Eliminação de 'é algo que' — reescrita sem perda de sentido
Gabarito: C (Certo). A eliminação do trecho 'é algo que' no segundo período do terceiro parágrafo preserva a correção gramatical e os sentidos do texto, pois o pronome relativo 'que' exerce a função de sujeito da oração subordinada adjetiva restritiva, e sua omissão, juntamente com a expressão 'é algo', não altera a relação de sentido estabelecida. A passagem que sustenta essa análise é:
"A ausência de laboratórios, de Internet, de bibliotecas e de uma estrutura física adequada é algo que impacta diretamente na qualidade da educação oferecida aos estudantes"
Aqui, 'é algo que' funciona como um realce ou ênfase para o sujeito 'A ausência de laboratórios...', e sua retirada não compromete a compreensão nem a estrutura sintática da frase.
O comando da questão
A questão pede que se julgue se a eliminação do trecho 'é algo que' preservaria a correção gramatical e os sentidos do texto. Isso envolve dois aspectos: (1) a gramática — se a frase continua bem formada, com concordância e regência adequadas; (2) a semântica — se o sentido original é mantido, sem acréscimos, supressões ou alterações de ênfase. Trata-se de uma questão de reescrita de frases, em que se testa a capacidade de reconhecer estruturas que podem ser omitidas sem prejuízo.
O texto e a estrutura da frase
No terceiro parágrafo, a secretária da CNTE afirma que a ausência de infraestrutura "impacta diretamente na qualidade da educação". A frase original é:
"A ausência de laboratórios, de Internet, de bibliotecas e de uma estrutura física adequada é algo que impacta diretamente na qualidade da educação oferecida aos estudantes"
Sintaticamente, temos:
Sujeito: "A ausência de laboratórios, de Internet, de bibliotecas e de uma estrutura física adequada"
Predicado: "é algo que impacta diretamente na qualidade da educação oferecida aos estudantes"
O trecho "é algo que" é uma locução de realce que introduz uma oração subordinada adjetiva restritiva ("que impacta..."). O pronome relativo "que" retoma o sujeito "a ausência..." e exerce a função de sujeito da oração adjetiva. Ao eliminar "é algo que", a frase passa a ser:
"A ausência de laboratórios, de Internet, de bibliotecas e de uma estrutura física adequada impacta diretamente na qualidade da educação oferecida aos estudantes"
Essa nova estrutura é gramaticalmente correta e semanticamente equivalente: o sujeito continua o mesmo, o verbo "impacta" concorda com ele, e o sentido de que a ausência causa impacto é mantido. A única diferença é a perda de uma ênfase ou realce que a expressão "é algo que" proporcionava, mas isso não altera o sentido essencial.
A técnica para resolver
Ao julgar reescritas, o candidato deve:
Identificar a função sintática do trecho a ser eliminado ou substituído.
Verificar se a nova estrutura mantém a correção gramatical (concordância, regência, pontuação).
Comparar os sentidos — se a reescrita acrescenta, suprime ou modifica alguma informação.
No caso, "é algo que" é uma expressão expletiva (ou de realce), que pode ser retirada sem prejuízo, pois o pronome relativo "que" já estabelece a relação de subordinação. A banca explora a confusão entre a necessidade do pronome relativo e a possibilidade de omitir a locução "é algo".
Análise das alternativas
Alternativa C — ✅ Certo ⟵ GABARITO
A eliminação de "é algo que" preserva a correção gramatical e os sentidos do texto. Como demonstrado, a frase resultante é gramaticalmente correta e mantém o sentido de que a ausência de infraestrutura impacta a qualidade da educação. A expressão "é algo que" é um reforço enfático, não um elemento estrutural indispensável. Portanto, a afirmação do item é verdadeira.
Alternativa E — ❌ Errado
A alternativa E afirma que a eliminação não preservaria a correção e os sentidos. Isso é incorreto, pois, como visto, a reescrita é válida. A banca tenta fazer o candidato acreditar que a omissão do pronome relativo "que" (que é parte de "é algo que") quebraria a estrutura, mas o pronome relativo é essencial apenas quando introduz a oração adjetiva; aqui, ele é o sujeito da oração, e sua retirada junto com "é algo" não deixa a frase sem sujeito, pois o sujeito é "a ausência...". A alternativa E contradiz o texto e a análise sintática.
Conclusão
A questão testa a habilidade de reconhecer estruturas de realce que podem ser omitidas sem prejuízo. A expressão "é algo que" é dispensável, pois o pronome relativo "que" já cumpre a função de conectar a oração adjetiva ao sujeito. Portanto, a eliminação é gramaticalmente correta e semanticamente neutra. Gabarito: letra C (Certo).