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Questão de Português — Adjunto adnominal x Complemento Nominal — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsAdjunto adnominal x Complemento Nominal
Código
ce401918
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TST
Ano
2024
Cargo
AJ

Os primeiros registros dos impactos da desinformação em processos políticos datam da Roma Antiga, quando Otaviano valeu-se de frases curtas cunhadas em moedas para difamar inimigos e se tornar o primeiro governante do Império Romano.

 

Mas, segundo o historiador português Fernando Catroga, da Universidade de Coimbra, a emergência de tecnologias digitais fez o fenômeno ganhar novas roupagens, sendo uma de suas características atuais o impulso de ir além da manipulação dos fatos, em busca de substituir a própria realidade. Com foco nessa questão, um estudo desenvolvido entre abril de 2020 e junho de 2021 por pesquisadores da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FD-USP) analisou como organizações jurídicas brasileiras reagiram a informações falaciosas espalhadas por plataformas digitais. A ausência de consenso em torno do conceito de desinformação e as dificuldades para mensurar suas consequências foram identificadas como centrais para o estabelecimento de uma legislação.

 

Coordenador do estudo, o jurista Celso Fernandes Campilongo, da FD-USP, observa que, há 15 anos, a formação da opinião pública era influenciada, majoritariamente, por análises longas e reflexivas, divulgadas de forma centralizada por veículos da grande imprensa. “Hoje a opinião pública tem de lidar com uma avalanche de informações curtas e descontínuas, publicadas por pessoas com forte presença nas mídias sociais. Com isso, de certa forma, os memes e as piadas substituíram o texto analítico”, compara. Ao destacar que o acesso às redes sociais pode ser visto como mais democrático, Campilongo cita a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua — Tecnologia da Informação e Comunicação (PNAD Contínua — TIC), publicada em abril de 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2019, conforme indicam seus dados, três em cada quatro brasileiros utilizavam a Internet, e o celular foi o equipamento usado com mais frequência para essa finalidade.

 

Além disso, o levantamento mostra que 95,7% dos cidadãos do país com acesso à Web valiam-se da rede para enviar ou receber mensagens de texto e de voz ou imagens por aplicativos.

 

Christina Queiroz. Revista Pesquisa FAPESP. Edição 316, jun. 2022.

Texto CB2A1

   

No texto CB2A1, o segmento “às redes sociais”

  1. Adelimita o sentido da forma verbal “destacar”.
  2. Bacrescenta informação ao sentido da forma verbal “destacar”.
  3. Cmodifica o sentido da forma verbal “destacar”.
  4. Dcomplementa o sentido do vocábulo “acesso”.
  5. Eatribui características ao vocábulo “acesso”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — complementa o sentido do vocábulo “acesso”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática de "às redes sociais"

Gabarito: letra D. O segmento "às redes sociais" complementa o sentido do vocábulo "acesso", funcionando como complemento nominal. No texto, lê-se: "o acesso às redes sociais pode ser visto como mais democrático". O substantivo abstrato "acesso" exige um complemento preposicionado para ter seu sentido completo — quem tem acesso, tem acesso a algo — e "às redes sociais" cumpre exatamente esse papel, com valor passivo (as redes sociais são o alvo do acesso).

A questão cobra a distinção clássica entre adjunto adnominal e complemento nominal, dois termos que, quando preposicionados e ligados a um substantivo abstrato, confundem o candidato. A chave está em dois critérios: (1) o complemento nominal é exigido pelo nome (o substantivo "acesso" pede o complemento), enquanto o adjunto adnominal é acessório; (2) o complemento nominal tem valor passivo (as redes sociais são o alvo, o paciente do acesso), enquanto o adjunto adnominal tem valor ativo (o termo pratica a ação).

"Ao destacar que o acesso às redes sociais pode ser visto como mais democrático"

O trecho prova que "às redes sociais" não é um mero detalhe descartável: sem ele, a frase "o acesso pode ser visto como mais democrático" fica semanticamente incompleta — acesso a quê? Essa exigência é a marca do complemento nominal. Além disso, o termo é introduzido pela preposição "a" (contraída com o artigo "as"), e a preposição é gramatical, ou seja, exigida pelo nome "acesso", não facultativa como ocorre no adjunto adnominal (ex.: "mulher de branco" — a preposição "de" é nocional, acrescenta uma característica sem ser exigida).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre complemento nominal e adjunto adnominal. As alternativas A, B e C tentam atrair o candidato para a ideia de que "às redes sociais" modifica o verbo "destacar" — o que é falso, pois o termo está ligado ao substantivo "acesso", não ao verbo. A alternativa E, por sua vez, usa o verbo "atribuir características", típico do adjunto adnominal, para induzir ao erro.

Critério

Adjunto Adnominal

Complemento Nominal

Exigência

Acessório (facultativo)

Exigido pelo nome

Valor semântico

Ativo (pratica a ação)

Passivo (alvo da ação)

Substituição

Por adjetivo

Não substituível

Preposição

Nocional (facultativa)

Gramatical (exigida)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O segmento "às redes sociais" não delimita o sentido da forma verbal "destacar". O verbo "destacar" tem como complemento a oração "que o acesso às redes sociais pode ser visto como mais democrático" — ou seja, quem destaca, destaca algo (a oração inteira). O termo "às redes sociais" está dentro dessa oração, mas ligado ao substantivo "acesso", não ao verbo. A alternativa tangencia o texto ao apontar para o verbo quando o termo em questão se liga a um nome.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O segmento não acrescenta informação ao sentido da forma verbal "destacar". Acrescentar informação ao verbo seria função de um adjunto adverbial (ex.: "destacou claramente"), o que não ocorre aqui. O termo "às redes sociais" está sintaticamente subordinado ao substantivo "acesso", e não ao verbo. A alternativa extrapola ao atribuir ao termo uma função que ele não exerce na estrutura da oração.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O segmento não modifica o sentido da forma verbal "destacar". Modificar o sentido do verbo seria papel de um adjunto adverbial (ex.: "destacou com entusiasmo"), o que não se verifica. O termo "às redes sociais" é um complemento do nome "acesso", e não um modificador do verbo. A alternativa contradiz a estrutura sintática do período, pois desloca o termo de seu núcleo real.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O segmento "às redes sociais" complementa o sentido do vocábulo "acesso". O substantivo "acesso" é abstrato e exige um complemento preposicionado para ter sentido completo — quem tem acesso, tem acesso a algo. O termo "às redes sociais" é introduzido pela preposição "a" (gramatical, exigida pelo nome) e tem valor passivo: as redes sociais são o alvo, o paciente do acesso. Isso configura complemento nominal, como se lê no trecho: "o acesso às redes sociais pode ser visto como mais democrático".

Alternativa E — ❌ Incorreta

O segmento não atribui características ao vocábulo "acesso". Atribuir características seria função de um adjunto adnominal (ex.: "acesso rápido"), que tem valor ativo e é substituível por um adjetivo. "Às redes sociais" não é uma característica do acesso, mas o alvo dele — as redes sociais são o termo sobre o qual recai a ação de acessar. A alternativa troca o conceito: confunde complemento nominal (valor passivo) com adjunto adnominal (valor ativo).

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir adjunto adnominal de complemento nominal, pergunte: o termo é exigido pelo nome? Tem valor passivo (é o alvo da ação)? Se sim, é complemento nominal. Se é acessório, tem valor ativo e pode ser substituído por um adjetivo, é adjunto adnominal.

Gabarito: letra D — o segmento "às redes sociais" é complemento nominal do substantivo abstrato "acesso", pois é exigido por ele, vem preposicionado e tem valor passivo.

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