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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce401999
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC PE
Ano
2024
Cargo
Esc Pol ( )

Quando se trata de obesidade, é importante ter em mente que vivemos um grave problema de saúde pública. Dados de 2019 do Ministério da Saúde apontam que cerca de 50% da população possuem excesso de peso (ou seja, têm índice de massa corporal — IMC — maior que 25) e 20% da população são obesos (IMC maior que 30).

 

As pesquisas são claras ao dizer que há correlação entre a condição de sobrepeso e de obesidade e a mortalidade por doenças cardíacas. Por isso, não é correto dizer que está tudo bem se a obesidade no país aumentar drasticamente. Mas, nesse contexto, muitas pessoas se amparam em um discurso médico para lembrar constantemente a toda pessoa gorda que ela precisa urgentemente emagrecer, o que também não é correto.

 

Médicos e nutricionistas garantem que é perfeitamente possível uma pessoa gorda ser mais saudável que uma pessoa magra. Magreza não é sinônimo de saúde, e não só gordos têm diabetes, hipertensão, problemas cardíacos e problemas articulares.

 

O excesso de peso e a obesidade têm diversas causas, como fatores genéticos, fisiológicos, sociais, psicológicos e nutricionais. Portanto, quando alguém diz a uma pessoa gorda que ela é assim porque quer ou porque não se esforça para emagrecer, está ignorando uma série de fatores que podem dificultar muito esse processo. Além disso, uma pessoa pode perder peso tomando remédios fortes, submetendo-se a cirurgias, adotando dietas agressivas ou longos períodos de jejum. Mas isso não significa que a saúde melhore.

 

O consumo excessivo de açucarados e de baixa qualidade nutricional é um fator importante para o crescimento da obesidade. Se os pais de uma criança permitem que ela tenha uma rotina mais sedentária, tenha como fonte de lazer o celular, o videogame, o computador e a televisão, e coma muitos produtos açucarados, ela pode adquirir sobrepeso ou mesmo obesidade. A genética, o meio social, a condição psicológica e até o desmame precoce são alguns dos fatores que também podem influenciar esse processo.

 

Os fiscais do corpo alheio que se convencem de que estão apenas incentivando as pessoas a emagrecerem podem não estar ajudando em nada. O estigma social em torno do corpo gordo leva as pessoas a buscar medidas extremas, não para alcançar a saúde, mas a magreza. Disso decorrem diversos transtornos alimentares e até o próprio agravamento da obesidade.

 

Uma pesquisa identificou que cerca de 65% dos executivos têm objeções à contratação de profissionais obesos. A vida das pessoas gordas é minada por diversas perdas de direitos. Se essas pessoas são privadas de dignidade, de acesso pleno aos sistemas de saúde e de concorrência justa aos postos de trabalho e submetidas a chacotas e opressões que deterioram sua autoestima e saúde mental, é no mínimo perverso dizer que elas são culpadas pela própria obesidade. Quem deve dizer se o excesso de peso de uma pessoa é um problema para a saúde dela é um profissional de saúde, amparado por tantos exames quanto forem necessários.

 

Lucas Mascarenhas de Miranda. Gordofobia na tela: um reflexo da sociedade. In: Ciência Hoje, ed. 385, mar./2022, p. 10-12 (com adaptações).

Texto

   

Cada uma das opções a seguir apresenta uma proposta de reorganização da estrutura do seguinte período do quarto parágrafo do texto: “Portanto, quando alguém diz a uma pessoa gorda que ela é assim porque quer ou porque não se esforça para emagrecer, está ignorando uma série de fatores que podem dificultar muito esse processo.”. Assinale a opção em que a proposta apresentada mantém a correção gramatical e o sentido do texto.

  1. AQuando alguém diz a uma pessoa gorda que ela é assim porque quer ou porque não se esforça para emagrecer, está, portanto, ignorando uma série de fatores que podem dificultar muito esse processo.
  2. BPortanto, alguém quando diz a uma pessoa gorda que ela é assim, porque quer ou porque não se esforça para emagrecer, está ignorando uma série de fatores que podem dificultar muito esse processo.
  3. CPortanto quando alguém diz a uma pessoa gorda que ela é assim, porque quer ou porque não se esforça para emagrecer, está ignorando uma série de fatores, que podem dificultar muito esse processo.
  4. DQuando alguém diz a uma pessoa gorda que ela é assim porque quer, ou porque não se esforça para emagrecer, está ignorando uma série de fatores, que podem, portanto, dificultar muito esse processo.
  5. EQuando alguém diz a uma pessoa gorda que ela é assim porque quer ou porque não se esforça para emagrecer, está ignorando portanto uma série de fatores que podem dificultar muito esse processo.
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GabaritoA — Quando alguém diz a uma pessoa gorda que ela é assim porque quer ou porque não se esforça para emagrecer, está, portanto, ignorando uma série de fatores que podem dificultar muito esse processo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frases: posição do conectivo e pontuação

