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Questão de Português — Paralelismo — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsParalelismo
Código
ce402030
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE TO
Ano
2024
Cargo
Ana Min ( )

Trabalho e educação são atividades especificamente humanas. Isso significa que, rigorosamente falando, apenas o ser humano trabalha e educa. Assim, a pergunta sobre os fundamentos ontológicos da relação trabalho educação traz imediatamente à mente a questão: quais são as características do ser humano que lhe permitem realizar as ações de trabalhar e de educar? Ou: o que é que está inscrito no ser do humano que lhe possibilita trabalhar e educar?


Perguntas desse tipo pressupõem que o ser humano esteja previamente constituído como ser que possui propriedades que lhe permitem trabalhar e educar. Pressupõe-se, portanto, uma definição de ser humano que indique em que ele consiste, isto é, sua característica essencial a partir da qual se possa explicar o trabalho e a educação como atributos desse ser. E, nesse caso, fica aberta a possibilidade de que trabalho e educação sejam considerados atributos essenciais do ser humano, ou acidentais.


Na definição de ser humano mais difundida (animal racional), o atributo essencial é dado pela racionalidade, consoante o significado clássico de definição estabelecido por Aristóteles: uma definição dá-se pelo gênero próximo e pela diferença específica. Pelo gênero próximo, indica-se aquilo que o objeto definido tem em comum com outros seres de espécies diferentes (no caso em tela, o gênero animal); pela diferença específica, indica-se a espécie, isto é, o que distingue determinado ser dos demais que pertencem ao mesmo gênero (no caso do ser humano, a racionalidade). Consequentemente, sendo o ser humano definido pela racionalidade, é esta que assume o caráter de atributo essencial desse ser.


Ora, assim entendido o ser humano, vê-se que, embora trabalhar e educar possam ser reconhecidos como atributos humanos, eles o são em caráter acidental, e não substancial. Com efeito, o mesmo Aristóteles, considerando como próprio do ser humano o pensar, o contemplar, reputa o ato produtivo, o trabalho, como uma atividade não digna de seres humanos livres.


Diversamente, Bergson, ao analisar o desenvolvimento do impulso vital na obra Evolução criadora, observa que “torpor vegetativo, instinto e inteligência” são os elementos comuns às plantas e aos animais. E, definindo a inteligência pela fabricação de objetos, fenômeno identificado como comum aos animais, encontra no ser humano a particularidade da fabricação de objetos artificiais, o que lhe permite avançar à seguinte conclusão: “Se pudéssemos nos despir de todo orgulho, se, para definir nossa espécie, nos ativéssemos estritamente ao que a história e a pré-história nos apresentam como a característica constante do ser humano e da inteligência, talvez não disséssemos Homo sapiens, mas Homo faber. Em conclusão, a inteligência, encarada no que parece ser o seu empenho original, é a faculdade de fabricar objetos artificiais, sobretudo ferramentas para fazer ferramentas, e de diversificar ao infinito a fabricação delas.”.


Demerval Saviani. Trabalho e educação:

fundamentos ontológicos e históricos. Internet: <www.scielo.br> (com adaptações).

Texto 11A1

 

Julgue o item subsequente, a respeito do modo de encadeamento e de retomada das ideias ao longo do texto 11A.

 

O segundo período do terceiro parágrafo pode ser dividido em dois blocos semânticos e está estruturado em paralelismo sintático.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Paralelismo sintático no segundo período do terceiro parágrafo

Gabarito: CERTO. O segundo período do terceiro parágrafo — “Pelo gênero próximo, indica-se aquilo que o objeto definido tem em comum com outros seres de espécies diferentes (no caso em tela, o gênero animal); pela diferença específica, indica-se a espécie, isto é, o que distingue determinado ser dos demais que pertencem ao mesmo gênero (no caso do ser humano, a racionalidade)” — divide-se em dois blocos semânticos paralelos: o primeiro trata do gênero próximo e o segundo, da diferença específica, ambos com a mesma estrutura sintática: “pelo [termo], indica-se [o que se indica]”. A banca pede que você julgue se essa afirmação procede; ela procede, pois há paralelismo sintático e semântico.

