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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce402278
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
BACEN
Ano
2024
Cargo
Ana ( )

A emergência de uma grande variedade de plataformas digitais, desde o final da década de 1990, provocou uma mudança econômica radical e uma reorganização de mercados e arranjos de trabalho. A economia de plataforma não está apenas mudando a forma como o trabalho é realizado e remunerado. Os mercados de trabalho também estão se transformando drasticamente, levando a uma situação em que o “emprego padrão” é cada vez mais suplementado ou substituído por trabalho temporário “fora do padrão”, mediado por plataformas. Em um contexto de crescente instabilidade macroeconômica, de desregulamentação das relações de trabalho — em função do impacto disruptivo de tecnologias digitais na intermediação dessas relações —, verifica-se a emergência de novas formas de emprego “fora do padrão”, que reforçam diversos tipos de “flexibilidade” — temporal, espacial, gerencial e funcional, entre outras. Grande parte dessas novas formas de emprego está vinculada à mediação de plataformas digitais, que conectam ofertantes e demandantes de trabalho.


As plataformas digitais facilitam a articulação entre ofertantes e demandantes de trabalho que, de outra forma, poderiam ter dificuldades para interagir entre si, tornando arealização de transações mais eficiente do que seria possível em relacionamentos bilaterais entre as partes, fornecendo infraestrutura e regras para sua realização. No âmbito dessas plataformas, a correspondência (matching) entre ofertantes e demandantes de trabalho pode ser feita de forma eficaz, por exemplo, por meio de algoritmos que diminuem a quantidade de tempo utilizado para encontrar trabalhadores adequados para tarefas específicas, além de oferecer a base para o controle e gerenciamento dessas tarefas.


No entanto, a força de trabalho torna-se mais vulnerável, pois as leis trabalhistas ainda se baseiam em um antigo sistema “binário”, segundo o qual quem é empregado recebe direitos — por exemplo, aviso de demissão ou férias pagas —, mas para quem é contratado o acesso a esses direitos tende a ser restringido. Assim, se o modelo de plataformas de trabalho com a interveniência de uma gestão algorítmica oferece vantagens no que se refere à flexibilidade sobre formas convencionais de organização e gestão do trabalho, esse mesmo modelo suscita questões relevantes como a distribuição desigual de oportunidades, benefícios e riscos entre os agentes envolvidos, bem como os possíveis custos sociais advindos de uma eventual precarização das relações de trabalho.


Herbert P. S. de Oliveira e Jorge N. de P. Britto. Gerenciamento e disciplina algorítmica: uma análise focalizada em plataformas de emprego de elevada qualificação. Economia e Sociedade, Campinas, v. 32, n.º 3 (79), 2023 (com adaptações).

Texto CB1A1-I

 

Acerca dos sentidos veiculados no texto CB1A1-I, julgue o item a seguir.


Conclui-se da leitura do último parágrafo que, segundo as leis trabalhistas, empregado e contratado são categorias distintas de trabalhadores.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência sobre as categorias de trabalhadores no último parágrafo

Gabarito: CERTO. A conclusão é legítima porque o último parágrafo apresenta as leis trabalhistas como um sistema “binário” que distingue quem é empregado de quem é contratado, atribuindo direitos apenas ao primeiro. A passagem que ancora essa leitura é:

“as leis trabalhistas ainda se baseiam em um antigo sistema ‘binário’, segundo o qual quem é empregado recebe direitos — por exemplo, aviso de demissão ou férias pagas —, mas para quem é contratado o acesso a esses direitos tende a ser restringido.”

O trecho opõe explicitamente “quem é empregado” e “quem é contratado”, mostrando que o sistema legal os trata de forma distinta: um recebe direitos, o outro tem acesso restrito. Essa oposição é a pista que autoriza a inferência.

O comando: inferência, não recorrência

O enunciado usa “Conclui-se”, ou seja, pede uma inferência — uma dedução ancorada em pistas do texto, não uma informação literalmente escrita. A diferença é crucial: em questões de recorrência, a resposta é uma paráfrase direta; em questões de inferência, você precisa encontrar o pressuposto que o texto deixa marcado. Aqui, o pressuposto é exatamente a existência de duas categorias distintas de trabalhadores, revelada pela estrutura binária descrita.

O texto: o movimento do último parágrafo

O último parágrafo começa com “No entanto”, sinalizando uma oposição ao que foi dito antes (as vantagens das plataformas). O autor então explica por que a força de trabalho se torna vulnerável: as leis trabalhistas são binárias, distinguindo empregado de contratado. A palavra “binário” é a chave — ela significa “dois elementos”, e o texto nomeia esses dois elementos: empregado e contratado. Não há ambiguidade: o parágrafo inteiro gira em torno dessa distinção.

A técnica: como provar a inferência

Para validar uma inferência, pergunte: o texto obriga a essa conclusão? Sim. O trecho não diz literalmente “empregado e contratado são categorias distintas”, mas a oposição “quem é empregado recebe direitos... mas para quem é contratado o acesso... é restringido” só faz sentido se forem categorias distintas. Se fossem a mesma coisa, não haveria por que tratá-los de forma diferente. A inferência é necessária, não uma suposição solta.

Por que a alternativa “Errado” falha

Quem marca “Errado” comete o erro de achar que a conclusão extrapola o texto. Mas não extrapola: ela se apoia em pistas linguísticas claras — o adjetivo “binário” e a conjunção adversativa “mas”, que estabelece a diferença de tratamento. A banca adora esse tipo de pegadinha: oferecer uma conclusão perfeitamente válida e fazer o candidato duvidar por achar que “não está escrito”. O que não está escrito é a palavra “distintas”, mas a ideia está toda lá.

1O que é
Dedução ancorada em pistas
Pressuposto marcado no texto
2Pistas no parágrafo
Sistema "binário"
Oposição "mas"
Empregado recebe direitos
Contratado tem acesso restrito
3Validação
Texto obriga à conclusão
Distinção é pressuposta
4Erro comum
Confundir inferência com extrapolação
Inferência (conclui-se)
LEVELsoulevel.com.br
Inferência (conclui-se): O que é (Dedução ancorada em pistas, Pressuposto marcado no texto); Pistas no parágrafo (Sistema "binário", Oposição "mas", Empregado recebe direitos, Contratado tem acesso restrito); Validação (Texto obriga à conclusão, Distinção é pressuposta); Erro comum (Confundir inferência com extrapolação)
NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o que está explícito e o que é inferível. A palavra “binário” e a oposição “empregado/contratado” autorizam a conclusão, mas o candidato pode achar que é extrapolação.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de “conclui-se”, procure a pista que torna a dedução necessária. Aqui, a pista é a estrutura binária: se o sistema é binário, há duas categorias — e o texto nomeia as duas.

Conclusão: a afirmação está CERTA porque o último parágrafo, ao descrever o sistema “binário” das leis trabalhistas, pressupõe e evidencia a distinção entre empregado e contratado. A inferência é legítima e ancorada no texto.

Gabarito: CERTO.

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