Gabarito: letra A. A única reescrita que mantém a correção gramatical e o sentido original é a que desloca o conectivo “portanto” para depois do verbo “está”, sem alterar a relação de conclusão e sem introduzir vírgulas indevidas. O período original é: “Portanto, quando alguém diz a uma pessoa gorda que ela é assim porque quer ou porque não se esforça para emagrecer, está ignorando uma série de fatores que podem dificultar muito esse processo.” A opção A preserva exatamente o mesmo conteúdo e a mesma articulação lógica, apenas reposicionando o conectivo de forma gramaticalmente aceitável.

O comando pede uma reorganização da estrutura que mantenha correção gramatical e sentido. Isso significa que a reescrita deve ser uma paráfrase — mesma ideia, mesma relação lógica entre as partes — e não pode introduzir erro de pontuação, de colocação ou de coesão. O foco está no conectivo “portanto” (conclusivo) e no uso da vírgula.

No texto original, “portanto” inicia o período, estabelecendo uma conclusão em relação ao que foi dito antes (a multiplicidade de causas da obesidade). A oração subordinada adverbial temporal “quando alguém diz...” vem logo depois, e a oração principal é “está ignorando uma série de fatores...”. A vírgula após “Portanto” é obrigatória quando o conectivo abre o período, mas quando ele é deslocado para o interior da oração, a pontuação deve ser ajustada.

A técnica para resolver: teste cada opção perguntando se a vírgula separa elementos que não devem ser separados e se o conectivo mantém seu valor conclusivo. Vírgula entre sujeito e verbo, ou entre verbo e complemento, é erro grave. Além disso, o “portanto” não pode ser isolado por vírgulas de forma que quebre a fluência ou mude o sentido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a posição do conectivo e a pontuação. Em B, a vírgula após “assim” separa o sujeito do verbo; em C, falta vírgula após “Portanto” e há vírgula indevida antes de “que”; em D, a vírgula antes de “que” e o “portanto” deslocado criam uma leitura restritiva errada; em E, falta vírgula após “portanto”.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A opção A desloca “portanto” para depois de “está”, sem vírgulas que quebrem a estrutura: “está, portanto, ignorando”. Essa é uma colocação intercalada do conectivo, perfeitamente aceitável, e mantém o valor conclusivo. A vírgula antes e depois de “portanto” é correta, pois isola um termo deslocado. O restante da frase permanece idêntico ao original, sem qualquer alteração de sentido. Correta porque preserva a relação de conclusão e a correção gramatical.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A opção B coloca “alguém” antes de “quando”, criando a estrutura “alguém quando diz...”. A vírgula após “assim” separa o sujeito “alguém” do verbo “diz”, o que é erro de pontuação (vírgula separando sujeito e verbo). Além disso, a inversão “alguém quando diz” é estranha e quebra a fluência, embora o sentido seja mantido. O erro é gramatical, não de sentido. Incorreta por vírgula indevida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A opção C tem dois problemas: falta a vírgula após “Portanto” (obrigatória quando o conectivo abre o período) e há uma vírgula antes de “que podem dificultar...”. Essa vírgula transforma a oração adjetiva em explicativa, quando no original ela é restritiva (especifica quais fatores). Isso altera o sentido: no original, “uma série de fatores que podem dificultar” indica que apenas esses fatores são relevantes; com a vírgula, passa a ideia de que todos os fatores podem dificultar. Incorreta por pontuação que muda o sentido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A opção D também insere vírgula antes de “que podem dificultar”, tornando a oração explicativa e alterando o sentido (mesmo problema de C). Além disso, desloca “portanto” para o final, antes de “dificultar”, o que é possível, mas a vírgula antes de “que” já compromete a correção. O “portanto” intercalado em “que podem, portanto, dificultar” é gramatical, mas a vírgula indevida antes de “que” é o erro decisivo. Incorreta por pontuação que altera o sentido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A opção E coloca “portanto” após “ignorando”, sem vírgulas: “está ignorando portanto uma série”. O conectivo exige vírgula quando intercalado, pois é um adjunto adverbial deslocado. Sem a vírgula, a leitura fica truncada e gramaticalmente incorreta. O sentido é mantido, mas a correção gramatical falha. Incorreta por falta de vírgula obrigatória.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescrita, desconfie de vírgulas antes de “que” — elas mudam o valor da oração (restritiva × explicativa). E lembre: conectivo intercalado exige vírgulas dos dois lados.

Gabarito: letra A.

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