Uma organização é um sistema complexo de
comunicações com um objetivo funcional. Durante sua existência
e atuação, a organização vai formando uma imagem perante seus
diversos públicos em função de todo um conjunto de contatos
realizados, e não somente pelas iniciativas planejadas de
comunicação que ela toma para formar a imagem pretendida.
Essa imagem, chamada imagem organizacional, pode ser descrita
como uma compilação de opiniões e pontos de vista baseados em
informações processadas de várias fontes, ao longo do tempo,
que gera uma imagem mental dos atributos da organização.
Seguindo uma tendência já percebida na iniciativa
privada, os órgãos públicos têm-se preocupado, cada vez mais,
com sua imagem organizacional. A imagem organizacional
pública tem valor estratégico na medida em que interfere
diretamente no relacionamento da organização com diferentes
atores, bem como na sua legitimação e credibilidade perante a
sociedade. No entanto, apesar de sua relevância, ainda há poucos
estudos sobre a imagem organizacional no contexto público,
tanto nacional quanto internacionalmente.
Quando se trata da construção da imagem de uma
organização, ressalta-se o papel dos veículos de imprensa. Esses
veículos, ao publicarem uma notícia, atuam na associação e
formação das crenças, das ideias, dos sentimentos e das
impressões que uma pessoa ou um grupo tem ou passa a ter sobre
aquela organização. Não obstante, a migração desses meios de
comunicação para a Internet aumenta o volume de informações
em circulação e eleva o seu poder de influência, uma vez que é
possível acessar dados e informações de qualquer lugar e a
qualquer momento, de modo a expandir a comunicação entre as
pessoas e as organizações.
Carolina Coelho da Silveira, Carla Bonato Marcolin e Carlos Henrique Rodrigues.
Como somos vistos? Análise da imagem organizacional pública utilizando ciência de dados.
Julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos do texto CG1A1-I.
No primeiro período do terceiro parágrafo, a partícula “se”, em ambas as suas ocorrências, indica que é indeterminado o sujeito sintático de cada uma das orações que formam o período.
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A partícula “se” no primeiro período do terceiro parágrafo
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque, embora o primeiro “se” (em “Quando se trata”) seja índice de indeterminação do sujeito, o segundo “se” (em “ressalta-se”) é partícula apassivadora, e não indeterminadora. No trecho, “o papel dos veículos de imprensa” funciona como sujeito paciente do verbo “ressaltar”, o que se comprova pela possibilidade de reescrita na voz passiva analítica: “o papel dos veículos de imprensa é ressaltado”.
O comando
A questão pede um julgamento certo/errado sobre um aspecto sintático: a função da partícula “se” em duas ocorrências no mesmo período. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise morfossintática — é preciso identificar, em cada ocorrência, se o “se” indetermina o sujeito ou se é apassivador. A banca mistura as duas funções para testar se o candidato sabe distingui-las.
O texto e o trecho analisado
O período em questão é:
“Quando se trata da construção da imagem de uma organização, ressalta-se o papel dos veículos de imprensa.”
Tema do parágrafo: o papel da imprensa na formação da imagem organizacional. A primeira oração (“Quando se trata...”) é uma subordinada adverbial temporal; a segunda (“ressalta-se o papel...”) é a oração principal. A análise sintática de cada “se” é o coração da questão.
A técnica que decide: “se” indeterminador × “se” apassivador
A distinção é clássica e se apoia na transitividade do verbo:
Índice de indeterminação do sujeito (IIS): ocorre com verbo intransitivo, transitivo indireto ou de ligação, sempre na 3ª pessoa do singular. Não há termo que possa funcionar como sujeito. Ex.: “Precisa-se de funcionários.” (quem precisa? indeterminado)
Partícula apassivadora (PA): ocorre com verbo transitivo direto ou transitivo direto e indireto, e o termo que acompanha o verbo é o sujeito paciente. Pode ser convertida em passiva analítica. Ex.: “Vendem-se casas.” → “Casas são vendidas.”
Aplicando ao trecho:
“Quando se trata...” — o verbo “tratar”, aqui, é transitivo indireto (trata-se de algo). Não há objeto direto; logo, não há como formar voz passiva. O “se” é índice de indeterminação do sujeito: alguém trata, mas não se sabe quem. ✅
“ressalta-se o papel...” — o verbo “ressaltar” é transitivo direto (ressalta-se algo). O termo “o papel dos veículos de imprensa” é o sujeito paciente; a oração equivale a “o papel dos veículos de imprensa é ressaltado”. Portanto, o “se” é partícula apassivadora. ❌
A afirmativa diz que ambas as ocorrências indicam sujeito indeterminado — o que é falso para a segunda. Basta um erro para tornar o item ERRADO.
Por que a banca armou essa pegadinha
A banca explora a confusão entre as duas funções do “se”, que são parecidas porque, em ambas, não se identifica o agente da ação. Mas há diferença crucial: na voz passiva sintética, o sujeito existe e é paciente; na indeterminação, não há sujeito — o verbo fica no singular e não concorda com nada.
Partícula "se": Índice de indeterminação (IIS) (Verbo intransitivo, TI ou de ligação, Sem sujeito, Ex.: "Precisa-se de funcionários"); Partícula apassivadora (PA) (Verbo transitivo direto, Sujeito paciente, Ex.: "Vendem-se casas"); No trecho ("Quando se trata" → IIS, "ressalta-se o papel" → PA)
NÃO CAIA NESSA!
A banca afirma que os dois “se” indeterminam o sujeito, mas o segundo é apassivador — o verbo “ressaltar” é transitivo direto e há sujeito paciente explícito (“o papel dos veículos de imprensa”).
Conclusão
A afirmativa está errada porque generaliza: o primeiro “se” é indeterminador, mas o segundo é apassivador. Para acertar questões assim, sempre teste a transitividade do verbo e tente converter a construção em passiva analítica: se der certo, é partícula apassivadora; se não der, é indeterminação.