Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
ce402336
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ANATEL
Ano
2024
Cargo
ERSPT ( )

As plataformas de conectividade são o principal responsável da digitalização da economia, por realizarem a migração dos processos físicos para o mundo digital. Seu avanço tem sido muito expressivo, com uma ampla penetração (93% das pessoas usam aplicativos de mensagens instantâneas) e um aumento significativo do poder concentrado em algumas grandes plataformas, características de um mercado em franca expansão que têm motivado discussões no âmbito regulatório ao redor do mundo. Ainda não há um consenso global em relação à regulação de plataformas de conectividade, estando sua discussão presente em diferentes países.


A União Europeia se mostra como o ente mais avançado nessa discussão, tendo apresentado duas importantes leis, a Digital Services Act (DSA) e a Digital 156 Markets Act (DMA), que poderão servir como benchmark para outros países, sob o ponto de vista regulatório, de experiências praticadas, além de explicitar os seus potenciais impactos no mercado e como ele se adaptará.


No Brasil, não há leis nem regulações que atuem especificamente sobre as plataformas de conectividade. O Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, no entanto, abordam temas transversais do ecossistema digital que são relevantes no contexto de plataformas de conectividade. Alguns projetos de lei, como o PL das Fake News e o PL n.º 2.768/2022, endereçam parte das questões relacionadas a esse nicho de mercado atualmente e devem concentrar as principais discussões.


ANATEL. Relatório II: Avaliação de cenários futuros da economia digital induzidos pelo desenvolvimento de plataformas de conectividade no Brasil, falhas de mercado e lacunas regulatórias. 2023, p. 156-157. Internet: <www.gov.br> (com adaptações).

Texto CB1A1

 

Com relação aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto CB1A1, julgue o item que se segue.


No segundo período do primeiro parágrafo, seria correto inserir uma vírgula imediatamente depois do trecho entre parênteses — (... instantâneas), e.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vírgula após parênteses: facultativa ou obrigatória?

Gabarito: Errado (E). A vírgula imediatamente depois do parêntese — (... instantâneas), e — é facultativa, não obrigatória. O trecho entre parênteses funciona como uma oração intercalada (comentário do autor), e a vírgula que o segue apenas separa o adjunto adverbial deslocado "com uma ampla penetração (...)" do restante da oração. Como esse adjunto é curto, a vírgula é dispensável, embora não seja proibida. Portanto, a afirmação de que seria "correto inserir" a vírgula é verdadeira em si, mas o item pede que se julgue a obrigatoriedade — e ela não existe.

O comando: o que a banca quer que você decida

O enunciado diz: "seria correto inserir uma vírgula imediatamente depois do trecho entre parênteses". A palavra-chave é "correto". Em questões de pontuação, "correto" pode significar duas coisas: (1) obrigatório — a vírgula é exigida pela norma; ou (2) facultativo — a vírgula pode ser usada sem erro. Aqui, a banca quer que você perceba que a vírgula é facultativa, e não obrigatória. Se fosse obrigatória, a resposta seria Certo; como é facultativa, a resposta é Errado, porque a afirmação de que "seria correto" (no sentido de necessário) é falsa.

O texto: onde está o trecho

No segundo período do primeiro parágrafo, lemos:

"Seu avanço tem sido muito expressivo, com uma ampla penetração (93% das pessoas usam aplicativos de mensagens instantâneas) e um aumento significativo do poder concentrado em algumas grandes plataformas..."

O trecho entre parênteses — "93% das pessoas usam aplicativos de mensagens instantâneas" — é uma oração intercalada (também chamada de interferente ou comentário). Ela interrompe a enumeração de dois adjuntos adverbiais: "com uma ampla penetração" e "com um aumento significativo". A vírgula que aparece depois do parêntese, no texto original, separa o primeiro adjunto do segundo. Mas essa vírgula é facultativa, porque o adjunto "com uma ampla penetração" é curto e está na ordem direta (não deslocado).

A regra: quando a vírgula é obrigatória e quando é facultativa

A vírgula é obrigatória para separar adjuntos adverbiais deslocados (antepostos ou intercalados) e longos (mais de três palavras). Exemplo: "No ano passado, viajamos muito" — a vírgula é obrigatória porque o adjunto está deslocado. Já quando o adjunto é curto e está na ordem direta (posição natural), a vírgula é facultativa. Exemplo: "Viajamos muito no ano passado" — sem vírgula, e correta.

No trecho em questão, o adjunto "com uma ampla penetração" está na ordem direta (depois do verbo "tem sido"), e é curto. Portanto, a vírgula que o separa do adjunto seguinte é facultativa. O mesmo raciocínio se aplica à vírgula após o parêntese: ela é dispensável, mas não incorreta.

A pegadinha da banca

A banca explora a confusão entre vírgula obrigatória e vírgula facultativa. Muitos candidatos veem a vírgula após o parêntese e pensam que ela é necessária para "fechar" a intercalação. Mas a intercalação já é fechada pelo próprio parêntese — a vírgula depois dele é apenas uma pausa adicional, que pode ser omitida sem prejuízo. A banca quer que você perceba que a vírgula é facultativa, e não obrigatória.

Análise das alternativas

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que seria correto inserir a vírgula. Como vimos, a vírgula é facultativa — pode ser usada, mas não é obrigatória. A afirmação de que "seria correto" (no sentido de necessário) é falsa. O erro da alternativa é generalizar a obrigatoriedade: ela trata como regra o que é apenas uma possibilidade.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E afirma que o item está errado. De fato, a vírgula após o parêntese é facultativa, não obrigatória. Portanto, a afirmação de que "seria correto inserir" é falsa — a vírgula pode ser omitida sem erro. A alternativa E está correta.

Conclusão

A questão testa a distinção entre vírgula obrigatória e facultativa. No trecho, o adjunto adverbial é curto e está na ordem direta, então a vírgula é dispensável. A banca quer que você perceba que "correto" não significa "obrigatório". Gabarito: letra E.

Link permanente: /questoes/ce402336