Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2024
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce401966
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Pref Joinville
Ano
2024
Cargo
Aux ( )
No caso de uma criança com menos de dez anos — entenda-se aqui o nível de maturidade, e não a idade —, o professor deve preocupar-se principalmente para que ela não seja importunada no seu brincar e nas suas experiências. Ensiná-la não faz sentido, pois, nessa idade narcisista, ela responde a cada interferência fugindo da realização da atividade. Nessa idade, desenhar e pintar são os seus principais meios de expressão.
A partir dos 10 anos, a criança começa a ficar insatisfeita com seus modos de expressão; o ambiente mais amplo ganha sentido para ela — não mais como aquele que existia em sua fantasia, mas como é na realidade —, e só então pode ser instaurado o “ensino da forma”, que não deve, porém, encobrir a sua espontaneidade expressiva. As técnicas de desenho e pintura devem ser apresentadas à criança conforme suas necessidades. Tamanhos, relações entre tamanhos (proporção), ritmo, claro, escuro, escultura, espaço, cor e o valor de expressão do exagero, da sutileza e da composição. Os elementos com os quais a criança opera são por natureza os mesmos da “grande arte” e levam a criança, por si mesma, a ter consciência deles, abrindo o caminho da “grande arte” para ela.
Friederike Brandeis. O desenhar
das crianças. In: Cadernos CEDES, v. 42, n.º 116, 2022, p. 122 (com adaptações).
Texto CB2A2
Seriam mantidas a correção gramatical e a coerência das ideias do texto CB2A2 caso os vocábulos “pois” e “conforme” fossem substituídos, respectivamente, por
Aà proporção que e consoante.
Bà medida que e segundo.
Ccomo e conseguinte.
Dporque e de acordo com.
Ehaja visto que e tal qual.
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GabaritoD — porque e de acordo com.
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Substituição de conectivos: “pois” e “conforme”
Gabarito: letra D. A substituição de “pois” por “porque” e de “conforme” por “de acordo com” preserva a correção gramatical e a coerência, pois ambos os pares mantêm, respectivamente, o valor causal e o valor conformativo que os conectivos originais têm no texto. Como se lê no 1º parágrafo, “Ensiná-la não faz sentido, pois, nessa idade narcisista, ela responde a cada interferência fugindo da realização da atividade” — o “pois” explica o motivo de não fazer sentido ensinar; e, no 2º parágrafo, “As técnicas de desenho e pintura devem ser apresentadas à criança conforme suas necessidades” — o “conforme” indica o critério/modo de apresentação.
O comando pede uma reescritura sem alteração de sentido: a tarefa é encontrar, entre os pares oferecidos, aquele em que cada conectivo seja sinônimo funcional do original, mantendo a relação lógica entre as orações. Não se trata de interpretar o texto, mas de reconhecer o valor semântico dos conectivos e testar se a troca preserva a coerência. A banca mistura conectivos de valores diferentes (proporcional, conformativo, causal, conclusivo) para testar exatamente isso.
O texto tem dois movimentos: no 1º parágrafo, afirma-se que ensinar a criança de menos de dez anos “não faz sentido” e, em seguida, apresenta-se a justificativa (“pois, nessa idade narcisista, ela responde a cada interferência fugindo da realização da atividade”). O “pois” é, portanto, uma conjunção causal/explicativa — introduz o motivo da afirmação anterior. No 2º parágrafo, diz-se que as técnicas “devem ser apresentadas à criança conforme suas necessidades” — o “conforme” é uma conjunção conformativa, que expressa acordo, modo ou critério. A substituição correta precisa manter esses dois valores.
A técnica decisiva é classificar o conectivo original e testar cada par: o primeiro conectivo da alternativa deve ser causal (como “pois”), e o segundo deve ser conformativo (como “conforme”). “Porque” é a conjunção causal por excelência; “de acordo com” é locução prepositiva conformativa, sinônima de “conforme”. Nenhum outro par combina os dois valores corretamente: “à proporção que” e “à medida que” são proporcionais; “como” pode ser conformativo, mas “conseguinte” não existe como conectivo autônomo (o correto seria “consequentemente”); “segundo” e “consoante” são conformativos, mas “à medida que” é proporcional; “haja visto que” é uma forma incorreta de “haja vista que” (e mesmo assim seria causal, não conformativo), e “tal qual” é comparativo.
O gancho para acertar: teste cada alternativa perguntando “qual é o valor do conectivo original e qual é o valor do substituto?” — se os valores coincidirem, a troca preserva a coerência; se divergirem, a alternativa está errada, ainda que o conectivo substituto seja gramaticalmente válido em outro contexto.
“consoante” (conformativo, mas par inválido), “segundo” (conformativo, mas par inválido), “conseguinte” (inexistente), “tal qual” (comparativo)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O par “à proporção que” e “consoante” falha no primeiro conectivo: “à proporção que” é locução proporcional (indica simultaneidade/proporção), enquanto “pois” é causal. A troca alteraria a relação lógica: em vez de explicar o motivo, passaria a indicar uma proporção entre os fatos. O segundo (“consoante”) é conformativo e seria aceitável, mas o par inteiro precisa estar correto. Erro: troca de valor semântico do conectivo (causal → proporcional).
Alternativa B — ❌ Incorreta
O par “à medida que” e “segundo” também falha no primeiro conectivo: “à medida que” é proporcional, não causal. Substituir “pois” por “à medida que” quebraria a coerência, pois a oração deixaria de ser a causa e passaria a ser uma proporção. O segundo (“segundo”) é conformativo e seria aceitável, mas o par não é válido. Erro: troca de valor semântico do conectivo (causal → proporcional).
Alternativa C — ❌ Incorreta
O par “como” e “conseguinte” falha no segundo conectivo: “conseguinte” não existe como conjunção ou locução autônoma — a forma correta seria “consequentemente” (advérbio conclusivo). Além disso, “como” só seria conformativo em contextos específicos (ex.: “como foi dito”), mas aqui a substituição de “pois” por “como” mudaria o valor para conformativo/comparativo, não causal. Erro: vocábulo inexistente + troca de valor semântico.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O par “porque” e “de acordo com” preserva integralmente os valores originais. No texto, “pois” introduz a causa de “Ensiná-la não faz sentido” — e “porque” é a conjunção causal por excelência, mantendo a relação de explicação. Já “conforme” indica o critério/modo de apresentação das técnicas — e “de acordo com” é locução prepositiva conformativa, sinônima perfeita. A reescrita ficaria: “Ensiná-la não faz sentido, porque, nessa idade narcisista, ela responde a cada interferência fugindo da realização da atividade” e “As técnicas de desenho e pintura devem ser apresentadas à criança de acordo com suas necessidades”. Correção gramatical e coerência plenamente mantidas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O par “haja visto que” e “tal qual” falha duplamente. “Haja visto que” é uma forma incorreta — o correto é “haja vista que” (e, mesmo assim, seria uma locução causal, não conformativa). “Tal qual” é locução comparativa (indica comparação, não conformidade), o que alteraria o sentido de “conforme”. Erro: forma incorreta + troca de valor semântico (conformativo → comparativo).
PEGA ESSA DICA!
Ao substituir conectivos, classifique o valor do original antes de olhar as alternativas — causal, conformativo, proporcional, conclusivo etc. — e elimine os pares que não preservam esse valor. A banca adora misturar conectivos de valores diferentes para testar exatamente isso.
Gabarito: letra D — única em que ambos os conectivos mantêm, respectivamente, o valor causal de “pois” e o valor conformativo de “conforme”.