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Questão de Português — Orações Subordinadas Adverbiais — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsOrações Subordinadas Adverbiais
Código
ce401945
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Pref Joinville
Ano
2024
Cargo
Prof ( )

Acho que foi em 1995 que o então presidente de Portugal me deu uma condecoração que muito me orgulha: a da Ordem do Infante Dom Henrique. No momento em que lhe agradeci a honraria, Mário Soares me convidou a ir a Portugal. Respondi que, não gostando de viajar, nunca saíra do Brasil, mas, que, se, um dia, isso viesse a acontecer, minha preferência seria por Portugal, por ser, entre os países da Europa, “o único onde o povo tem o bom senso de falar português”.

 

Pode-se imaginar, então, como fico preocupado ao ver a língua portuguesa desfigurada, como está acontecendo. Sei perfeitamente que um idioma é uma coisa viva e pulsante. Não queremos isolar o português, que, como acontece com qualquer outra língua, se enriquece com as palavras e expressões das outras. Todavia, elas devem ser adaptadas à forma e ao espírito do idioma que as acolhe. Somente assim é que deixam de ser mostrengos que nos desfiguram e se transformam em incorporações que nos enriquecem.

 

Cito um caso, para exemplificar: no país onde se joga o melhor futebol do mundo, traduziram, e bem, a palavra inglesa goal por gol, mas estão escrevendo seu plural de maneira errada, gols (e não gois, como é exigido, ao mesmo tempo, pelo bom gosto, pelo espírito e pela forma da nossa língua). E isso em um setor em que, para substituir os vocábulos estrangeiros, foram adotadas palavras tão boas quanto zaga, escanteio e impedimento, entre outras.

 

Ariano Suassuna. Folha de S. Paulo, 5/4/2000 (com adaptações).

Texto 10A1

 

Sem prejuízo da correção gramatical e da coerência do texto 10A1, a expressão “não gostando” poderia ser substituída por

  1. Aeu não gosto.
  2. Bse não gostar.
  3. Ccomo não gosto.
  4. Dmesmo que eu não gosto.
  5. Ecaso eu não gostasse
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — como não gosto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de "não gostando" por oração desenvolvida

Gabarito: letra C. A expressão "não gostando" é uma oração subordinada adverbial causal reduzida de gerúndio, e a única alternativa que a converte em oração desenvolvida preservando o sentido de causa é "como não gosto". No texto, o trecho "Respondi que, não gostando de viajar, nunca saíra do Brasil" indica que o fato de não gostar de viajar é o motivo pelo qual nunca saiu do Brasil — relação que a conjunção "como" (causal) mantém integralmente.

"Respondi que, não gostando de viajar, nunca saíra do Brasil"

A oração reduzida de gerúndio "não gostando" equivale a "como não gosto de viajar" (causa) ou "já que não gosto de viajar". As demais alternativas alteram a relação semântica (condição, concessão) ou cometem erro gramatical, como se verá.

O comando e o que ele exige

A questão pede uma substituição sem prejuízo da correção gramatical e da coerência. Isso significa que a alternativa correta deve:

  1. Preservar o sentido da oração original (causa);

  2. Manter a correção gramatical (concordância, tempo verbal, regência);

  3. Manter a coerência com o restante do período.

O verbo "gostar" está no presente do indicativo na fala do autor ("não gostando" refere-se a um estado permanente, não a uma hipótese). A substituição deve, portanto, manter o presente e a relação de causa.

A técnica: identificar o valor da oração reduzida

O gerúndio "não gostando" é uma oração subordinada adverbial reduzida de gerúndio. As orações reduzidas não trazem conjunção, e o verbo aparece numa forma nominal (gerúndio, particípio ou infinitivo). Para desenvolvê-las, é preciso identificar a circunstância que expressam e escolher a conjunção adequada. No contexto, "não gostando de viajar" explica por que o autor nunca saiu do Brasil: é uma causa. A conjunção causal típica é "porque", mas "como" também é causal quando vem no início da oração (como aqui). Outras conjunções causais: "já que", "visto que", "uma vez que".

Cuidado com a pegadinha: a banca adora oferecer alternativas com condição ("se", "caso") e concessão ("mesmo que"), que mudam completamente o sentido. Condição = hipótese que pode ou não ocorrer; concessão = fato que se opõe, mas não impede. Causa = motivo real e efetivo. No texto, o autor realmente não gosta de viajar (é um fato, não uma hipótese), e isso é o motivo da sua resposta.

Análise das alternativas

  1. 1Identificar a circunstância (causa, condição...)
  2. 2Escolher a conjunção adequada
  3. 3Ajustar o verbo ao tempo/modo correto
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca a relação de causa por uma coordenação aditiva (justaposição). "Eu não gosto" é uma oração coordenada assindética, que apenas soma a informação, sem indicar que é o motivo de "nunca saíra do Brasil". O texto diz que o não gostar de viajar é a causa de nunca ter saído; a alternativa A elimina essa relação, tornando o período incoerente (parece que os dois fatos são independentes). Além disso, a vírgula antes de "eu não gosto" não é suficiente para estabelecer a relação causal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: transforma a causa em condição. "Se não gostar" (futuro do subjuntivo) indica uma hipótese que pode ou não se realizar. No texto, o autor não gosta de viajar (fato presente), e isso é o motivo real da sua resposta. A condicional "se não gostar" sugere que o fato é incerto, o que contradiz o texto. Além disso, o tempo verbal (futuro do subjuntivo) não corresponde ao presente do original.

Alternativa C — ✅ Correta

Gabarito. "Como não gosto" é uma oração subordinada adverbial causal desenvolvida, introduzida pela conjunção "como" (causal, equivalendo a "já que", "porque"). Mantém o presente do indicativo ("gosto") e a relação de causa com a oração principal "nunca saíra do Brasil". A substituição preserva a correção gramatical e a coerência, pois o sentido é exatamente o mesmo: o não gostar de viajar é o motivo de nunca ter saído do Brasil.

"Respondi que, como não gosto de viajar, nunca saíra do Brasil"

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: usa a conjunção concessiva "mesmo que" com verbo no presente do indicativo ("gosto"), o que é gramaticalmente incorreto — "mesmo que" exige o subjuntivo ("goste"). Além disso, o sentido de concessão ("mesmo que eu não goste, ainda assim...") é oposto ao de causa do original. O texto afirma que o não gostar é o motivo, não uma objeção que seria superada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: transforma a causa em condição com verbo no pretérito imperfeito do subjuntivo ("gostasse"). "Caso eu não gostasse" indica uma hipótese passada ou irreal, o que não corresponde ao fato presente e real de o autor não gostar de viajar. Além disso, o tempo verbal não se alinha ao presente do original, quebrando a coerência temporal.

Conclusão

A questão testa a conversão de oração reduzida em desenvolvida, exigindo que se identifique a circunstância (causa) e se escolha a conjunção adequada, mantendo o tempo verbal. A única alternativa que faz isso é a letra C.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir uma oração reduzida, pergunte: "que circunstância ela expressa?" (causa, condição, concessão, tempo...). Depois, escolha a conjunção correspondente e ajuste o verbo ao tempo adequado. Desconfie de alternativas que mudam a circunstância ou o modo verbal.

Gabarito: letra C

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