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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce402408
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
STJ
Ano
2024
Cargo
AJ

        Por quase dois séculos, apesar da controvérsia provocada pela Revolução Francesa, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão encarnou a promessa de direitos humanos universais. Em 1948, quando as Nações Unidas adotaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos, seu artigo 1.º dizia: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Em 1789, o artigo 1.º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão já havia proclamado: “Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos”.


        As origens dos documentos não nos dizem necessariamente nada de significativo sobre as suas consequências. Importa realmente que o esboço tosco de Jefferson tenha passado por 86 alterações feitas por ele mesmo, pelo Comitê dos Cinco ou pelo Congresso? A Declaração da Independência dos Estados Unidos da América (EUA) não tinha natureza constitucional. Declarava simplesmente intenções, e passaram-se quinze anos antes que os estados finalmente ratificassem uma Bill of Rights, muito diferente, em 1791. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão afirmava salvaguardar as liberdades individuais, mas não impediu o surgimento de um governo francês que reprimiu os direitos, e futuras constituições francesas — houve muitas delas — formularam declarações diferentes ou passaram sem nenhuma declaração.


        Ainda mais perturbador é que aqueles que, com tanta confiança, declaravam, no final do século XVIII, que os direitos eram universais vieram a demonstrar que tinham algo muito menos inclusivo em mente. As pessoas não ficaram surpresas por eles considerarem que as crianças, os insanos, os prisioneiros ou os estrangeiros eram incapazes ou indignos de plena participação no processo político, pois pensavam da mesma maneira. Mas eles também excluíam aqueles sem propriedade, os escravos, os negros livres, em alguns casos as minorias religiosas e, sempre e por toda parte, as mulheres. Em anos recentes, essas limitações a “todos os homens” provocaram muitos comentários, e alguns estudiosos até questionaram se as declarações tinham um verdadeiro significado de emancipação.


     Os fundadores, os que estruturaram e os que redigiram as declarações, têm sido julgados elitistas, racistas e misóginos por sua incapacidade de considerar todos verdadeiramente iguais em direitos.


       Como é que esses homens, vivendo em sociedades construídas sobre a escravidão, a subordinação e a subserviência aparentemente natural, chegaram a imaginar homens nada parecidos com eles, e, em alguns casos, também mulheres, como iguais? Se pudéssemos compreender como isso veio a acontecer, compreenderíamos melhor o que os direitos humanos significam para nós hoje em dia.


Lynn Hunt. A invenção dos direitos humanos: uma história. Tradução de Rosaura Eichenberg. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 15-16 (com adaptações).


A respeito de aspectos linguísticos do texto precedente bem como das ideias nele veiculadas, julgue os próximos itens.

 

Mantendo-se a correção gramatical e a coerência das ideias do texto, o primeiro período do terceiro parágrafo poderia ser reescrito da seguinte maneira: Aqueles que, com tanta confiança, declaravam, no final do século XVIII, que os direitos eram universais vieram a demonstrar que tinham algo muito menos inclusivo em mente, o que é ainda mais assustador.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

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Reescrita de Frases: Manutenção de Sentido e Correção Gramatical

Gabarito: Certo (C). A reescrita proposta mantém integralmente o sentido do período original, apenas deslocando a expressão avaliativa "Ainda mais perturbador" para o final da frase, transformando-a em uma oração subordinada adjetiva explicativa introduzida por "o que". A correção gramatical e a coerência são preservadas, como se verifica na comparação direta entre os dois períodos.

O Comando da Questão

A questão pede que se julgue se a reescrita do primeiro período do terceiro parágrafo mantém a correção gramatical e a coerência das ideias do texto. Isso significa que devemos verificar dois pontos: (1) se a nova redação está gramaticalmente correta (sem erros de concordância, regência, pontuação etc.) e (2) se ela preserva o sentido original, sem acrescentar, omitir ou distorcer informações.

O Texto Original e a Reescrita

O período original é:

"Ainda mais perturbador é que aqueles que, com tanta confiança, declaravam, no final do século XVIII, que os direitos eram universais vieram a demonstrar que tinham algo muito menos inclusivo em mente."

A reescrita proposta é:

"Aqueles que, com tanta confiança, declaravam, no final do século XVIII, que os direitos eram universais vieram a demonstrar que tinham algo muito menos inclusivo em mente, o que é ainda mais assustador."

Análise da Reescrita

1. Correção gramatical:

  • A reescrita mantém a estrutura sintática do período original, apenas deslocando a expressão "Ainda mais perturbador" para o final, transformando-a em uma oração subordinada adjetiva explicativa: "o que é ainda mais assustador".

  • O pronome relativo "o que" retoma toda a oração anterior, funcionando como sujeito da oração adjetiva. Essa construção é gramaticalmente correta e muito comum em português.

  • A concordância verbal está adequada: "o que é" concorda com o sujeito "o que" (singular).

  • A pontuação está correta: a vírgula antes de "o que" separa a oração adjetiva explicativa.

2. Coerência das ideias:

  • O sentido original é: "é perturbador que aqueles que declaravam direitos universais tenham demonstrado ter algo menos inclusivo em mente".

  • A reescrita diz exatamente o mesmo: "aqueles que declaravam direitos universais demonstraram ter algo menos inclusivo em mente, o que é perturbador".

  • A única diferença é a posição da avaliação ("perturbador"/"assustador"), que passa do início para o fim, mas o conteúdo proposicional é idêntico.

  • A palavra "assustador" é sinônima de "perturbador" no contexto, mantendo o tom crítico do autor.

Por que as demais alternativas não se aplicam

Como a questão é do tipo Certo/Errado, não há alternativas a analisar individualmente. A única possibilidade seria marcar "Errado", o que seria incorreto, pois a reescrita está perfeita.

Conclusão

A reescrita mantém a correção gramatical e a coerência das ideias, pois preserva o sentido original, apenas reestruturando a frase. Portanto, o item está Certo.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescrita, compare sempre o sentido original com o da reescrita, identificando se houve acréscimo, omissão ou inversão de ideias. Aqui, a inversão da posição da avaliação não altera o sentido.

Gabarito: Certo (C).

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