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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce402060
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE TO
Ano
2024
Cargo
Ana Min ( )

        Em abril de 1968, um grupo de cientistas de dez países se juntou para estudar o futuro da humanidade. O grande assunto da época era o crescimento populacional: naquela década, a taxa média de natalidade havia ultrapassado a marca de cinco filhos por mulher, a maior já registrada.


        O grupo, que ficou conhecido como clube de Roma (a primeira reunião ocorreu na capital italiana), passou quatro anos debruçado sobre essa e outras questões, e, em 1972, transformou as conclusões em livro: Os limites do crescimento. A obra usava dados históricos e modelos matemáticos para mostrar como, além de aumentar as emissões de CO2 e esquentar a atmosfera, o forte crescimento da população — que acontecia devido à alta natalidade combinada à “redução, muito bem-sucedida, na taxa de mortalidade global” — poderia ter outras consequências catastróficas, como o esgotamento dos recursos naturais. E apresentava duas possíveis soluções: ou a humanidade diminuía voluntariamente seu ritmo de crescimento, ou o próprio planeta acabaria fazendo isso, reduzindo a população por meio de um colapso ambiental.


Os limites do crescimento tiveram enorme repercussão — foi traduzido para dezenas de idiomas e vendeu mais de 30 milhões de exemplares pelo mundo —, mas suas advertências não foram ouvidas. A população global, que, em 1972, era de 3,8 bilhões, mais que dobrou: em 2022, a Terra cruzou a marca de 8 bilhões de habitantes. 


        Hoje, o aquecimento global e outros problemas ambientais são temas dominantes e urgentes. Todo ano, a organização americana Global Footprint Network calcula o chamado dia da sobrecarga da Terra, a data em que ultrapassamos a capacidade do planeta de reequilibrar seus sistemas ecológicos e regenerar recursos naturais.  


        Esse indicador é calculado desde 1971; naquele ano, a humanidade atravessou o limite em dezembro. Já em 2023, isso aconteceu em 2 de agosto. Isso significa que, no ano de 2022, usamos 75% mais recursos do que o planeta pode suportar. 


        Ao mesmo tempo, há algo diferente acontecendo. Nada menos que 124 países estão com natalidade inferior a 2,1 filhos por mulher. Essa é a chamada “taxa de reposição”, que, segundo a ONU, é necessária para manter a população estável (2 pessoas novas substituem os pais, e o 0,1 adicional compensa o número de indivíduos que não geram descendentes). 


Internet: <super.abril.com.br> (com adaptações).

Julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos do texto anterior. A correção gramatical do texto seria mantida caso a forma verbal “havia” (segundo período do primeiro parágrafo) fosse substituída por tinha.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de “havia” por “tinha” — correção gramatical

Gabarito: Certo (C). A substituição de “havia” por “tinha” mantém a correção gramatical do texto, pois ambos os verbos, nesse contexto, são impessoais (indicam existência) e permanecem na 3ª pessoa do singular. A passagem que sustenta a resposta é o trecho do primeiro parágrafo: “naquela década, a taxa média de natalidade havia ultrapassado a marca de cinco filhos por mulher”. Aqui, “havia” integra uma locução verbal com sentido existencial — e “tinha” cumpriria exatamente a mesma função, sem qualquer prejuízo à norma culta.

O comando da questão

O enunciado pede que se julgue se a troca de “havia” por “tinha” preserva a correção gramatical. Não se exige manutenção de sentido — apenas que a frase continue gramaticalmente correta. Isso muda tudo: mesmo que houvesse uma leve diferença de registro (o “ter” existencial é mais comum na fala), a norma culta atual aceita o uso de “ter” com valor de existir, sobretudo em textos jornalísticos e científicos, como é o caso.

O texto e o ponto decisivo

No trecho original, “havia” não é um verbo de posse — é um verbo impessoal com sentido de “existia”. Veja:

“naquela década, a taxa média de natalidade havia ultrapassado a marca de cinco filhos por mulher”

A locução “havia ultrapassado” equivale a “tinha ultrapassado”. Ambos os verbos auxiliares (“haver” e “ter”) são intercambiáveis na formação do pretérito mais-que-perfeito composto. A gramática normativa reconhece que “ter” pode substituir “haver” nesse papel, sem alterar a correção. O mesmo vale para o uso existencial: “havia problemas” = “tinha problemas”.

A regra que decide

  • Verbo “haver” impessoal: quando significa “existir” ou “ocorrer”, fica na 3ª pessoa do singular, pois não tem sujeito. Ex.: “Havia muitas pessoas na festa.”

  • Verbo “ter” existencial: no português brasileiro, “ter” também é usado com sentido de existir, e, nesse caso, também é impessoal — fica no singular. Ex.: “Tinha muitas pessoas na festa.”

A norma culta, embora tradicionalmente prefira “haver”, não condena o “ter” existencial em textos formais. O que seria erro é flexionar o verbo no plural (“tinham muitas pessoas”), pois o sujeito é inexistente.

Por que a alternativa “Errado” falha

A alternativa “Errado” (E) contradiz o texto e a norma: ela parte do pressuposto equivocado de que “ter” só pode indicar posse, o que é falso. No trecho, “havia” não expressa posse, e sim existência — e “tinha” assume o mesmo valor sem quebrar a concordância. Quem marca “Errado” cai na armadilha de achar que “ter” é sempre verbo de posse, ignorando o uso existencial consagrado no português do Brasil.

Conclusão

A troca é perfeitamente válida do ponto de vista gramatical. A banca testa justamente o conhecimento de que “ter” e “haver” são equivalentes em contextos existenciais e de locução verbal. Portanto, o item está Certo.

“Havia” → “Tinha”
  • 1Verbo impessoal (existência)
    • Fica na 3ª pessoa do singular
    • “Ter” existencial aceito na norma culta
  • 2Locução verbal
    • “Havia ultrapassado” = “Tinha ultrapassado”
  • 3Erro comum
    • Flexionar no plural (“tinham muitas pessoas”)
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PEGA ESSA DICA!

Em questões de substituição, pergunte-se: “o verbo é impessoal? Se sim, a troca por outro impessoal (haver/ter) mantém a correção?”. E desconfie de alternativas que afirmam que “ter” só serve para posse — isso é mito.

Gabarito: letra C (Certo).

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