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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce402389
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEBRAE
Ano
2024
Cargo
Ana Tec II ( )

Já se foi o tempo em que acordar tarde e tomar um café da manhã reforçado na cobertura de um duplex era símbolo de status e ascensão social. Hoje em dia, emergente de verdade toma é um brunch no roof top de seu residence club.

 

A classe média, quando chega ao paraíso, adora gourmetizar o idioma, recheando o bom e velho português tupiniquim com um punhado de expressões de outras línguas para dar um ar de sofisticação e requinte a boa parte daquilo que diz, faz e pensa. Alguns exemplos são crush, delivery, fashion, haters, job, like, e por aí vai.

 

O discurso empresarial e corporativo também está repleto desses enunciados carregados de expressões tomadas de empréstimo a outras línguas. Nesse quesito, o inglês é o campeão de audiência nas interações verbais de uma parte considerável das profissões urbanas. Palavras e expressões como briefing, workshop, call, mindset e deadline já se tornaram corriqueiras no vocabulário de muitos profissionais brazucas.

 

Não que isso seja um problema ou uma ameaça à integridade do português brasileiro. Nosso país, desde a sua origem, sempre teve um caráter plurilinguístico. O fundo lexical do nosso português está repleto de vocábulos e expressões vindos de uma porção de idiomas que, ao longo do tempo, foram incorporados ao falar brasileiro.

 

A questão a ser abordada não é o quanto o uso de estrangeirismo pode ser nocivo à língua, mas até que ponto a hegemonia político-social de determinado grupo de falantes pode exercer um domínio ideológico e cultural sobre as dinâmicas linguísticas praticadas por boa parte de nossa população. A censura linguística de comunidades subalternizadas pode ser muito mais nociva à língua do que o uso de palavras e(ou) expressões de origem estrangeira.

 

Nesse contexto, a negação dos acréscimos linguísticos vindos de grupos étnicos e sociais diversos não se justifica, porque propõe o apagamento intencional e deliberado de nossas raízes históricas, linguísticas e culturais.

 

A presença de estrangeirismos nas vitrines das lojas e nos hábitos linguísticos de determinada comunidade de falantes, embora provoque reações afetivas e passionais tão variadas quanto contraditórias, é perfeitamente compreensível, porque as línguas são espaços de comunicação nos quais os processos de interlocução não se esgotam no simples ato de dizer.

 

Abrahão C. de Freitas. Guerra passional em

torno da língua. Escrita Viva — Conhecimento Prático — Língua Portuguesa e Literatura, ano 8, ed. 103, p. 30-37 (com adaptações).

Texto 1A8

 

No último parágrafo do texto 1A8, o autor qualifica como “perfeitamente compreensível”

  1. Ao fato de as reações aos estrangeirismos serem, ao mesmo tempo, variadas e contraditórias.
  2. Bos hábitos linguísticos de determinados grupos de falantes.
  3. Ca presença de estrangeirismos em vitrines de lojas.
  4. Do fato de estrangeirismos provocarem reações afetivas e passionais.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — a presença de estrangeirismos em vitrines de lojas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O que o autor qualifica como “perfeitamente compreensível”

Gabarito: letra C. No último parágrafo, o autor afirma que “A presença de estrangeirismos nas vitrines das lojas e nos hábitos linguísticos de determinada comunidade de falantes, embora provoque reações afetivas e passionais tão variadas quanto contraditórias, é perfeitamente compreensível”. Ou seja, o que é qualificado como “perfeitamente compreensível” é a presença de estrangeirismos nas vitrines das lojas (e nos hábitos linguísticos), e não as reações que ela provoca. A alternativa C é a única que identifica corretamente o termo ao qual o adjetivo se refere.

A questão exige compreensão literal do texto: o comando pergunta o que o autor qualifica como “perfeitamente compreensível”. Não se trata de inferir, mas de localizar a informação explícita e identificar o referente do adjetivo. A resposta está no último parágrafo, que apresenta uma estrutura sintática em que o sujeito da oração principal é “A presença de estrangeirismos nas vitrines das lojas e nos hábitos linguísticos de determinada comunidade de falantes”.

“A presença de estrangeirismos nas vitrines das lojas e nos hábitos linguísticos de determinada comunidade de falantes, embora provoque reações afetivas e passionais tão variadas quanto contraditórias, é perfeitamente compreensível, porque as línguas são espaços de comunicação nos quais os processos de interlocução não se esgotam no simples ato de dizer.”

