Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — CESPE / CEBRASPE 2024
Português›Tipologia e Gênero Textual
Código
ce401957
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Pref Joinville
Ano
2024
Cargo
Aux ( )
As discussões sobre o uso da tecnologia na educação já acontecem há alguns anos e foram potencializadas após a pandemia de covid-19 e, mais recentemente, pelo Relatório de Monitoramento Global da Educação publicado pela UNESCO em 2023.
A infoexclusão é um ponto de atenção no relatório. Embora o Brasil tenha iniciativas de distribuição de equipamentos de informática nas escolas, quem está conectado à Internet não necessariamente está digitalmente incluído. Além da democratização do acesso e disponibilização de infraestrutura, é necessário o multiletramento.
Nesse contexto, a visão dicotômica dos smartphones como heróis ou vilões deve ser discutida. O relatório da UNESCO revela que um em cada quatro países já proibiu ou restringiu o uso de smartphones nas salas de aulas, alegando dispersão e prejuízos para a aprendizagem. Além disso, preocupam questões éticas, como gravação de aulas ou uso de imagens sem autorização, falta de controle ao que os alunos possam acessar, cyberbullying, exposição a conteúdos inapropriados, acesso a fake news, entre outras.
No entanto, simplesmente proibir o uso de smartphones nas escolas segue na contramão do que vislumbramos para a formação dos estudantes nos dias atuais. Eles precisam aprender a evitar o uso nocivo da tecnologia, desenvolvendo noções básicas em favor do seu uso acadêmico e cidadão.
Enfrentamos na contemporaneidade inúmeros desafios no que se refere à tecnologia aplicada à educação. Entretanto, vislumbramos, a partir do uso ético e criativo da tecnologia educacional, uma potência que não pode ser desconsiderada.
Érica Ramos Rocha Silva. Possibilidades
da tecnologia na educação. Internet: <www.correio24horas.com.br> (com adaptações).
Texto CB2A1
Quanto ao gênero textual, o texto CB2A1 pode ser caracterizado corretamente como
Aum artigo de divulgação científica.
Buma notícia.
Cuma reportagem jornalística.
Dum editorial.
Eum artigo de opinião.
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GabaritoE — um artigo de opinião.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Gênero textual do texto sobre tecnologia na educação
Gabarito: letra E. O texto é um artigo de opinião, pois apresenta uma tese pessoal — a de que a proibição dos smartphones nas escolas é equivocada e que o caminho é o uso ético e criativo da tecnologia — e a defende com argumentos, como se vê no trecho: “simplesmente proibir o uso de smartphones nas escolas segue na contramão do que vislumbramos para a formação dos estudantes nos dias atuais”. A presença de uma opinião autoral, com verbos em primeira pessoa do plural (“vislumbramos”, “precisam”), e a estrutura dissertativo-argumentativa (tese, desenvolvimento, conclusão) afastam os gêneros informativos e o editorial.
O comando
A questão pede a classificação do gênero textual — não a tipologia (narrativo, descritivo etc.), mas o gênero, ou seja, a forma concreta que o texto assume na comunicação, definida pela intenção do autor e pelo contexto de circulação. Para resolver, é preciso identificar se o texto informa (notícia, reportagem), opina institucionalmente (editorial) ou opina pessoalmente (artigo de opinião). A distinção entre esses gêneros é o coração da questão.
O texto
O texto discute o uso de tecnologia na educação, citando a UNESCO e o Relatório de Monitoramento Global da Educação. No segundo parágrafo, apresenta a infoexclusão como ponto de atenção. No terceiro, expõe a visão dicotômica dos smartphones como heróis ou vilões e menciona que um em cada quatro países já proibiu ou restringiu o uso nas salas de aula. No quarto parágrafo, o autor toma posição: “simplesmente proibir o uso de smartphones nas escolas segue na contramão do que vislumbramos para a formação dos estudantes nos dias atuais”. No quinto, conclui defendendo o “uso ético e criativo da tecnologia educacional”. Essa progressão — apresentar o tema, expor o contexto, posicionar-se e defender a posição — é típica do artigo de opinião.
A técnica que decide
O artigo de opinião é um gênero jornalístico opinativo e autoral: um especialista ou colunista assina o texto e defende um ponto de vista sobre um tema atual, com argumentos. O editorial também é opinativo, mas representa a opinião institucional do veículo — não é assinado e usa a primeira pessoa do plural de forma impessoal (“acreditamos”, “defendemos”). A notícia e a reportagem são gêneros informativos: buscam relatar fatos com objetividade, sem juízo de valor. O texto em questão é assinado (Érica Ramos Rocha Silva) e traz marcas de autoria (“vislumbramos”, “precisam”), o que o caracteriza como artigo de opinião, não editorial.
PEGA ESSA DICA!
Para distinguir artigo de opinião de editorial, pergunte: quem está opinando? Se é uma pessoa física, assinando o texto, é artigo de opinião; se é o jornal/revista, institucionalmente, é editorial.
Gêneros jornalísticos
1Opinativos
Artigo de opinião
Autoral (assinado)
Defende tese pessoal
Editorial
Institucional (não assinado)
Opinião do veículo
2Informativos
Notícia
Relata fato atual
Objetiva e impessoal
Reportagem
Aprofunda com apuração
Mantém objetividade
Divulgação científica
Explica ciência ao leigo
Sem tese pessoal
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Artigo de divulgação científica é um gênero que traduz conhecimento científico para o público leigo, com linguagem acessível, mas sem defender uma tese pessoal — seu foco é explicar descobertas e conceitos. O texto, embora cite a UNESCO, não tem esse propósito: ele opina sobre a proibição dos smartphones, defendendo o uso ético. A alternativa tangencia o tema (tecnologia na educação) mas erra a intenção do texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Notícia é um gênero informativo que relata um fato atual, de forma objetiva e impessoal, com estrutura de lead (o quê, quem, quando, onde, como, por quê). O texto não relata um fato específico; ele discute um tema e defende uma posição. A presença de opinião explícita (“segue na contramão”) contradiz a imparcialidade da notícia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Reportagem jornalística é um gênero informativo mais aprofundado que a notícia, com apuração, entrevistas e dados, mas mantém a objetividade — não defende uma tese pessoal. O texto, embora cite dados da UNESCO, não se limita a informar: ele argumenta a favor do uso ético da tecnologia. A alternativa restringe o texto a uma função que ele não cumpre integralmente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Editorial é um gênero opinativo, mas representa a opinião institucional do veículo — não é assinado e usa a primeira pessoa do plural de forma impessoal. O texto é assinado por Érica Ramos Rocha Silva e traz marcas de autoria individual (“vislumbramos”, “precisam”), o que o afasta do editorial. A alternativa confunde opinião pessoal com opinião institucional.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O texto é um artigo de opinião: é assinado, defende uma tese (a proibição dos smartphones é equivocada) e a sustenta com argumentos (a necessidade do multiletramento, o uso ético e criativo). A estrutura dissertativo-argumentativa — apresentação do tema, contextualização, posicionamento e conclusão — é característica desse gênero. O trecho decisivo é:
“simplesmente proibir o uso de smartphones nas escolas segue na contramão do que vislumbramos para a formação dos estudantes nos dias atuais”
Aqui o autor opina e defende seu ponto de vista, o que é a marca do artigo de opinião.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre gêneros opinativos (artigo de opinião × editorial) e entre informativos (notícia, reportagem). A chave é a autoria: texto assinado por pessoa física = artigo de opinião; texto institucional = editorial.