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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
ce402334
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CAGEPA
Ano
2024
Cargo
Tec ( )

Nos últimos anos, apesar de muitas empresas terem se destacado na promoção da sustentabilidade por meio de medidas e ações como a redução de pegadas de carbono e da utilização de água, relativamente poucas fazem dessa sustentabilidade uma parte essencial de suas marcas.

 

As empresas que o fazem, todavia, encontram um público consumidor ávido por ajudar a promover a conservação ambiental — especialmente no Brasil. Uma pesquisa de consumo mostrou que até 75% dos brasileiros estão dispostos a pagar mais por variedades sustentáveis.

 

O poder da onda verde e o consumo consciente manifestam-se também no crescimento de novas marcas que fazem uso de materiais naturais ou com menor impacto sobre o planeta. Além disso, mesmo marcas já estabelecidas podem usar a sustentabilidade para reacenderem a sua relevância, desde que seus produtos e serviços sejam verdadeiramente alinhados a estratégias ecológicas.

 

Segundo um estudo de uma consultoria, as principais barreiras para a compra dos chamados “produtos verdes” são: consciência de que o produto/serviço existe, disponibilidade, preço, conveniência, qualidade, confiança, interesse e fatores sociais — como relutância para mudar hábitos já estabelecidos, por exemplo.

 

Embora rever hábitos antigos seja difícil, de acordo com a consultoria, o caminho do sucesso é esclarecer para o consumidor que escolhas ambientalmente corretas também podem atender a suas necessidades.

Internet: <umsoplaneta.globo.com> (com adaptações).

Leia o Texto CG2A1-I.   No primeiro parágrafo do texto CG2A1-I, após o termo “poucas”, está subentendida a palavra
  1. Aempresas.
  2. Bmedidas.
  3. Cações.
  4. Dpegadas.
  5. Emarcas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — empresas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: a palavra subentendida após “poucas”

Gabarito: letra A. No primeiro parágrafo, após o termo “poucas”, está subentendida a palavra empresas. A pista está na estrutura do período: o sujeito da oração principal é “muitas empresas”, e a oração seguinte, introduzida por “mas”, retoma esse mesmo sujeito por elipse — “relativamente poucas empresas fazem dessa sustentabilidade uma parte essencial de suas marcas”. A resposta é uma anáfora por elipse: o termo omitido é recuperável pelo contexto imediato.

“Nos últimos anos, apesar de muitas empresas terem se destacado na promoção da sustentabilidade por meio de medidas e ações como a redução de pegadas de carbono e da utilização de água, relativamente poucas fazem dessa sustentabilidade uma parte essencial de suas marcas.”

Observe que “poucas” é um pronome indefinido que, sozinho, não nomeia quem pratica a ação. Para dar sentido à frase, o leitor precisa recuperar o substantivo que ele modifica — e esse substantivo só pode ser “empresas”, pois é o único termo da oração anterior que pode funcionar como sujeito de “fazem”. As demais palavras (“medidas”, “ações”, “pegadas”, “marcas”) aparecem no trecho, mas em outras funções sintáticas, e não podem ser o referente.

O comando

A questão pede que você identifique a palavra subentendida — ou seja, aquela que foi omitida do texto, mas que está implícita pela estrutura sintática e pelo sentido. Isso é um caso clássico de coesão referencial, especificamente de elipse: um termo é suprimido porque já foi mencionado antes e pode ser facilmente recuperado pelo leitor. A banca não quer que você decore regras, mas que perceba como o texto se conecta internamente.

O texto e a tese

O primeiro parágrafo apresenta uma oposição: muitas empresas se destacaram em ações de sustentabilidade, mas poucas fazem dela parte essencial da marca. O conectivo “mas” sinaliza essa quebra de expectativa. Para construir essa oposição, o autor repete a estrutura sintática: “muitas empresas” (sujeito) → “poucas” (sujeito elíptico). A elipse evita a repetição desnecessária de “empresas”, mantendo a fluidez do texto.

A técnica que decide

Quando um pronome indefinido como “poucas” aparece sem substantivo, pergunte: quem? A resposta está no termo anterior que pode exercer a mesma função sintática. No trecho, “empresas” é o único substantivo que pode ser sujeito de “fazem”. As outras palavras estão em posições diferentes: “medidas” e “ações” são objetos da preposição “por meio de”; “pegadas” é complemento de “redução”; “marcas” é complemento de “suas”. Nenhuma delas pode ser retomada por “poucas” sem gerar incoerência.

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca palavras que aparecem no mesmo período, mas em funções sintáticas diferentes, tentando fazer você escolher um termo que está “visível” no texto, mas que não é o referente correto. A pergunta certa é: “poucas” o quê? A resposta só pode ser “empresas”.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A palavra subentendida é empresas. O trecho “relativamente poucas fazem” só faz sentido se recuperarmos “empresas” como sujeito: “relativamente poucas empresas fazem”. A elipse é anafórica, pois retoma um termo já mencionado. A concordância verbal também confirma: “fazem” está no plural, concordando com “empresas”.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Medidas” aparece no texto, mas como parte da expressão “por meio de medidas e ações”. Não pode ser o referente de “poucas”, pois “poucas medidas” não faria sentido com o verbo “fazem dessa sustentabilidade uma parte essencial de suas marcas” — quem faz algo são as empresas, não as medidas. A alternativa tangencia o texto: usa uma palavra que existe, mas em outra função.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Ações” também aparece no mesmo sintagma “medidas e ações”. O mesmo raciocínio se aplica: “poucas ações” não podem ser sujeito de “fazem”. A alternativa extrapola ao tentar atribuir a “ações” um papel que o texto não lhe dá.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Pegadas” é um termo do exemplo dado (“redução de pegadas de carbono”). Não tem relação sintática com “poucas”. A alternativa foge ao tema, pois se apega a uma palavra periférica do exemplo, sem conexão com a estrutura da oração.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Marcas” aparece no final do período (“de suas marcas”), mas como complemento de posse. “Poucas marcas” até poderia fazer sentido, mas o texto diz “poucas fazem dessa sustentabilidade uma parte essencial de suas marcas” — o sujeito que pratica a ação é “empresas”, não “marcas”. A alternativa confunde o referente: troca o sujeito pelo complemento.

Conclusão

A resposta é letra A. Para resolver questões de elipse, sempre pergunte: quem? ou o quê? antes do verbo. O termo omitido é aquele que já foi mencionado e que pode ser recuperado sem ambiguidade. Aqui, “empresas” é a única opção que mantém a coerência e a concordância.

Gabarito: letra A

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