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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce402390
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEBRAE
Ano
2024
Cargo
Ana Tec II ( )

Já se foi o tempo em que acordar tarde e tomar um café da manhã reforçado na cobertura de um duplex era símbolo de status e ascensão social. Hoje em dia, emergente de verdade toma é um brunch no roof top de seu residence club.

 

A classe média, quando chega ao paraíso, adora gourmetizar o idioma, recheando o bom e velho português tupiniquim com um punhado de expressões de outras línguas para dar um ar de sofisticação e requinte a boa parte daquilo que diz, faz e pensa. Alguns exemplos são crush, delivery, fashion, haters, job, like, e por aí vai.

 

O discurso empresarial e corporativo também está repleto desses enunciados carregados de expressões tomadas de empréstimo a outras línguas. Nesse quesito, o inglês é o campeão de audiência nas interações verbais de uma parte considerável das profissões urbanas. Palavras e expressões como briefing, workshop, call, mindset e deadline já se tornaram corriqueiras no vocabulário de muitos profissionais brazucas.

 

Não que isso seja um problema ou uma ameaça à integridade do português brasileiro. Nosso país, desde a sua origem, sempre teve um caráter plurilinguístico. O fundo lexical do nosso português está repleto de vocábulos e expressões vindos de uma porção de idiomas que, ao longo do tempo, foram incorporados ao falar brasileiro.

 

A questão a ser abordada não é o quanto o uso de estrangeirismo pode ser nocivo à língua, mas até que ponto a hegemonia político-social de determinado grupo de falantes pode exercer um domínio ideológico e cultural sobre as dinâmicas linguísticas praticadas por boa parte de nossa população. A censura linguística de comunidades subalternizadas pode ser muito mais nociva à língua do que o uso de palavras e(ou) expressões de origem estrangeira.

 

Nesse contexto, a negação dos acréscimos linguísticos vindos de grupos étnicos e sociais diversos não se justifica, porque propõe o apagamento intencional e deliberado de nossas raízes históricas, linguísticas e culturais.

 

A presença de estrangeirismos nas vitrines das lojas e nos hábitos linguísticos de determinada comunidade de falantes, embora provoque reações afetivas e passionais tão variadas quanto contraditórias, é perfeitamente compreensível, porque as línguas são espaços de comunicação nos quais os processos de interlocução não se esgotam no simples ato de dizer.

 

Abrahão C. de Freitas. Guerra passional em

torno da língua. Escrita Viva — Conhecimento Prático — Língua Portuguesa e Literatura, ano 8, ed. 103, p. 30-37 (com adaptações).

Texto 1A8

 

Cada uma das opções a seguir apresenta uma proposta de reescrita em que se unem o primeiro e o segundo períodos do quarto parágrafo do texto 1A8. Assinale a opção em que a proposta apresentada mantém a correção gramatical, a coerência e os sentidos do texto.

  1. ANão que isso seja um problema ou uma ameaça à integridade do português brasileiro, tendo em vista que, nosso país, desde a sua origem, sempre teve um caráter plurilinguístico.
  2. BNão que isso seja um problema ou uma ameaça à integridade do português brasileiro, no entanto nosso país, desde sua origem, sempre teve um caráter plurilinguístico.
  3. CNão que isso seja um problema ou uma ameaça à integridade do português brasileiro, pois nosso país, desde a sua origem, sempre teve um caráter plurilinguístico.
  4. DNão que isso seja um problema ou uma ameaça à integridade do português brasileiro, enquanto nosso país, desde a sua origem, sempre teve um caráter plurilinguístico.
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GabaritoC — Não que isso seja um problema ou uma ameaça à integridade do português brasileiro, pois nosso país, desde a sua origem, sempre teve um caráter plurilinguístico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita com conectivo: unindo os períodos do 4º parágrafo

Gabarito: letra C. A proposta correta une os dois períodos com o conectivo "pois", que estabelece a relação de causa/explicação entre a ideia de que o estrangeirismo não é problema e o fato de o Brasil sempre ter sido plurilinguístico. O texto original apresenta esses dois períodos como uma justificativa: o caráter plurilinguístico do país é a razão pela qual o uso de estrangeirismos não ameaça a língua. A alternativa C preserva exatamente essa relação lógica, mantendo a correção gramatical e o sentido original.

O comando pede uma reescrita que una o primeiro e o segundo períodos do quarto parágrafo, mantendo "a correção gramatical, a coerência e os sentidos do texto". Isso significa que a resposta deve: (1) ser gramaticalmente correta, (2) preservar a relação lógica entre as duas ideias, e (3) não alterar o sentido original. O foco está na escolha do conectivo e na pontuação — é uma questão de coesão sequencial, não de interpretação profunda.

