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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce401943
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Pref Joinville
Ano
2024
Cargo
Prof ( )

Acho que foi em 1995 que o então presidente de Portugal me deu uma condecoração que muito me orgulha: a da Ordem do Infante Dom Henrique. No momento em que lhe agradeci a honraria, Mário Soares me convidou a ir a Portugal. Respondi que, não gostando de viajar, nunca saíra do Brasil, mas, que, se, um dia, isso viesse a acontecer, minha preferência seria por Portugal, por ser, entre os países da Europa, “o único onde o povo tem o bom senso de falar português”.

 

Pode-se imaginar, então, como fico preocupado ao ver a língua portuguesa desfigurada, como está acontecendo. Sei perfeitamente que um idioma é uma coisa viva e pulsante. Não queremos isolar o português, que, como acontece com qualquer outra língua, se enriquece com as palavras e expressões das outras. Todavia, elas devem ser adaptadas à forma e ao espírito do idioma que as acolhe. Somente assim é que deixam de ser mostrengos que nos desfiguram e se transformam em incorporações que nos enriquecem.

 

Cito um caso, para exemplificar: no país onde se joga o melhor futebol do mundo, traduziram, e bem, a palavra inglesa goal por gol, mas estão escrevendo seu plural de maneira errada, gols (e não gois, como é exigido, ao mesmo tempo, pelo bom gosto, pelo espírito e pela forma da nossa língua). E isso em um setor em que, para substituir os vocábulos estrangeiros, foram adotadas palavras tão boas quanto zaga, escanteio e impedimento, entre outras.

 

Ariano Suassuna. Folha de S. Paulo, 5/4/2000 (com adaptações).

Texto 10A1

 

No texto 10A1, a exemplificação do que o autor denomina de “língua portuguesa desfigurada” refere-se

  1. Aà sintaxe de regência nominal.
  2. Bà separação de sílaba das palavras.
  3. Cà acentuação gráfica e tônica das palavras.
  4. Dà flexão gramatical de número de substantivos.
  5. Eao processo de formação de palavras derivadas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — à flexão gramatical de número de substantivos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A exemplificação da “língua portuguesa desfigurada”

Gabarito: letra D. A exemplificação do autor refere-se à flexão gramatical de número de substantivos, pois o único caso concreto citado é o plural de “gol”: o texto afirma que se escreve “gols” quando o correto seria “gois”. A passagem que ancora essa leitura está no 3º parágrafo, quando o autor critica exatamente a grafia do plural.

“estão escrevendo seu plural de maneira errada, gols (e não gois, como é exigido, ao mesmo tempo, pelo bom gosto, pelo espírito e pela forma da nossa língua)”

A questão pede compreensão (o que o texto afirma), não inferência. Basta localizar o exemplo dado pelo autor e identificar a que fenômeno linguístico ele pertence. O autor não fala de regência, de separação silábica, de acentuação nem de derivação — fala, exclusivamente, da variação de número (singular → plural) de um substantivo.

O comando e o método

O enunciado pergunta “a exemplificação do que o autor denomina de ‘língua portuguesa desfigurada’ refere-se”. Isso é uma questão de compreensão: a resposta está explícita no texto, não precisa ser deduzida. O candidato deve localizar o exemplo (o plural de “gol”) e classificá-lo gramaticalmente. A técnica é: sublinhe o exemplo, identifique o fenômeno (mudança de número) e compare com as alternativas.

O texto e o movimento argumentativo

O autor inicia elogiando Portugal e a língua portuguesa, mas logo expressa preocupação com a “desfiguração” do idioma. Ele defende que palavras estrangeiras devem ser adaptadas “à forma e ao espírito do idioma que as acolhe”. Para ilustrar, cita o caso de “goal” → “gol”, criticando o plural “gols” em vez de “gois”. O ponto central é a flexão de número: o substantivo “gol” deveria seguir o padrão de plural dos substantivos terminados em “l” (como “anzol” → “anzóis”, “farol” → “faróis”).

A regra gramatical aplicada

A flexão de número é um mecanismo morfológico que indica singular ou plural. No caso de substantivos terminados em “l”, o plural geralmente troca o “l” por “is” (ex.: “animal” → “animais”, “papel” → “papéis”). O autor defende que “gol” deveria seguir essa regra, resultando em “gois”. A alternativa D captura exatamente isso: flexão gramatical de número de substantivos.

O gancho para as alternativas

Teste cada alternativa perguntando: o texto menciona esse fenômeno? Se não, está errada. A única que corresponde ao exemplo é a D.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa fala em “sintaxe de regência nominal”, que trata da relação entre um nome e seus complementos (ex.: “obediente a”, “amor a”). O texto não menciona nenhuma relação de regência. O exemplo citado é puramente morfológico (plural de substantivo), não sintático. Erro: tangenciou o tema — trouxe um assunto gramatical que não aparece no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa fala em “separação de sílaba das palavras”. O texto não discute divisão silábica em nenhum momento. O exemplo do plural de “gol” não envolve sílabas. Erro: tangenciou o tema — fenômeno fonológico ausente no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa fala em “acentuação gráfica e tônica das palavras”. O texto não menciona acentos nem tonicidade. O plural de “gol” não tem relação com acentuação. Erro: tangenciou o tema — fenômeno fonológico/ortográfico ausente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa D é a única que corresponde ao exemplo. O texto critica o plural “gols”, defendendo “gois”, o que é uma questão de flexão de número do substantivo “gol”. A passagem citada no início comprova: “estão escrevendo seu plural de maneira errada”. Correta — identifica o fenômeno exato.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa fala em “processo de formação de palavras derivadas”. O texto não trata de derivação (prefixos, sufixos). O exemplo é de flexão, não de formação de nova palavra. Erro: troca de conceito — confunde flexão com derivação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece alternativas de outros fenômenos gramaticais (regência, acentuação, derivação) para confundir o candidato que não localiza o exemplo exato. A chave é identificar que o autor fala de plural, ou seja, de variação de número.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, sublinhe o exemplo dado pelo autor e pergunte: “que regra gramatical está sendo aplicada?”. Isso evita cair em alternativas que parecem plausíveis, mas não têm base no texto.

Gabarito: letra D — a exemplificação refere-se à flexão gramatical de número de substantivos.

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