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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce402056
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE TO
Ano
2024
Cargo
Ana Min ( )

Não negueis jamais ao erário, à administração, à União os seus direitos. São tão invioláveis, como quaisquer outros. O direito dos mais miseráveis dos homens, o direito do mendigo, do escravo, do criminoso, não é menos sagrado, perante a justiça, que o do mais alto dos poderes. Antes, com os mais miseráveis é que a justiça deve ser mais atenta, e redobrar-se de escrúpulo, porque são os mais mal defendidos, os que suscitam menos interesse, e os contra cujo direito conspiram a inferioridade na condição com a míngua nos recursos.


Preservai, juízes de amanhã, preservai vossas almas juvenis desses baixos e abomináveis sofismas. A ninguém importa mais do que à magistratura fugir do medo, esquivar-se de humilhações, e não conhecer covardia. Todo bom magistrado tem muito de heroico em si mesmo, na pureza imaculada e na plácida rigidez, que a nada se dobre, e de nada se tenha medo, senão da outra justiça, assente, cá embaixo, na consciência das nações, e culminante, lá em cima, no juízo divino.


Não tergiverseis com as vossas responsabilidades, por mais atribulações que vos imponham, e mais perigos a que vos exponham. Nem receeis soberanias da terra: nem a do povo, nem a do poder. O povo é uma torrente, que rara vez se não deixa conter pelas ações magnânimas. A intrepidez do juiz, como a bravura do soldado, arrebata-o e o fascina.


Os poderosos que investem contra a justiça, provocam e desrespeitam tribunais, por mais que lhes espumem contra as sentenças, quando justas, não terão, por muito tempo, a cabeça erguida em ameaça ou desobediência diante dos magistrados, que os enfrentam com dignidade e firmeza.


Na missão do advogado também se desenvolve uma espécie de magistratura. As duas se entrelaçam, diversas nas funções, mas idênticas no objeto e na resultante: a justiça. Com o advogado, justiça militante. Justiça imperante, no magistrado.


Rui Barbosa. Oração aos moços. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2019, p. 61-63 (com adaptações).

Texto 11A05

 

No que se refere à estrutura da frase e à pontuação no texto 11A05, julgue o item a seguir.

 

Estariam mantidos os sentidos do terceiro período do primeiro parágrafo caso se deslocasse o segmento “perante a justiça”, com as vírgulas que o isolam, para imediatamente depois da forma verbal “é”.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Deslocamento de adjunto adverbial e a vírgula entre sujeito e verbo

Gabarito: Errado (E). O deslocamento do segmento “perante a justiça” para imediatamente depois da forma verbal “é” não mantém os sentidos do período, porque cria uma vírgula entre o sujeito e o verbo — o que é proibido — e ainda altera a ênfase e a estrutura sintática da frase. A passagem original é:

“O direito dos mais miseráveis dos homens, o direito do mendigo, do escravo, do criminoso, não é menos sagrado, perante a justiça, que o do mais alto dos poderes.”

No original, “perante a justiça” é um adjunto adverbial deslocado, intercalado entre o predicativo “menos sagrado” e a conjunção comparativa “que”. Ao movê-lo para depois de “é”, a frase ficaria: “não é, perante a justiça, menos sagrado que...”. Aí a vírgula separaria o sujeito (“o direito...”) do verbo (“é”), o que é gramaticalmente incorreto — e, além disso, o adjunto passaria a incidir diretamente sobre o verbo “é”, mudando o foco da comparação.

O comando da questão

O enunciado pede que você julgue se a reescrita mantém os sentidos do período original. Isso é uma questão de reescritura sem alteração de sentido: não basta a frase continuar gramatical — é preciso que a estrutura sintática e a ênfase permaneçam equivalentes. Aqui, a banca mistura dois aspectos: a pontuação (uso da vírgula) e a sintaxe (posição do adjunto adverbial).

O texto e o trecho em análise

O terceiro período do primeiro parágrafo é:

“O direito dos mais miseráveis dos homens, o direito do mendigo, do escravo, do criminoso, não é menos sagrado, perante a justiça, que o do mais alto dos poderes.”

A estrutura é: sujeito (“O direito dos mais miseráveis dos homens, o direito do mendigo, do escravo, do criminoso”) + verbo de ligação (“não é”) + predicativo do sujeito (“menos sagrado”) + adjunto adverbial (“perante a justiça”) + conjunção comparativa (“que”) + termo comparado (“o do mais alto dos poderes”).

O adjunto “perante a justiça” está deslocado — não está na posição padrão (no fim da oração), mas intercalado entre o predicativo e a conjunção. Por isso, vem entre vírgulas, o que é facultativo para adjuntos adverbiais deslocados de curta extensão.

A regra que decide: vírgula entre sujeito e verbo

A gramática normativa proíbe separar o sujeito do verbo por vírgula. Essa é uma das poucas regras absolutas de pontuação. Se você desloca “perante a justiça” para depois de “é”, a frase fica:

“O direito dos mais miseráveis dos homens, o direito do mendigo, do escravo, do criminoso, não é, perante a justiça, menos sagrado que o do mais alto dos poderes.”

Agora, a vírgula após “é” separa o sujeito (que vem antes) do verbo (que é “é”). Isso é proibido — a vírgula não pode interromper a relação sujeito-verbo. Portanto, a reescrita não é gramaticalmente aceitável, e, por consequência, não mantém os sentidos.

Além disso, mesmo que a vírgula fosse removida (o que não é o caso, pois o enunciado diz “com as vírgulas que o isolam”), a ênfase mudaria: no original, “perante a justiça” incide sobre a comparação (“menos sagrado ... que o do mais alto dos poderes”), destacando o âmbito em que a comparação se dá; deslocado para depois de “é”, passaria a incidir diretamente sobre o verbo, alterando o foco.

Análise da assertiva

  1. 1Vírgula entre sujeito e verbo
  2. 2Reescrita gramaticalmente incorreta
  3. 3Adjunto muda de escopo
  4. 4Ênfase e sentido alterados
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Assertiva — ❌ Errado

A afirmação diz que “estariam mantidos os sentidos” com o deslocamento. Isso é falso por dois motivos:

  1. Vírgula entre sujeito e verbo: a reescrita criaria uma vírgula proibida, tornando a frase gramaticalmente incorreta.

  2. Mudança de ênfase: o adjunto adverbial mudaria de escopo, alterando o sentido original.

Portanto, a assertiva está errada.

Conclusão

A banca testa se você conhece a regra de que não se separa sujeito de verbo por vírgula. Ao deslocar o adjunto para depois de “é”, a vírgula que o isola passa a separar sujeito e verbo, o que é proibido. Além disso, a ênfase muda. Logo, os sentidos não são mantidos.

Gabarito: Errado (E).

NÃO CAIA NESSA!

Em questões de reescrita, verifique sempre se a nova pontuação não cria uma vírgula entre sujeito e verbo — essa é uma das pegadinhas mais comuns da banca. Se a vírgula separa o sujeito do verbo, a reescrita está incorreta, independentemente de o sentido parecer preservado.

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