visitas.
No ano seguinte, Lattes voltou a causar impacto após
conseguir a produção artificial daquela partícula em um
acelerador do tipo circular, em Berkeley, nos Estados Unidos da
América. E em 1949, a física no Brasil começou a se
institucionalizar com a criação do Centro Brasileiro de Pesquisas
Físicas. Junto com ela, a ciência, em geral, também organizava
sua entidade representativa, com o surgimento da Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) naquele
mesmo ano. Foi nesse caldo cultural que o almirante Álvaro
Alberto ganhou mais argumentos para persuadir o governo
brasileiro. Segundo seus depoimentos reproduzidos na coletânea
50 anos do CNPq contados pelos presidentes, organizada por
Shozo Motoyama, em maio de 1949, após a leitura de relatórios
sobre a questão atômica, o presidente Dutra enviou ao Congresso
Nacional um anteprojeto para criação do Conselho Nacional de
Pesquisas, já prevendo seu papel na política nuclear. Depois de
uma longa tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado
Federal, nascia o CNPq, com o almirante como seu primeiro
presidente.
Rodrigo Cunha. 60 anos do CNPq: da política nuclear ao desafio da descentralização.
In: Ciência e Cultura, São Paulo, v. 63, n.º 2, 2011 (com adaptações).
Em relação a aspectos linguísticos do texto CG1A1, julgue o item subsecutivo.
A correção gramatical e a coerência das ideias do texto seriam preservadas caso o trecho “com o almirante como seu primeiro presidente” (final do segundo parágrafo) fosse reescrito da seguinte forma: cujo primeiro presidente foi o almirante Álvaro Alberto.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
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Reescrita com o pronome relativo “cujo”
Gabarito: Certo. A reescrita proposta — “cujo primeiro presidente foi o almirante Álvaro Alberto” — preserva a correção gramatical e a coerência do trecho original “com o almirante como seu primeiro presidente”. A troca é válida porque o pronome relativo “cujo” estabelece a mesma relação de posse entre “CNPq” e “primeiro presidente”, e a inversão da ordem (sujeito posposto) é gramaticalmente aceita. A passagem que sustenta a resposta está no final do segundo parágrafo, quando o texto afirma que “nascia o CNPq, com o almirante como seu primeiro presidente”.
O comando da questão
O item pede que você julgue se a reescrita mantém a correção gramatical e a coerência das ideias. Isso não é uma questão de interpretação profunda, mas de análise sintática e semântica: você deve verificar se a nova estrutura é gramaticalmente válida e se o sentido original (quem foi o primeiro presidente do CNPq) permanece intacto. A banca não quer saber se a reescrita é “melhor” ou “mais elegante”, apenas se ela é equivalente.
O trecho original e a reescrita
No texto, lemos:
“nascia o CNPq, com o almirante como seu primeiro presidente.”
A expressão “com o almirante como seu primeiro presidente” é uma locução prepositiva que indica uma circunstância acompanhada de uma qualidade: o CNPq nasceu, e o almirante era o primeiro presidente. A reescrita transforma essa ideia em uma oração adjetiva restritiva introduzida pelo pronome relativo “cujo”.
O pronome “cujo” é um pronome relativo possessivo: ele retoma um termo anterior (o antecedente) e estabelece uma relação de posse com o termo seguinte. Na reescrita, “cujo” retoma “CNPq” e indica que o CNPq tem um primeiro presidente, que é o almirante. A estrutura “cujo primeiro presidente foi o almirante” é equivalente a “o primeiro presidente do CNPq foi o almirante”.
A correção gramatical
A reescrita está gramaticalmente correta por três razões:
Concordância: “cujo” concorda em gênero e número com o substantivo que acompanha (“primeiro presidente” — masculino singular), o que ocorre corretamente.
Regência: “cujo” exige que o verbo seguinte concorde com o sujeito da oração adjetiva. Aqui, o sujeito é “o almirante Álvaro Alberto”, e o verbo “foi” está no singular, concordando corretamente.
Ordem dos termos: a ordem “cujo primeiro presidente foi o almirante” é uma inversão da ordem direta “o almirante foi o primeiro presidente”. Essa inversão é permitida em português, especialmente em contextos formais ou para dar ênfase. Não há qualquer erro de colocação ou de regência.
A coerência das ideias
A coerência é mantida porque a reescrita não altera o sentido do trecho original. No original, o texto diz que o CNPq nasceu “com o almirante como seu primeiro presidente”, ou seja, o almirante ocupava o cargo de primeiro presidente. Na reescrita, a mesma informação é transmitida: o primeiro presidente do CNPq foi o almirante. Não há acréscimo, omissão ou contradição de ideias.
A pegadinha da banca
A banca explora a inversão sintática e o uso do pronome relativo “cujo”. Muitos candidatos podem achar que a inversão “cujo primeiro presidente foi...” é incorreta, mas ela é perfeitamente gramatical. Outros podem confundir “cujo” com outros pronomes relativos, como “que” ou “o qual”, mas “cujo” tem a função específica de indicar posse, o que é exatamente o caso aqui.
Reescrita com "cujo"
1Correção gramatical
Concordância (cujo → primeiro presidente)
Regência (verbo concorda com sujeito)
Inversão sintática permitida
2Coerência preservada
Mesma relação de posse
Mesmo sentido (quem foi o presidente)
3Função do "cujo"
Pronome relativo possessivo
Retoma o antecedente (CNPq)
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NÃO CAIA NESSA!
A banca testa se você reconhece que “cujo” pode ser usado com valor possessivo, mesmo com inversão da ordem canônica. A pegadinha é achar que a inversão “cujo primeiro presidente foi...” é incorreta, quando é perfeitamente gramatical.
Conclusão
A reescrita proposta é gramaticalmente correta e preserva a coerência do texto. Portanto, o item está Certo.