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Questão de Português — Termos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsTermos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo
Código
ce402125
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEFAZ AC
Ano
2024
Cargo
TFE ( )

— Afinador de piano, em excursão, vinte e cinco mil-réis.
— Quanto?
— Vinte e cinco mil.


— É exagero. Às vezes o afinador não ganha isso durante a viagem. O Juca Silveira me contou. A principal fonte de renda dele é a criação de perus. E já paga imposto de indústria e profissão...


— Bem, se nós formos indagar dos contribuintes quanto é que eles querem pagar, a tesouraria fica sem recursos para comprar um maço de velas quando faltar luz. Seria preferível que eles mesmos fizessem o lançamento.


A Câmara Municipal discutia o orçamento para 1920, e os dois vereadores ponderavam ponto por ponto cada título da receita. O município é pobre, arrecada setenta e dois contos por ano. Houve praga na lavoura; deu peste no gado; o empréstimo para instalação de luz elétrica vence juros penosos. Para atender ao serviço de estradas, à instrução, às eleições, ao funcionalismo, a tanto compromisso, torna-se imperioso lançar novos impostos, criar taxas inéditas, como essa de afinador. Mas piano — quantos pianos terá o município? Quinze, no máximo; dos quais apenas uns cinco nos distritos: a taxa talvez não produza cinquenta mil-réis. Uma ninharia, meu caro!


No calor da sala, os vereadores tentam reerguer as finanças públicas. Salão muito quente, com efeito. Dá para a frente da praça, que recolhe o sol da tarde, ao passo que a outra sala, olhando para a montanha e o vale profundo, recebe uma doce brisa, em que narinas mais apuradas distinguem o perfume de árvores distantes, e os caçadores chegam a identificar um cheiro de anta. No inverno, sim, a sala das sessões recomenda-se pelo aconchego — mas o orçamento é feito naquela época do anoem que as cigarras estouram, e secam os córregos.


— Barbeiro com uma só cadeira, vinte mil-réis na cidade; em outros lugares, dezoito mil. Cada mão de engenho de mineração, quando fabricada no país...


Carlos Drummond de Andrade. Câmara e cadeia. In: Contos de aprendiz. Companhia das Letras (com adaptações).

Texto CG3A1

 

No quinto parágrafo do texto CG3A1, no trecho “para comprar um maço de velas quando faltar luz”, o vocábulo “para” introduz uma ideia de

  1. Ameio.
  2. Bdireção.
  3. Cfinalidade.
  4. Dconsequência.
  5. Einstrumento.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — finalidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor semântico de "para" em "para comprar um maço de velas"

Gabarito: letra C. No trecho "para comprar um maço de velas quando faltar luz", o vocábulo "para" introduz uma ideia de finalidade — equivale a "a fim de". O vereador afirma que, se a tesouraria ficasse sem recursos, não teria dinheiro com o objetivo de comprar velas para emergências. A preposição "para" antes de verbo no infinitivo, nesse contexto, expressa a intenção, o propósito da ação de ter recursos.

"a tesouraria fica sem recursos para comprar um maço de velas quando faltar luz"

A oração "para comprar um maço de velas" responde à pergunta "para quê?" — indica a finalidade de se ter recursos. É um adjunto adverbial de finalidade, termo acessório que modifica o verbo "ficar" (no sentido de permanecer sem recursos), acrescentando a circunstância de propósito.

O comando da questão

A questão pede que se identifique a ideia introduzida pela preposição "para" no trecho destacado. Isso é uma questão de semântica contextual: não se trata de decorar a classificação gramatical da preposição, mas de perceber qual relação de sentido ela estabelece entre as partes da frase. O verbo "comprar" está no infinitivo, e a preposição "para" o liga à ideia anterior, criando uma relação de finalidade.

A técnica de resolução

Para resolver, substitua mentalmente "para" por "a fim de" ou "com o objetivo de". Se a frase continuar com o mesmo sentido, a ideia é de finalidade. Veja:

  • "a tesouraria fica sem recursos a fim de comprar um maço de velas" — faz sentido? Sim, indica o propósito.

  • "a tesouraria fica sem recursos por causa de comprar um maço de velas" — não, isso indicaria causa, o que não é o caso.

A preposição "para" antes de infinitivo pode indicar finalidade (quando equivale a "a fim de") ou consequência (quando equivale a "a ponto de", geralmente com advérbio de intensidade). Aqui, não há advérbio de intensidade, e o sentido é claramente de propósito.

Análise das alternativas

"Para" + infinitivo
  • 1Finalidade
    • equivale a "a fim de"
    • responde a "para quê?"
  • 2Consequência
    • equivale a "a ponto de"
    • exige advérbio de intensidade
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Meio seria indicado por preposições como "por", "com" ou "de" (ex.: "viajar de trem", "cortar com faca"). O trecho não expressa o meio pelo qual se compra algo, mas o objetivo da compra. A alternativa tangencia o sentido, pois "meio" e "finalidade" podem se confundir em outros contextos, mas aqui não há relação de instrumento.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Direção é uma ideia de movimento espacial, indicada por preposições como "a", "para" (em sentido físico), "em direção a". No trecho, "para" não indica movimento físico, mas propósito. A alternativa extrapola o sentido, pois aplica um valor de lugar a um contexto de intenção.

Alternativa C — ✅ Correta

Finalidade é exatamente o que "para" expressa aqui. O trecho "para comprar um maço de velas" indica o objetivo de se ter recursos. A substituição por "a fim de" confirma: "a tesouraria fica sem recursos a fim de comprar um maço de velas". A passagem do texto autoriza essa leitura, pois o vereador argumenta que não se deve perguntar aos contribuintes quanto querem pagar, pois isso deixaria a tesouraria sem recursos para (com a finalidade de) comprar velas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Consequência seria indicada por "para" em construções como "estava tão distraído para não ver" (= a ponto de). Aqui, não há relação de causa e efeito; há relação de propósito. A alternativa contradiz o sentido, pois inverte a relação: a falta de recursos não é consequência de comprar velas, mas a compra de velas é a finalidade da existência de recursos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Instrumento é o meio físico pelo qual se realiza uma ação, indicado por "com" (ex.: "escrever com caneta"). O trecho não menciona instrumento algum; "comprar" é a ação final, não o instrumento. A alternativa tangencia o sentido, pois confunde finalidade com instrumento, que são categorias distintas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece "consequência" como distrator, pois "para" antes de infinitivo pode indicar consequência em outros contextos (ex.: "estava cansado para discutir"). Mas aqui não há advérbio de intensidade, e o sentido é claramente de finalidade. Fique atento ao contexto.

PEGA ESSA DICA!

Sempre que a questão perguntar o valor de "para" antes de infinitivo, teste a substituição por "a fim de" (finalidade) e por "a ponto de" (consequência). A que fizer sentido no contexto é a resposta.

Gabarito: letra C.

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