Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2024
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce402034
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE TO
Ano
2024
Cargo
Ana Min ( )
O que é ter direito à felicidade? Estado de espírito, sonho humano, sentido de realização pessoal, garantia de paz, a felicidade é a concretude ideal da pessoa humana em sua existência. Intrínseca e imutável à própria dignidade das pessoas, a felicidade também é um valor social e uma questão política de educação pública.
O direito à felicidade tem suas raízes na Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948. O artigo 3.º da declaração estabelece que “todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”. E o que é a felicidade senão um estado de plenitude e satisfação pessoal?
Em termos práticos, o direito à felicidade implica garantir condições para que as pessoas possam buscar a realização pessoal e o bem-estar. Isso inclui o acesso à educação de qualidade, a oportunidades de emprego digno, a serviços de saúde, a um ambiente seguro e saudável, entre outros.
No entanto, é importante ressaltar que a felicidade é subjetiva e que não é um estado permanente. A busca pela felicidade envolve altos e baixos, desafios e aprendizados. O importante é ter a liberdade e o direito de buscar a felicidade, mesmo diante dos obstáculos.
Em resumo, o direito à felicidade é um conceito que reconhece a importância da busca pela realização pessoal e do bem-estar emocional. Ele não garante a felicidade em si, mas sim a liberdade e as oportunidades para que cada indivíduo possa buscar a sua própria felicidade. É uma lembrança de que todos têm o direito de viver uma vida plena e satisfatória, de acordo com suas próprias escolhas e valores.
Benigno Núñez Novo. Do direito à felicidade. Internet: <meuartigo.brasilescola.uol.com.br> (com adaptações).
Julgue o item que se segue, referente ao texto apresentado. Infere-se do texto que às pessoas dos países signatários da Declaração Universal dos Direitos do Homem o direito à felicidade é garantido na prática.
CCerto
EErrado
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GabaritoE — Errado
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Direito à felicidade: inferência e extrapolação
Gabarito: ERRADO. A afirmativa extrapola o texto ao afirmar que o direito à felicidade é garantido na prática aos países signatários da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O texto, ao contrário, afirma que esse direito não garante a felicidade em si, mas apenas a liberdade e as oportunidades para buscá-la — e isso como um ideal, não como uma garantia prática efetiva. A passagem decisiva está no último parágrafo:
"Ele não garante a felicidade em si, mas sim a liberdade e as oportunidades para que cada indivíduo possa buscar a sua própria felicidade."
A banca explora a confusão entre direito como ideal normativo e garantia prática efetiva. O texto fala em "implica garantir condições" (3º parágrafo), mas isso é uma proposta do que o direito à felicidade implicaria, não uma constatação de que tais condições já são garantidas aos signatários. A afirmativa vai além do que o texto autoriza: ela extrapola.
O comando: "Infere-se"
O verbo "infere-se" pede uma inferência — ou seja, uma conclusão que o texto obriga o leitor a tirar, com base em pistas internas. Não basta que a afirmação seja plausível no mundo real; ela precisa ser sustentada pelo texto. A inferência legítima se apoia em pressupostos deixados pelo autor. Aqui, o texto não deixa nenhuma pista de que o direito à felicidade seja garantido na prática; pelo contrário, ele o apresenta como um conceito e um ideal.
O texto: tema, tese e movimento
O texto define o direito à felicidade como um valor social e uma questão política (1º parágrafo), localiza suas raízes na Declaração Universal (2º parágrafo), explica o que ele implica em termos práticos (3º parágrafo), ressalva que a felicidade é subjetiva e não permanente (4º parágrafo) e conclui que ele não garante a felicidade em si, mas a liberdade e as oportunidades para buscá-la (5º parágrafo).
A tese central é: o direito à felicidade é um ideal que reconhece a importância da busca pela realização pessoal, mas não assegura que todos a alcancem. O texto nunca afirma que os países signatários garantem na prática esse direito — ele apenas diz que o direito implica garantir condições, o que é diferente de dizer que essas condições existem.
A técnica: inferência legítima × extrapolação
A inferência legítima se ancora em pistas do texto. Por exemplo, se o texto dissesse "os países signatários devem garantir o direito à felicidade", poderíamos inferir que há uma obrigação — mas não que ela é cumprida. A afirmativa da questão vai além: ela afirma que o direito é garantido na prática, o que exigiria uma pista textual de que as condições já são efetivadas. Essa pista não existe.
A extrapolação é o erro clássico: o candidato lê "implica garantir condições" e conclui "logo, é garantido". Mas "implicar" é uma relação de consequência lógica (o que o direito deveria proporcionar), não uma constatação factual. O texto diz:
"Em termos práticos, o direito à felicidade implica garantir condições para que as pessoas possam buscar a realização pessoal e o bem-estar."
Isso significa que, se o direito for efetivado, então condições devem ser garantidas. Não diz que já são garantidas. A afirmativa transforma uma proposta em realidade — e isso é extrapolar.
Análise da afirmativa
Assertiva — ❌ ERRADO
A afirmativa diz: "Infere-se do texto que às pessoas dos países signatários da Declaração Universal dos Direitos do Homem o direito à felicidade é garantido na prática."
Erro: extrapolação. O texto não afirma que o direito é garantido na prática. Ele afirma o oposto: que o direito não garante a felicidade em si, mas apenas a liberdade e as oportunidades para buscá-la. Além disso, o texto não menciona países signatários nem garantia prática — esses elementos são acrescentados pela afirmativa, sem base textual.
A passagem que refuta a afirmativa é a conclusão:
"Ele não garante a felicidade em si, mas sim a liberdade e as oportunidades para que cada indivíduo possa buscar a sua própria felicidade."
Se o direito não garante a felicidade em si, muito menos se pode inferir que ele é garantido na prática aos signatários. A afirmativa contradiz o texto ao transformar um ideal em fato consumado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação — o candidato lê "implica garantir condições" e conclui que as condições já são garantidas. Mas "implicar" é uma relação de consequência lógica, não uma constatação factual. O texto fala em ideal e proposta, não em realidade efetivada.
PEGA ESSA DICA!
Ao julgar itens com "infere-se", pergunte: o texto me obriga a concluir isso, ou estou acrescentando informação de fora? Se a afirmativa depende de um fato que o texto não menciona (como "países signatários" e "garantia prática"), ela é extrapolação — e extrapolação é erro.
Conclusão: a afirmativa é ERRADA porque extrapola o texto: o direito à felicidade é apresentado como um ideal que não garante a felicidade em si, mas apenas a liberdade e as oportunidades para buscá-la. Não há, no texto, qualquer afirmação de que esse direito seja garantido na prática aos países signatários. Portanto, gabarito: ERRADO.