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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
ce402321
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CAGEPA
Ano
2024
Cargo
Adm ( )

O Brasil tem a maior rede hidrográfica e a maior reserva de água doce do planeta. Se levarmos em conta a quantidade de água de territórios estrangeiros que ingressa no país pelas bacias amazônica, do Uruguai e do Paraguai, a vazão média de nossos rios é da ordem de 267 mil metros cúbicos por segundo, ou seja, pouco mais de 100 piscinas olímpicas por segundo. É um volume muito grande de água, que tem um papel de grande importância na vida das pessoas.

 

No entanto, o país mantém com seus rios uma relação ambígua: as cidades os abraçam para crescer e se desenvolver, criando importante laço para o desenvolvimento urbano e agrícola, mas também os destroem, ao torná-los o principal meio de escoamento de esgoto. Os rios sofrem com a poluição, o assoreamento, o desvio de seus cursos e a destruição das matas ciliares; a beleza da paisagem fica obstruída por mau cheiro, mudança de coloração da água, incapacidade de uso original de seus recursos.

 

Os cursos d’água possuem múltiplos usos: consumo humano, aproveitamento industrial, irrigação, criação animal, pesca, aquicultura e piscicultura, turismo, recreação, geração de energia, lazer, transporte. A arquiteta e paisagista Maria Cecília Barbieri Gorski, autora do livro Rios e cidades: ruptura e reconciliação, afirma que, em algumas regiões do Brasil, rios e córregos estiveram — e ainda estão — associados ao cotidiano de populações ribeirinhas, fornecendo água para as habitações e para a ativação de engenhocas como monjolo e roda d’água. O leito fluvial também é usado para o deslocamento de pessoas e mercadorias, para lavagem de roupas, para atividades extrativistas como a pesca e para a mineração de areia, argila e ouro.

 

Gercinair Silvério Gandara, historiadora e professora da Universidade Estadual de Goiás (UEG), analisa as cidades brasileiras de um ponto de vista da beira, ou seja, da perspectiva do rio, do mar, do ribeirão, das estradas, da rodovia, da ferrovia. E, se muitas de nossas cidades são de beira, várias cresceram à custa de seus rios. Por exemplo, em todas as capitais brasileiras, incluindo Brasília, rios tiveram papel importante no desenvolvimento urbano, ainda que muitas vezes eles estejam poluídos, canalizados ou com suas características físicas alteradas. Cidades ribeirinhas de médio e pequeno porte, como Penedo, em Alagoas, Piracicaba, em São Paulo, e Blumenau, em Santa Catarina, têm nos seus rios um fator de vitalidade e atração turística.

 

Gercinair considera os rios um espaço social em constante transformação. Segundo ela, muitas cidades que nascem voltadas para os rios acabam virando-lhes as costas: “isto resulta das próprias dinâmicas históricas das cidades no cruzamento dos caminhos fluviais e terrestres; assim, as cidades-rios são chaves para a leitura do mundo e do ambiente”.

Internet: <cienciaecultura.bvs.br> (com adaptações).

Leia o Texto CG1A7-1   Seria mantida a coerência do texto CG1A7-I caso se empregasse, logo após o ponto e vírgula no segundo período do segundo parágrafo, a expressão
  1. Acom isso, seguida de vírgula.
  2. Ba despeito disso, seguida de vírgula.
  3. Cpor outro lado, seguida de vírgula.
  4. Dentretanto.
  5. Emas também.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — com isso, seguida de vírgula.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão sequencial: o conectivo que preserva a coerência

Gabarito: letra A. A expressão "com isso" é a única que mantém a coerência do texto, pois estabelece uma relação de consequência entre a ideia anterior (as cidades abraçam os rios para crescer) e a ideia posterior (também os destroem). O texto afirma que as cidades "os abraçam para crescer e se desenvolver, criando importante laço para o desenvolvimento urbano e agrícola, mas também os destroem, ao torná-los o principal meio de escoamento de esgoto". A relação entre "abraçar" e "destruir" não é de oposição, mas de consequência: é justamente por abraçarem os rios para crescer que as cidades acabam por destruí-los. O conectivo "com isso" sinaliza exatamente essa relação de causa e efeito.

