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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce402350
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ANATEL
Ano
2024
Cargo
ERSPT ( )

De todas as inovações óbvias que surgiram no século XXI, poucas são tão invisíveis como a mudança na maneira de perceber o tempo.


O controle do tempo na comunicação até o final do século XX decorria especialmente de uma característica: a programação. Com o controle dos meios de produção e distribuição da informação, fosse ela qual fosse, o cenário temporal dispunha também de uma estrutura hierárquica de controle. Era possível traçar e agenciar cronogramas complexos e prazos de entrega. O que basicamente mudou?


A comunicação não mudou. Mudaram os meios. Todos têm acesso às redes. Nelas a produção de conteúdo é incessante. O conteúdo é produzido por todos. A estrutura não é mais regida por uma lógica de programação, mas por uma lógica de fluxo. Nesse novo ecossistema, impera uma economia da atenção e, sendo a atenção um recurso escasso, é preciso a todo tempo escolher algo a que dedicar a atenção e, dedicada a atenção, devemos reagir rapidamente com as mudanças necessárias. Aqui aparecem claramente as diferenças do tempo em um ecossistema em fluxo permanente. As mudanças também devem ser permanentes. Isso em comunicação se traduz em não esperar mais longos prazos para dar respostas. Até o século passado, o furo de um veículo de comunicação só poderia ser ultrapassado 24 horas depois: na próxima edição. Hoje um furo de reportagem é imediatamente absorvido em rede, compartilhado, respondido e repercutido por todos os concorrentes. Em uma sociedade que se comunica em fluxo, é preciso avaliar diariamente onde estão os impedimentos e o que deve ser priorizado, e redefinir foco e estratégia. A comunicação também passa a lidar com o provisório, com o possível e com o impermanente.


Saber como equilibrar o tempo nessa pressão imediatista é o grande desafio do século XXI. Há saberes que só se atingem com reflexão, laços que só se formam com experiências reais compartilhadas. Saber desligar o celular, parar de responder emails para completar uma tarefa, ler um livro inteiro e principalmente saber conversar com os outros são habilidades cada vez mais valorizadas em uma sociedade digital, exatamente por serem habilidades capazes de dilatar o tempo em que vivemos, formas de transformar o fluxo que consome nossa atenção em momento no qual nós consumimos o mundo.


Margot Pavan. O tempo e a comunicação digital no século XXI.
Internet: <www.jornaldocomercio.com> (com adaptações).

Texto CB1A6

No que diz respeito a aspectos linguísticos do texto CB1A6, julgue o seguinte item.

 

O segmento “por uma lógica”, em “mas por uma lógica de fluxo” (sexto período do terceiro parágrafo), poderia ser suprimido sem prejuízo das relações de coesão e coerência textuais.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Esta resolução diverge do gabarito oficial. A banca deu Certo; a resolução abaixo sustenta o contrário e explica por quê — ela não foi reescrita para concordar. Acontece nos dois sentidos: há gabarito que cai em recurso e há resolução que erra. Confira na fonte antes de fixar o entendimento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Supressão de "por uma lógica" e a manutenção da coesão

Gabarito: ERRADO. O segmento "por uma lógica" não pode ser suprimido sem prejuízo das relações de coesão e coerência, pois ele é o núcleo do segundo termo da oposição estabelecida pelo conectivo "mas". A supressão quebraria o paralelismo sintático e enfraqueceria a contraposição entre "lógica de programação" e "lógica de fluxo", ideia central do terceiro parágrafo.

O comando

A questão pede um julgamento sobre a possibilidade de suprimir um trecho sem alterar as relações de coesão e coerência. Isso exige verificar se o trecho é essencial para a estrutura sintática e para o sentido do período. Não se trata de interpretar o texto, mas de analisar o efeito da supressão na tessitura textual.

O texto e a estrutura do período

No terceiro parágrafo, o autor contrapõe duas lógicas que regem a comunicação:

"A estrutura não é mais regida por uma lógica de programação, mas por uma lógica de fluxo."

Aqui, "mas" é uma conjunção adversativa que introduz a segunda parte da oposição. A expressão "por uma lógica" retoma, por paralelismo, o termo "por uma lógica" da primeira oração. Essa repetição é um mecanismo de coesão lexical que reforça a contraposição: de um lado, a lógica de programação; de outro, a lógica de fluxo.

Se suprimíssemos "por uma lógica", o período ficaria: "A estrutura não é mais regida por uma lógica de programação, mas de fluxo." Ainda que fosse possível entender, a oposição perderia força e o paralelismo sintático seria quebrado, prejudicando a coesão e a coerência.

A técnica que decide

A regra é: não se suprime um termo que é núcleo de uma estrutura paralela sem comprometer a coesão. O paralelismo exige que os termos comparados tenham a mesma estrutura sintática. Aqui, "por uma lógica de programação" e "por uma lógica de fluxo" são sintagmas preposicionais que funcionam como complementos de "regida". Suprimir o segundo "por uma lógica" deixa o segundo termo sem o núcleo "lógica", tornando a comparação assimétrica e menos clara.

Supressão de termo em estrutura paralela
  • 1Estrutura do período
    • "regida por uma lógica de programação"
    • "mas por uma lógica de fluxo"
  • 2Função do termo "por uma lógica"
    • Núcleo do 2º termo da oposição
    • Garante o paralelismo sintático
    • Reforça a coesão lexical
  • 3Efeito da supressão
    • Quebra o paralelismo
    • Enfraquece a contraposição
    • Prejuízo à coesão e coerência
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Análise da assertiva

A assertiva afirma que o segmento poderia ser suprimido sem prejuízo das relações de coesão e coerência. Isso é falso, pois a supressão quebra o paralelismo e enfraquece a oposição, que é o ponto central do parágrafo. Portanto, a assertiva está errada.

Conclusão

A supressão de "por uma lógica" não é possível sem prejuízo. O paralelismo sintático e a coesão lexical são fundamentais para a clareza da contraposição entre as duas lógicas. Portanto, a assertiva está errada.

Gabarito: ERRADO.

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