Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — CESPE / CEBRASPE 2024
Português›Concordância (Verbal e Nominal)
Código
ce401901
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CGE RJ
Ano
2024
Cargo
Aud Est ( )
Texto CG1A1-I
Uma organização é um sistema complexo de
comunicações com um objetivo funcional. Durante sua existência
e atuação, a organização vai formando uma imagem perante seus
diversos públicos em função de todo um conjunto de contatos
realizados, e não somente pelas iniciativas planejadas de
comunicação que ela toma para formar a imagem pretendida.
Essa imagem, chamada imagem organizacional, pode ser descrita
como uma compilação de opiniões e pontos de vista baseados em
informações processadas de várias fontes, ao longo do tempo,
que gera uma imagem mental dos atributos da organização.
Seguindo uma tendência já percebida na iniciativa
privada, os órgãos públicos têm-se preocupado, cada vez mais,
com sua imagem organizacional. A imagem organizacional
pública tem valor estratégico na medida em que interfere
diretamente no relacionamento da organização com diferentes
atores, bem como na sua legitimação e credibilidade perante a
sociedade. No entanto, apesar de sua relevância, ainda há poucos
estudos sobre a imagem organizacional no contexto público,
tanto nacional quanto internacionalmente.
Quando se trata da construção da imagem de uma
organização, ressalta-se o papel dos veículos de imprensa. Esses
veículos, ao publicarem uma notícia, atuam na associação e
formação das crenças, das ideias, dos sentimentos e das
impressões que uma pessoa ou um grupo tem ou passa a ter sobre
aquela organização. Não obstante, a migração desses meios de
comunicação para a Internet aumenta o volume de informações
em circulação e eleva o seu poder de influência, uma vez que é
possível acessar dados e informações de qualquer lugar e a
qualquer momento, de modo a expandir a comunicação entre as
pessoas e as organizações.
Carolina Coelho da Silveira, Carla Bonato Marcolin e Carlos Henrique Rodrigues.
Como somos vistos? Análise da imagem organizacional pública utilizando ciência de dados.
Julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos do texto CG1A1-I.
Caso a forma verbal “há” (terceiro período do segundo parágrafo) fosse substituída por existem, a correção gramatical e o sentido do texto seriam mantidos.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
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Substituição de “há” por “existem” — concordância e sentido
Gabarito: letra C (Certo). A substituição de “há” por “existem” mantém a correção gramatical e o sentido do texto, desde que se ajuste a concordância: “há” é impessoal (fica no singular), enquanto “existem” é pessoal e deve concordar com o sujeito plural “poucos estudos”. No trecho, a troca é perfeitamente válida, pois ambos os verbos expressam a mesma ideia de existência.
O comando da questão
A questão pede que você julgue se a substituição de “há” por “existem” preserva correção gramatical e sentido. Isso envolve dois conhecimentos: (1) a diferença entre verbo impessoal e pessoal; (2) a capacidade de reescrever sem alterar o significado. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática aplicada — você precisa analisar a estrutura sintática do período.
O trecho em análise
No segundo parágrafo, lemos:
“No entanto, apesar de sua relevância, ainda há poucos estudos sobre a imagem organizacional no contexto público, tanto nacional quanto internacionalmente.”
Aqui, “há” é o verbo haver no sentido de existir. Nesse uso, ele é impessoal — não possui sujeito, e o termo “poucos estudos” exerce a função de objeto direto. Por isso, o verbo fica sempre na 3ª pessoa do singular, independentemente do número do objeto.
Já o verbo existir é pessoal: possui sujeito e concorda com ele em número e pessoa. Assim, se substituirmos “há” por “existem”, o termo “poucos estudos” passa a ser o sujeito do verbo, e a forma correta é existem (3ª pessoa do plural), concordando com “poucos estudos”.
A técnica que decide
A pegadinha clássica é achar que “há” e “existem” são intercambiáveis sem nenhuma adaptação. Mas a concordância exige que, ao trocar o verbo, você reanalise a função sintática do termo que o acompanha. Veja o esquema:
Verbo
Função de “poucos estudos”
Concordância
há
objeto direto
singular (impessoal)
existem
sujeito
plural (pessoal)
Como a substituição proposta já usa a forma existem (plural), a concordância está correta. E o sentido permanece o mesmo: ambos indicam a existência de poucos estudos. Portanto, a afirmação do item é verdadeira.
NÃO CAIA NESSA!
A banca quer que você confunda a impessoalidade do “há” com a pessoalidade do “existem”. Se a substituição fosse por “existe” (singular), estaria errada — mas como é “existem”, está correta.
PEGA ESSA DICA!
Ao substituir “haver” por “existir”, pergunte-se: qual é o sujeito? Se o termo que acompanha é plural, use “existem”; se é singular, use “existe”.
Conclusão
A substituição de “há” por “existem” mantém a correção gramatical (pois a concordância foi ajustada) e o sentido (ambos expressam existência). Portanto, o item está Certo.