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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce402049
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE TO
Ano
2024
Cargo
Ana Min ( )

Não negueis jamais ao erário, à administração, à União os seus direitos. São tão invioláveis, como quaisquer outros. O direito dos mais miseráveis dos homens, o direito do mendigo, do escravo, do criminoso, não é menos sagrado, perante a justiça, que o do mais alto dos poderes. Antes, com os mais miseráveis é que a justiça deve ser mais atenta, e redobrar-se de escrúpulo, porque são os mais mal defendidos, os que suscitam menos interesse, e os contra cujo direito conspiram a inferioridade na condição com a míngua nos recursos.


Preservai, juízes de amanhã, preservai vossas almas juvenis desses baixos e abomináveis sofismas. A ninguém importa mais do que à magistratura fugir do medo, esquivar-se de humilhações, e não conhecer covardia. Todo bom magistrado tem muito de heroico em si mesmo, na pureza imaculada e na plácida rigidez, que a nada se dobre, e de nada se tenha medo, senão da outra justiça, assente, cá embaixo, na consciência das nações, e culminante, lá em cima, no juízo divino.


Não tergiverseis com as vossas responsabilidades, por mais atribulações que vos imponham, e mais perigos a que vos exponham. Nem receeis soberanias da terra: nem a do povo, nem a do poder. O povo é uma torrente, que rara vez se não deixa conter pelas ações magnânimas. A intrepidez do juiz, como a bravura do soldado, arrebata-o e o fascina.


Os poderosos que investem contra a justiça, provocam e desrespeitam tribunais, por mais que lhes espumem contra as sentenças, quando justas, não terão, por muito tempo, a cabeça erguida em ameaça ou desobediência diante dos magistrados, que os enfrentam com dignidade e firmeza.


Na missão do advogado também se desenvolve uma espécie de magistratura. As duas se entrelaçam, diversas nas funções, mas idênticas no objeto e na resultante: a justiça. Com o advogado, justiça militante. Justiça imperante, no magistrado.


Rui Barbosa. Oração aos moços. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2019, p. 61-63 (com adaptações).

Texto 11A05

 

Considerando os recursos estilísticos e estruturais e os mecanismos de coesão e coerência do texto 11A05, julgue o item seguinte.

 

Estrutura-se o texto como discurso direto, no qual o autor expõe argumentos para convencer os “juízes de amanhã” a adotar comportamento compatível e adequado ao papel do magistrado e à missão do advogado.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Discurso direto e estrutura argumentativa na "Oração aos moços"

Gabarito: C (Certo). O texto se estrutura como discurso direto, pois o autor se dirige diretamente aos "juízes de amanhã" (2º parágrafo), usando verbos no imperativo como "Preservai" e "Não tergiverseis", e expõe argumentos para convencê-los a adotar comportamento adequado ao papel do magistrado e à missão do advogado. A passagem que ancora essa leitura é o trecho em que o autor convoca diretamente o interlocutor: "Preservai, juízes de amanhã, preservai vossas almas juvenis desses baixos e abomináveis sofismas."

O comando da questão

O enunciado pede que se julgue a afirmação sobre os recursos estilísticos e estruturais e os mecanismos de coesão e coerência do texto. Trata-se de uma questão de compreensão (o que o texto diz) e de análise estrutural (como o texto é organizado). Não é uma questão de inferência: a resposta está explícita na forma como o autor constrói o discurso.

O texto: tema, tese e movimento argumentativo

O texto é um discurso de Rui Barbosa dirigido aos futuros magistrados. A tese central é a defesa da independência e da coragem do juiz, que não deve se curvar a poderes terrenos nem temer ameaças. O autor argumenta que a justiça deve proteger os mais fracos, que o juiz deve ser íntegro e destemido, e que a advocacia também exerce uma forma de magistratura. O movimento argumentativo é persuasivo: o autor usa o vocativo "juízes de amanhã" e verbos no imperativo para aconselhar e ordenar, caracterizando o discurso direto.

A técnica: discurso direto vs. discurso indireto

O discurso direto é aquele em que o autor fala diretamente ao interlocutor, sem intermediários, reproduzindo a fala ou o pensamento de forma direta. No texto, isso se evidencia pelo uso de:

  • Vocativo: "juízes de amanhã" (2º parágrafo).

  • Verbos no imperativo: "Preservai", "Não tergiverseis", "Não receeis" (2º e 3º parágrafos).

  • Pronomes de segunda pessoa: "vossas almas", "vossas responsabilidades" (2º e 3º parágrafos).

Esses elementos mostram que o autor se dirige diretamente ao leitor, o que caracteriza o discurso direto. Já o discurso indireto seria aquele em que o autor relata a fala de outra pessoa, como em "ele disse que...". Aqui, não há relato; há uma interpelação direta.

A armadilha da banca

A banca pode tentar confundir o candidato com a ideia de que o texto é um discurso indireto, mas isso seria um erro, pois o autor não relata a fala de terceiros; ele fala diretamente com o leitor. A alternativa correta reconhece essa estrutura.

Discurso direto
  • 1Autor fala diretamente ao interlocutor
    • Vocativo ("juízes de amanhã")
    • Imperativo ("Preservai", "Não tergiverseis")
    • 2ª pessoa ("vossas almas")
  • 2Finalidade persuasiva
    • Convencer os juízes
    • Comportamento do magistrado
    • Missão do advogado
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Análise da assertiva

A assertiva afirma que o texto se estrutura como discurso direto, no qual o autor expõe argumentos para convencer os "juízes de amanhã" a adotar comportamento compatível com o papel do magistrado e a missão do advogado. Isso está correto, pois:

  • O autor se dirige diretamente aos juízes (discurso direto).

  • Ele expõe argumentos (por exemplo, a necessidade de proteger os mais fracos, a coragem do juiz).

  • O objetivo é convencer (persuadir) os juízes a agirem de determinada forma.

Portanto, a assertiva está certa.

Conclusão

A questão exige reconhecer a estrutura de discurso direto e a finalidade argumentativa do texto. A resposta é C (Certo), pois o texto é um discurso direto com intenção persuasiva.

Gabarito: C

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