O comando

A questão é de julgamento (Certo/Errado) sobre um aspecto gramatical e textual: o modo de encadeamento e retomada das ideias. Não se trata de interpretar o conteúdo filosófico do texto, mas de analisar a estrutura sintática de um período específico. O verbo “pode ser dividido” indica que se deve verificar se a divisão em dois blocos é possível e se há paralelismo — ou seja, se as duas partes têm estrutura sintática semelhante e sentido correlato.

O texto e o período em foco

O terceiro parágrafo explica a definição aristotélica de ser humano (animal racional) a partir do gênero próximo e da diferença específica. O segundo período desse parágrafo é:

“Pelo gênero próximo, indica-se aquilo que o objeto definido tem em comum com outros seres de espécies diferentes (no caso em tela, o gênero animal); pela diferença específica, indica-se a espécie, isto é, o que distingue determinado ser dos demais que pertencem ao mesmo gênero (no caso do ser humano, a racionalidade).”

Observe a estrutura: bloco 1 = “Pelo gênero próximo, indica-se aquilo que o objeto definido tem em comum com outros seres de espécies diferentes”; bloco 2 = “pela diferença específica, indica-se a espécie, isto é, o que distingue determinado ser dos demais que pertencem ao mesmo gênero”. Os dois blocos são coordenados (ligados por ponto e vírgula) e apresentam paralelismo sintático: ambos começam com a preposição “pelo/pela” + substantivo, seguida de vírgula, e depois o verbo “indica-se” + complemento. Semanticamente, são correlatos: um fala do gênero, o outro da espécie — dois elementos da mesma definição.

A técnica: o que é paralelismo sintático

Paralelismo sintático é a repetição de estruturas sintáticas semelhantes em uma sequência ou enumeração. No período em questão, temos:

  • Bloco 1: Pelo gênero próximo, indica-se aquilo que o objeto definido tem em comum com outros seres de espécies diferentes

  • Bloco 2: pela diferença específica, indica-se a espécie, isto é, o que distingue determinado ser dos demais que pertencem ao mesmo gênero

Ambos seguem o mesmo esquema: adjunto adverbial (pelo/pela + termo) + verbo “indica-se” + objeto direto (oração subordinada substantiva). Essa simetria é a marca do paralelismo. Além disso, há paralelismo semântico, pois os dois blocos tratam de elementos da mesma definição (gênero e espécie), como mostra o texto: “uma definição dá-se pelo gênero próximo e pela diferença específica”.

1Estrutura repetida
Adjunto adverbial (pelo/pela + termo)
Verbo "indica-se"
Objeto direto (oração subordinada)
2Bloco 1
Gênero próximo
O que há em comum
3Bloco 2
Diferença específica
O que distingue
4Coordenação
Ponto e vírgula
Mesmo campo semântico
Paralelismo sintático
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Paralelismo sintático: Estrutura repetida (Adjunto adverbial (pelo/pela + termo), Verbo "indica-se", Objeto direto (oração subordinada)); Bloco 1 (Gênero próximo, O que há em comum); Bloco 2 (Diferença específica, O que distingue); Coordenação (Ponto e vírgula, Mesmo campo semântico)

Análise da assertiva

A assertiva afirma duas coisas: (1) o período pode ser dividido em dois blocos semânticos; (2) está estruturado em paralelismo sintático. Ambas são verdadeiras. A divisão é clara pelo ponto e vírgula, que separa os dois blocos coordenados. E o paralelismo é evidente pela repetição da estrutura “pelo/pela X, indica-se Y”. Portanto, o item está CERTO.

Conclusão

A questão cobra a habilidade de reconhecer paralelismo sintático em um período coordenado. A dica de ouro: quando houver dois ou mais segmentos ligados por conectivo ou pontuação, verifique se eles têm a mesma estrutura sintática e se pertencem ao mesmo campo semântico. Se sim, há paralelismo. Aqui, os dois blocos são espelhados — não há quebra de estrutura, como ocorreria se um bloco usasse verbo de ação e o outro, verbo de ligação, por exemplo.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre paralelismo, sublinhe os termos que se repetem (preposições, verbos, conjunções) e compare as funções sintáticas. Se a estrutura se repete, o paralelismo está presente.

Gabarito: CERTO.

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