A oração subordinada “embora provoque reações afetivas e passionais tão variadas quanto contraditórias” é uma concessiva: ela apresenta uma ideia que contrasta com a afirmação principal, mas não a anula. O autor reconhece que os estrangeirismos provocam reações fortes e contraditórias, mas, apesar disso, considera a presença deles “perfeitamente compreensível”. A estrutura é: [A presença de estrangeirismos] + [embora provoque reações] + [é perfeitamente compreensível]. O adjetivo “compreensível” se refere ao sujeito da oração principal, que é a presença dos estrangeirismos, não às reações.

A técnica para resolver questões como esta é identificar o sujeito da oração principal e não se deixar levar pelos elementos que aparecem em orações subordinadas. A banca costuma oferecer alternativas que citam partes do texto que estão em orações acessórias, como a concessiva, para confundir o candidato. Aqui, a alternativa D tenta fazer exatamente isso, ao afirmar que o que é compreensível é o fato de os estrangeirismos provocarem reações. Mas o texto diz que a presença é compreensível, e não as reações.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o autor qualifica como “perfeitamente compreensível” o fato de as reações aos estrangeirismos serem, ao mesmo tempo, variadas e contraditórias. No texto, as reações são descritas como “tão variadas quanto contraditórias”, mas isso está em uma oração concessiva, que apenas contextualiza a afirmação principal. O que é qualificado como compreensível é a presença dos estrangeirismos, não as reações. A alternativa restringe o alcance do adjetivo, atribuindo-o a um elemento periférico da oração.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o autor qualifica como “perfeitamente compreensível” os hábitos linguísticos de determinados grupos de falantes. O texto menciona “os hábitos linguísticos de determinada comunidade de falantes”, mas isso faz parte do sujeito composto da oração principal, juntamente com “a presença de estrangeirismos nas vitrines das lojas”. A alternativa restringe o alcance do adjetivo, omitindo a primeira parte do sujeito. O autor não qualifica apenas os hábitos, mas a presença dos estrangeirismos e os hábitos linguísticos.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que o autor qualifica como “perfeitamente compreensível” a presença de estrangeirismos em vitrines de lojas. O texto diz: “A presença de estrangeirismos nas vitrines das lojas e nos hábitos linguísticos de determinada comunidade de falantes, embora provoque reações afetivas e passionais tão variadas quanto contraditórias, é perfeitamente compreensível”. O sujeito da oração principal é “A presença de estrangeirismos nas vitrines das lojas e nos hábitos linguísticos de determinada comunidade de falantes”, e o predicativo do sujeito é “perfeitamente compreensível”. A alternativa C identifica corretamente o núcleo do sujeito, que é a presença dos estrangeirismos. A alternativa é uma paráfrase fiel do texto, sem acrescentar ou omitir informações.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o autor qualifica como “perfeitamente compreensível” o fato de estrangeirismos provocarem reações afetivas e passionais. O texto diz que a presença dos estrangeirismos, “embora provoque reações afetivas e passionais tão variadas quanto contraditórias, é perfeitamente compreensível”. A oração “embora provoque reações” é uma concessiva, que expressa uma ideia contrária à afirmação principal, mas não é o foco da qualificação. O autor não diz que as reações são compreensíveis; ele diz que a presença é compreensível, apesar das reações. A alternativa contradiz a estrutura sintática do período, atribuindo o adjetivo a um elemento que está em oração subordinada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o sujeito da oração principal e os elementos de orações subordinadas. A alternativa D cita exatamente a oração concessiva, que é um detalhe do período, para induzir o candidato a acreditar que o adjetivo se refere a ela. A técnica é identificar o sujeito da oração principal e verificar a qual termo o predicativo se refere.

PEGA ESSA DICA!

Em questões que perguntam “o que o autor qualifica como X”, sublinhe o adjetivo no texto e pergunte: “o que é X?”. A resposta será o sujeito da oração principal, não os elementos de orações subordinadas.

Gabarito: letra C. A resposta está na estrutura sintática do último parágrafo: o sujeito da oração principal é “A presença de estrangeirismos nas vitrines das lojas e nos hábitos linguísticos”, e o predicativo é “perfeitamente compreensível”. As demais alternativas ou restringem o alcance do sujeito ou atribuem o adjetivo a elementos de orações subordinadas.

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