O comando da questão

O enunciado pede que se avalie a coerência do texto caso uma expressão seja inserida após o ponto e vírgula no segundo período do segundo parágrafo. Isso significa que a questão não cobra apenas o conhecimento do significado isolado de cada conectivo, mas sim a relação lógica que ele estabelece entre as ideias do texto. É uma questão de coesão sequencial, que trata da continuidade lógica do texto por meio de conectivos.

A relação lógica no texto

O segundo parágrafo apresenta uma relação ambígua do país com seus rios. O texto diz:

"as cidades os abraçam para crescer e se desenvolver, criando importante laço para o desenvolvimento urbano e agrícola, mas também os destroem, ao torná-los o principal meio de escoamento de esgoto"

Observe que a relação entre "abraçar" e "destruir" não é de oposição (como seria com "mas", "porém", "entretanto"). A destruição é uma consequência do abraço: as cidades se desenvolvem às custas dos rios, e esse desenvolvimento acaba por destruí-los. O conectivo "com isso" estabelece exatamente essa relação de consequência, retomando a ideia anterior (o abraço para crescer) e apresentando seu efeito (a destruição).

A técnica de resolução

Para resolver essa questão, é preciso identificar a relação semântica que o conectivo deve estabelecer. O texto não apresenta uma oposição entre as ideias, mas uma relação de causa e consequência. Portanto, o conectivo deve ser capaz de expressar essa relação. "Com isso" é uma locução que indica consequência, sendo a única opção que preserva a coerência do texto.

1Relação de consequência
"com isso" (gabarito)
2Relação de oposição
"a despeito disso"
"por outro lado"
"entretanto"
3Relação de adição
"mas também"
Conectivos e coerência
LEVELsoulevel.com.br
Conectivos e coerência: Relação de consequência ("com isso" (gabarito)); Relação de oposição ("a despeito disso", "por outro lado", "entretanto"); Relação de adição ("mas também")

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A expressão "com isso" estabelece uma relação de consequência entre a ideia de as cidades abraçarem os rios para crescer e a ideia de as destruírem. O texto afirma que as cidades "os abraçam para crescer e se desenvolver" e, como consequência desse abraço, "também os destroem". O conectivo "com isso" retoma a ideia anterior e apresenta seu efeito, mantendo a coerência do texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A expressão "a despeito disso" indica oposição ou concessão, ou seja, algo que ocorre apesar de outra coisa. No texto, a destruição dos rios não ocorre apesar do abraço das cidades, mas por causa dele. A relação é de consequência, não de oposição. A alternativa contradiz a relação lógica estabelecida no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A expressão "por outro lado" também indica oposição ou contraposição de ideias. No texto, a destruição dos rios não é uma ideia contrária ao abraço das cidades, mas uma consequência dele. A alternativa contradiz a relação lógica estabelecida no texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O conectivo "entretanto" indica oposição ou ressalva. No texto, a destruição dos rios não é uma ideia contrária ao abraço das cidades, mas uma consequência dele. A alternativa contradiz a relação lógica estabelecida no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A expressão "mas também" indica adição de ideias, mas com um matiz de oposição. No texto, a destruição dos rios não é uma ideia que se soma ao abraço das cidades, mas uma consequência dele. Além disso, a expressão "mas também" exigiria uma estrutura paralela que não está presente no texto. A alternativa contradiz a relação lógica estabelecida no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre relação de oposição e relação de consequência. As alternativas B, C e D apresentam conectivos de oposição, que parecem adequados porque o texto fala de uma "relação ambígua". No entanto, a ambiguidade não está na oposição entre as ideias, mas na consequência do abraço das cidades.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a relação entre as ideias, pergunte-se: a segunda ideia é contrária à primeira (oposição) ou é um efeito dela (consequência)? No texto, a destruição é um efeito do abraço, não uma ideia contrária.

Gabarito: letra A. A relação de consequência é a única que preserva a coerência do texto, e "com isso" é o conectivo que a expressa.

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