No texto original, o quarto parágrafo diz:

"Não que isso seja um problema ou uma ameaça à integridade do português brasileiro. Nosso país, desde a sua origem, sempre teve um caráter plurilinguístico."

A relação entre os dois períodos é de justificativa: o segundo período explica por que o primeiro é verdadeiro. O autor afirma que o estrangeirismo não é um problema e, em seguida, apresenta o plurilinguismo histórico do Brasil como razão. Para unir os períodos, o conectivo ideal é o "pois" (conjunção coordenativa explicativa), que introduz exatamente essa relação de causa/explicação.

A técnica para resolver: teste cada conectivo substituindo-o no lugar do ponto final e verifique se a relação lógica entre as orações permanece a mesma. Conectivos como "tendo em vista que" (causal), "no entanto" (adversativo), "enquanto" (temporal/concessivo) e "pois" (explicativo) têm valores semânticos distintos — apenas um deles expressa a relação de justificativa presente no original.

1Explicativo
pois
porque
que
2Adversativo
no entanto
mas
porém
3Causal
tendo em vista que
já que
4Temporal
enquanto
quando
Conectivos coordenativos
LEVELsoulevel.com.br
Conectivos coordenativos: Explicativo (pois, porque, que); Adversativo (no entanto, mas, porém); Causal (tendo em vista que, já que); Temporal (enquanto, quando)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Não que isso seja um problema ou uma ameaça à integridade do português brasileiro, tendo em vista que, nosso país, desde a sua origem, sempre teve um caráter plurilinguístico."

O conectivo "tendo em vista que" é causal e poderia, em tese, expressar a relação de justificativa. Porém, há um erro de pontuação: a vírgula após "que" separa indevidamente o sujeito "nosso país" do restante da oração, quebrando a correção gramatical. A vírgula não pode separar o sujeito do verbo. Além disso, a vírgula após "origem" também está inadequada, pois isola um adjunto adverbial deslocado de forma desnecessária. A proposta falha na correção gramatical, um dos requisitos do comando.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Não que isso seja um problema ou uma ameaça à integridade do português brasileiro, no entanto nosso país, desde sua origem, sempre teve um caráter plurilinguístico."

O conectivo "no entanto" é adversativo e expressa oposição/contraste. No texto, a relação entre as duas ideias não é de oposição — o plurilinguismo não contrasta com a afirmação de que o estrangeirismo não é problema; ele a justifica. Usar "no entanto" inverte a relação lógica, criando uma contradição que não existe no original. A alternativa altera o sentido do texto, tornando-a incorreta.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Não que isso seja um problema ou uma ameaça à integridade do português brasileiro, pois nosso país, desde a sua origem, sempre teve um caráter plurilinguístico."

O conectivo "pois" é uma conjunção coordenativa explicativa e introduz a causa/justificativa da afirmação anterior. Exatamente a relação presente no texto original: o plurilinguismo histórico do Brasil é a razão pela qual o estrangeirismo não é um problema. A pontuação está correta (vírgula antes de "pois" e vírgulas isolando o adjunto adverbial "desde a sua origem"), e o sentido é integralmente preservado. É a única alternativa que mantém a correção gramatical, a coerência e os sentidos do texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Não que isso seja um problema ou uma ameaça à integridade do português brasileiro, enquanto nosso país, desde a sua origem, sempre teve um caráter plurilinguístico."

O conectivo "enquanto" pode expressar temporalidade ("durante o tempo em que") ou proporcionalidade ("à medida que"), mas não causa/explicação. No contexto, "enquanto" criaria uma relação de simultaneidade ou contraste que não existe no original. A relação de justificativa se perde, alterando o sentido do texto. A alternativa é incorreta por usar um conectivo com valor semântico inadequado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca do conectivo — cada alternativa usa um conectivo com valor semântico diferente (causal, adversativo, explicativo, temporal). A armadilha é escolher um conectivo que pareça plausível, mas que mude a relação lógica entre as ideias. O "no entanto" (adversativo) é o mais sedutor, pois soa natural, mas inverte o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever unindo períodos, identifique primeiro a relação lógica entre eles (causa, oposição, tempo, condição) e só então escolha o conectivo. Teste cada opção substituindo o conectivo e perguntando: "essa relação é a mesma do texto original?".

Gabarito: letra C. A chave da questão é reconhecer que o segundo período do 4º parágrafo justifica o primeiro — e o único conectivo que expressa essa relação de causa/explicação, com pontuação correta, é o "pois".

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