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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
ce402022
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE TO
Ano
2024
Cargo
Ana Min ( )

Trabalho e educação são atividades especificamente humanas. Isso significa que, rigorosamente falando, apenas o ser humano trabalha e educa. Assim, a pergunta sobre os fundamentos ontológicos da relação trabalho -educação traz imediatamente à mente a questão: quais são as características do ser humano que lhe permitem realizar as ações de trabalhar e de educar? Ou: o que é que está inscrito no ser do humano que lhe possibilita trabalhar e educar?


Perguntas desse tipo pressupõem que o ser humano esteja previamente constituído como ser que possui propriedades que lhe permitem trabalhar e educar. Pressupõe-se, portanto, uma definição de ser humano que indique em que ele consiste, isto é, sua característica essencial a partir da qual se possa explicar o trabalho e a educação como atributos desse ser. E, nesse caso, fica aberta a possibilidade de que trabalho e educação sejam considerados atributos essenciais do ser humano, ou acidentais.


Na definição de ser humano mais difundida (animal racional), o atributo essencial é dado pela racionalidade, consoante o significado clássico de definição estabelecido por Aristóteles: uma definição dá-se pelo gênero próximo e pela diferença específica. Pelo gênero próximo, indica-se aquilo que o objeto definido tem em comum com outros seres de espécies diferentes (no caso em tela, o gênero animal); pela diferença específica, indica-se a espécie, isto é, o que distingue determinado ser dos demais que pertencem ao mesmo gênero (no caso do ser humano, a racionalidade). Consequentemente, sendo o ser humano definido pela racionalidade, é esta que assume o caráter de atributo essencial desse ser.


Ora, assim entendido o ser humano, vê-se que, embora trabalhar e educar possam ser reconhecidos como atributos humanos, eles o são em caráter acidental, e não substancial. Com efeito, o mesmo Aristóteles, considerando como próprio do ser humano o pensar, o contemplar, reputa o ato produtivo, o trabalho, como uma atividade não digna de seres humanos livres.


Diversamente, Bergson, ao analisar o desenvolvimento do impulso vital na obra Evolução criadora, observa que “torpor vegetativo, instinto e inteligência” são os elementos comuns às plantas e aos animais. E, definindo a inteligência pela fabricação de objetos, fenômeno identificado como comum aos animais, encontra no ser humano a particularidade da fabricação de objetos artificiais, o que lhe permite avançar à seguinte conclusão: “Se pudéssemos nos despir de todo orgulho, se, para definir nossa espécie, nos ativéssemos estritamente ao que a história e a pré-história nos apresentam como a característica constante do ser humano e da inteligência, talvez não disséssemos Homo sapiens, mas Homo faber. Em conclusão, a inteligência, encarada no que parece ser o seu empenho original, é a faculdade de fabricar objetos artificiais, sobretudo ferramentas para fazer ferramentas, e de diversificar ao infinito a fabricação delas.”.


Demerval Saviani. Trabalho e educação:

fundamentos ontológicos e históricos. Internet: <www.scielo.br> (com adaptações).

Texto 11A1

 

Em relação às ideias apresentadas no texto 11A1 e às relações de coerência nele presentes, julgue o item que se segue.

 

No quarto e no quinto parágrafos, observa-se uma relação de comparação por analogia entre as ideias de Aristóteles e as de Bergson no que diz respeito às particularidades dos seres humanos em relação aos demais seres vivos.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação entre Aristóteles e Bergson no texto

Gabarito: Errado (E). A afirmativa está incorreta porque, no quarto e quinto parágrafos, não há uma relação de comparação por analogia entre as ideias de Aristóteles e as de Bergson; há, na verdade, uma contraposição entre os dois pensadores. Enquanto Aristóteles define o ser humano pela racionalidade e considera o trabalho uma atividade não digna de seres livres, Bergson o define como Homo faber, destacando a fabricação de objetos artificiais como característica essencial. Essa diferença de enfoque é explicitada no texto, como se vê no trecho:

"Ora, assim entendido o ser humano, vê-se que, embora trabalhar e educar possam ser reconhecidos como atributos humanos, eles o são em caráter acidental, e não substancial. Com efeito, o mesmo Aristóteles, considerando como próprio do ser humano o pensar, o contemplar, reputa o ato produtivo, o trabalho, como uma atividade não digna de seres humanos livres."

E, no parágrafo seguinte, Bergson é apresentado com uma visão diversa:

"Diversamente, Bergson, ao analisar o desenvolvimento do impulso vital na obra Evolução criadora, observa que 'torpor vegetativo, instinto e inteligência' são os elementos comuns às plantas e aos animais. E, definindo a inteligência pela fabricação de objetos, fenômeno identificado como comum aos animais, encontra no ser humano a particularidade da fabricação de objetos artificiais..."

O conectivo "Diversamente" já sinaliza a oposição entre as duas concepções, não uma analogia. Portanto, a relação correta é de contraste/oposição, e não de comparação por analogia.

1Aristóteles
Ser humano = racionalidade
Trabalho: não digno de livres
2Bergson
Ser humano = Homo faber
Fabricação de objetos artificiais
3Relação entre os autores
Oposição (não analogia)
Conectivo "Diversamente"
Aristóteles × Bergson
LEVELsoulevel.com.br
Aristóteles × Bergson: Aristóteles (Ser humano = racionalidade, Trabalho: não digno de livres); Bergson (Ser humano = Homo faber, Fabricação de objetos artificiais); Relação entre os autores (Oposição (não analogia), Conectivo "Diversamente")

Análise da assertiva

A assertiva afirma que "no quarto e no quinto parágrafos, observa-se uma relação de comparação por analogia entre as ideias de Aristóteles e as de Bergson no que diz respeito às particularidades dos seres humanos em relação aos demais seres vivos."

Erro: A relação é de oposição, não de analogia. O texto apresenta Aristóteles e Bergson com visões divergentes sobre o que define o ser humano: para Aristóteles, a racionalidade; para Bergson, a fabricação de objetos artificiais. O uso do advérbio "Diversamente" no início do quinto parágrafo é a pista textual decisiva que marca a contraposição.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que há uma "comparação por analogia" quando, na verdade, há uma oposição entre os dois autores. O termo "Diversamente" é a chave para identificar a relação correta.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar relações entre ideias, atente-se aos conectivos e operadores argumentativos. Palavras como "diversamente", "porém", "contudo" indicam oposição; já "assim como", "da mesma forma" indicam comparação/analogia.

Conclusão: A assertiva está errada, pois a relação entre os parágrafos é de oposição, e não de comparação por analogia. O gabarito é a letra E.

Gabarito: letra E

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