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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
ce402120
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEFAZ AC
Ano
2024
Cargo
Cont ( )

De acordo com as narrativas convencionais, a matemática europeia originou-se com os gregos entre as épocas de Tales e de Euclides, foi preservada e traduzida pelos árabes no início da Idade Média e, depois, levada de volta para seu lugar de origem, a Europa, entre os séculos XIII e XV, quando chegou à Itália pelas mãos de fugitivos vindos de Constantinopla. Esse relato parte do princípio de que a matemática é um saber único, cujos longínquos precursores foram os mesopotâmicos e egípcios, mas que se originou com os gregos. Ora, com base nas evidências, não é possível sequer estabelecer uma continuidade entre as matemáticas mesopotâmica e grega. Com raras exceções, a matemática mesopotâmica parece ter desaparecido por volta da mesma época em que os primeiros registros da matemática grega que nos chegaram foram produzidos; logo, não podemos relacionar essas duas tradições. Isso indica que talvez não possamos falar de evolução de uma única matemática ao longo da história, mas da presença de diferentes práticas que podemos chamar de “matemáticas” segundo critérios que também variam.

 

A partir do século XVI, a história foi escrita, muitas vezes, com o intuito de mostrar que os europeus são herdeiros de uma tradição já europeia, desde a Antiguidade. Nesse momento, construiu-se o mito da herança grega, que serviu também para responder a demandas identitárias dos europeus. Entender o como e o porquê de sua construção nos ajuda a compreender que o papel da história não é acessório na formação de uma imagem da matemática: sua função é também social e política.

 

Tatiana Roque. História da matemática. Uma visão crítica,

desfazendo mitos e lendas. Rio de Janeiro: Zahar, 2012, p. 20-21 (com adaptações).

Texto CG2A1

   

No último parágrafo do texto CG2A1, a forma pronominal “sua” (último período), em suas duas ocorrências, reporta-se, respectivamente, a

  1. A“o mito da herança grega” (penúltimo período) e “matemática” (último período).
  2. B“o mito da herança grega” (penúltimo período) e “história” (último período).
  3. C“demandas identitárias” (penúltimo período) e “história” (último período).
  4. D“demandas identitárias” (penúltimo período) e “formação de uma imagem da matemática” (último período).
  5. E“o mito da herança grega” (penúltimo período) e “formação de uma imagem da matemática”
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GabaritoB — “o mito da herança grega” (penúltimo período) e “história” (último período).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Referência do pronome possessivo “sua” no último parágrafo

Gabarito: letra B. A forma pronominal “sua”, nas duas ocorrências do último período, reporta-se, respectivamente, a “o mito da herança grega” e a “história”. A primeira ocorrência retoma o mito (construído no penúltimo período); a segunda, o substantivo “história”, que aparece logo antes no mesmo período. A banca testa a coesão referencial anafórica: o pronome possessivo “sua” aponta para o termo mais próximo e semanticamente compatível, sem exigir nenhuma inferência externa.

O comando

A questão pede que você identifique o referente de um pronome possessivo em duas ocorrências. Isso é tarefa de coesão referencial — especificamente de anáfora, pois o pronome retoma termos já mencionados no texto. Não há inferência: a resposta está literalmente no texto, bastando rastrear a cadeia de referência.

O texto e o trecho decisivo

No último parágrafo, o autor afirma que “Entender o como e o porquê de sua construção nos ajuda a compreender que o papel da história não é acessório na formação de uma imagem da matemática: sua função é também social e política.”

“Entender o como e o porquê de sua construção nos ajuda a compreender que o papel da história não é acessório na formação de uma imagem da matemática: sua função é também social e política.”

A primeira “sua” está ligada a “construção” — e a construção mencionada é a do mito da herança grega (penúltimo período: “construiu-se o mito da herança grega”). A segunda “sua” está ligada a “função” — e a função mencionada é a da história (“o papel da história não é acessório... sua função é também social e política”).

A técnica: rastrear o referente pelo contexto imediato

Para resolver, você deve:

  1. Localizar o pronome e o substantivo que ele acompanha (construção, função).

  2. Perguntar: de quem é essa construção? de quem é essa função? A resposta está no contexto imediato.

  3. Conferir a concordância (singular/plural) e a semântica (o referente deve fazer sentido com o substantivo).

No primeiro caso, “sua construção” só pode ser a construção do mito — pois foi o mito que se construiu. No segundo, “sua função” só pode ser a função da história — pois é dela que se fala no mesmo período.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao apontar “matemática” como referente da segunda ocorrência. No trecho, “sua função” refere-se à história, não à matemática. A matemática aparece apenas como “formação de uma imagem da matemática”, mas a função social e política é atribuída à história. Erro: troca de referente (contradiz o texto).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como demonstrado, a primeira “sua” retoma “o mito da herança grega” (construção do mito) e a segunda retoma “história” (função da história). A alternativa reproduz exatamente a cadeia anafórica do texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra ao indicar “demandas identitárias” como referente da primeira ocorrência. As demandas identitárias são mencionadas como motivo da construção do mito, mas “sua construção” refere-se ao mito, não às demandas. Erro: troca de referente (confunde causa com objeto).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra duplamente: a primeira ocorrência não se refere a “demandas identitárias”, e a segunda não se refere a “formação de uma imagem da matemática”. A formação da imagem é consequência do papel da história, não o referente de “sua função”. Erro: troca de referente (extrapolação).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Acerta a primeira ocorrência (mito), mas erra a segunda: “sua função” não se refere à “formação de uma imagem da matemática”, e sim à “história”. Erro: troca de referente (parcialmente correto, mas incompleto).

Conclusão

A questão exige rastrear a cadeia anafórica do pronome possessivo. A alternativa B é a única que identifica corretamente os dois referentes, com base no contexto imediato. Gabarito: letra B.

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