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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
ce402306
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE PR
Ano
2024
Cargo
ACE ( )

Uma pesquisa feita na Universidade Federal Fluminense (UFF) gerou um método para detecção de notícias falsas, as chamadas fake news, nas redes sociais, com o uso de inteligência artificial (IA). A técnica é fruto de um estudo do engenheiro de telecomunicações Nicollas Rodrigues, em sua dissertação de mestrado pela universidade.

 

O estudante e seu orientador, Diogo Mattos, professor do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Redes de Nova Geração da UFF, desenvolveram uma ferramenta de IA capaz de diferenciar fatos de notícias falsas, a partir da análise de palavras e estruturas textuais, com precisão de 94%.

 

Isso significa que, a cada 100 notícias analisadas, a ferramenta conseguiu acertar se era fato ou boato em 94 situações. No total, foram analisadas mais de 30 mil mensagens publicadas em uma rede social na Internet.

 

“Testamos três metodologias e duas tiveram sucesso maior. A gente indica, no final dos resultados, a possibilidade de utilizar ambas em conjunto, de forma complementar”, explica Rodrigues.

 

A primeira metodologia consistiu em abastecer um algoritmo com notícias verdadeiras e depois treinar o algoritmo para reconhecer essas notícias. Aquelas que não se encaixavam no perfil aprendido eram classificadas como fake news.

 

A outra abordagem é semelhante à primeira no que se refere à análise textual, mas, no lugar do algoritmo, foi utilizada metodologia estatística que analisa a frequência com que determinadas palavras e combinações de palavras aparecem nas fake news.

 

Os resultados do trabalho podem-se transformar em ferramentas úteis para o usuário da Internet identificar notícias que apresentam indícios de fake news e, assim, ter cautela maior com aquela informação.

 

“Pode-se transformar a ferramenta em um plugin [ferramenta que apresenta recursos adicionais ao programa principal] compatível com algumas redes sociais. E, a partir do momento em que você usa a rede social, o plugin vai poder indicar não que a notícia é falsa, de maneira assertiva, mas que ela pode ser falsa, de acordo com alguns parâmetros, como erros de português. Também existe a possibilidade de fazer uma aplicação na própria Web, onde você cola o texto da notícia e essa aplicação vai te dizer se aquilo se assemelha ou não a uma notícia falsa”, explica Rodrigues.

 

Internet: <www.cartacapital.com.br> (com adaptações).

Texto CG1A1

 

A correção gramatical do texto CG1A1 e a coerência de suas ideias seriam preservadas caso o segmento “para detecção de notícias falsas” (primeiro período do primeiro parágrafo) fosse substituído por

  1. Apara se detetar de notícias falsas.
  2. Bpara que se detete de notícias falsas.
  3. Cpara detectar notícias falsas.
  4. Dpara que fosse detectadas notícias falsas.
  5. Epara que seja detectado notícias falsas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — para detectar notícias falsas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de "para detecção de notícias falsas" — concordância e sentido

Gabarito: letra C. A substituição por "para detectar notícias falsas" preserva a correção gramatical e a coerência, pois mantém a ideia de finalidade expressa pela locução original, usando o infinitivo impessoal, que não exige flexão. As demais alternativas falham por problemas de regência, concordância ou uso indevido do "se" apassivador.

O comando da questão

O enunciado pede que você avalie se a correção gramatical e a coerência das ideias seriam preservadas com a substituição do trecho. Isso significa que a alternativa correta deve:

  • manter o sentido de finalidade ("para que se detecte");

  • estar gramaticalmente correta (concordância, regência, emprego dos modos verbais).

A banca não quer apenas uma paráfrase: quer uma reescrita que não altere o sentido e que respeite a norma culta.

O trecho original e sua função

No texto, lê-se:

"Uma pesquisa feita na Universidade Federal Fluminense (UFF) gerou um método para detecção de notícias falsas, as chamadas fake news, nas redes sociais, com o uso de inteligência artificial (IA)."

A expressão "para detecção de notícias falsas" é uma locução prepositiva com valor de finalidade: o método serve para detectar notícias falsas. A reescrita deve manter esse valor.

A técnica: como testar cada alternativa

Para cada opção, pergunte:

  1. O sentido de finalidade foi mantido?

  2. A concordância está correta?

  3. A regência do verbo está adequada?

Vamos aplicar isso a cada alternativa.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"para se detetar de notícias falsas"

  • Erro de regência: o verbo "detetar" é transitivo direto, ou seja, exige objeto direto sem preposição. A forma "detetar de" está incorreta — não existe essa regência.

  • Erro de sentido: "detetar" é sinônimo de "detectar", mas a construção com "se" e a preposição "de" tornam a frase agramatical.

  • Conclusão: a alternativa extrapola ao tentar usar o "se" apassivador, mas erra na regência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"para que se detete de notícias falsas"

  • Erro de regência: novamente, "detetar de" está incorreto.

  • Erro de concordância: mesmo que fosse "detetem", o "se" apassivador exigiria que o verbo concordasse com o sujeito paciente. Aqui, o sujeito seria "notícias falsas" (plural), então o verbo deveria estar no plural: "se detetem".

  • Conclusão: a alternativa contradiz a norma, pois a forma verbal está no singular e a regência está errada.

Alternativa C — ✅ Correta

"para detectar notícias falsas"

  • Sentido: mantém a finalidade (o método serve para detectar).

  • Concordância: o infinitivo impessoal "detectar" não varia, e o objeto direto "notícias falsas" está corretamente sem preposição.

  • Regência: "detectar" é transitivo direto, e o complemento "notícias falsas" é objeto direto, sem preposição.

  • Conclusão: é a única alternativa que preserva o sentido e está gramaticalmente correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"para que fosse detectadas notícias falsas"

  • Erro de concordância: o particípio "detectadas" está no plural, mas o verbo "fosse" está no singular. O correto seria "fossem detectadas".

  • Erro de sentido: a forma "fosse detectadas" não é uma construção válida em português.

  • Conclusão: a alternativa contradiz a concordância verbal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"para que seja detectado notícias falsas"

  • Erro de concordância: o particípio "detectado" está no singular, mas o sujeito "notícias falsas" é plural. O correto seria "sejam detectadas".

  • Erro de sentido: a construção "seja detectado" não concorda com o sujeito.

  • Conclusão: a alternativa contradiz a concordância nominal e verbal.

O que a banca queria testar

A questão mistura dois tópicos:

  1. Concordância verbal — o verbo deve concordar com o sujeito.

  2. Concordância nominal — o particípio deve concordar em gênero e número com o sujeito.

A alternativa C é a única que não apresenta nenhum desses problemas, pois usa o infinitivo impessoal, que não exige flexão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "detectar" e "detetar" (são sinônimos, mas a regência é a mesma) e o uso do "se" apassivador, que muitos candidatos aplicam de forma incorreta. Fique atento: o "se" apassivador exige que o verbo concorde com o sujeito paciente, e o particípio deve concordar em gênero e número.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever uma locução, teste sempre a concordância: identifique o sujeito da oração e verifique se o verbo e o particípio estão flexionados corretamente. Se houver dúvida, prefira a forma mais simples e direta, como o infinitivo.

Gabarito: letra C.

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